CACHOEIRINHA

Consultor dá dicas para salvar o CNPJ e chegar respirando no pós-pandemia

Volnei Borba sugere que empreendedores devem aproveitar o momento para repensar o negócio fazendo os ajustes necessários para manter a empresa viva

Cachoeirinha – Nesta quinta-feira (16), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa feita com mais de duas mil empresas por todo o país. Através dos dados coletados foi possível aferir que 1,3 milhão de empresas fecharam as portas de forma temporária ou definitiva no Brasil. Deste total, 39,4%, ou seja, 522.700 pararam pelo avanço do novo coronavírus. Mais de 258 mil empresas, ou 49,5% deste universo, era do setor de serviços; 192 mil, ou 36,7%, era do setor de comércio; 38.400, ou 7,4%, da construção civil; 33.700, ou 6,4% eram indústria. Sete em cada 10 empresas no país sentiram um tombo muito grande nas vendas.

De acordo com o consultor empresarial Volnei Borba, 46 anos, graduado em Administração de Empresas e Contabilidade, com MBA em Finanças, Controladoria e Auditoria pela FGV, sócio na WCI Consultoria e Contabilidade, com sede em Cachoeirinha, é importante focar nos desafios e nas oportunidades que estão dadas neste momento crítico. “Além das mortes, que é o ponto mais grave da situação atual, a crise provocada pelo Covid-19 também foi responsável pela quebra de empresas e pela suspensão de atividades, gerando um índice elevado de desemprego”.

Como encontrar uma saída num momento como esse?


Apesar das perdas é preciso olhar para o momento como uma oportunidade de renovação. Investir em capacitação, buscar ajuda especializada e cuidar da organização da empresa. “O empresário, no seu cotidiano, não tem tempo de pensar seu negócio, por estar envolto nas atividades operacionais”, frisa o consultor.

O primeiro ponto, segundo ele, começa pela agenda financeira da empresa. “É preciso entender o processo de formação do preço de vendas, o que é resultado econômico, e o que é financeiro em sua atividade, buscar capacitação e microcrédito orientado, ajustar os custos fixos e os variáveis e renegociar com fornecedores”.

Para Borba, a presença online é fundamental. “Se o cliente não pode vir até você, você tem que ir até ele através das vendas virtuais. As empresas que não operavam no conceito de delivery, começam a pensar em firmar parcerias, pois esta forma de venda é estratégica para o micro, pequeno e médio empresário dos diversos seguimentos. Nesse caso, há detalhes que fazem diferença, como entregar no horário, oferecer pacotes com mix de produtos, fazer parcerias entre produtores, entregar produto limpo e embalado e até pré-cozido. Pensar em cooperativas, unindo-se a outros parceiros. União é essencial”.

O consultor faz um alerta sobre a importância de deixar claro para os clientes todas as medidas de segurança e higiene que estão sendo adotadas pela empresa no processo de prevenção ao Covid 19. “No período pós-vacina, teremos um novo tipo de consumidor, muito mais atento à higiene e à segurança com saúde”.

Ainda no período pandêmico, o consumo de produtos menos essenciais permanece, mas em menor escala. “Por isso é importante apresentar formas atrativas para o cliente, como a criação de combos e kits de produtos, investir na venda online e delivery, pois não é possível contar com a venda que necessita da presença física do cliente. Se o seguimento não permite isso, como salões de beleza por exemplo, não deixe de interagir com seu público, dando dicas de cuidados, criando pacotes de serviços promocionais para serem usados em outro momento”, sugere Borba.

Já na indústria, o consultor indica a renegociação dos compromissos com parceiros, fornecedores, prestadores de serviços e clientes. “Mais importante que qualquer compromisso comercial é a preocupação com a saúde do trabalhador. Aproveitar a parada forçada para realizar manutenção de maquinário, reavaliar lay out da fábrica, analisar estoque, separar materiais parados há tempo que possam ser repassados ou vendidos”.

Para donos de pequenos negócios, que se empenham em manter seu quadro funcional, há uma série de opções. “São formas para obter fôlego nas finanças, como o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permite redução de carga horária, redução de salários e a suspensão temporária do contrato de trabalho dos funcionários”. Neste caso, o Governo arca com 70% do salário e o empregador fica responsável pelos outros 30%. “O novo decreto, sancionado em 14/07/2020, extende os acordos e o período de redução de jornada e salários foi ampliado de 90 para 120 dias; o da suspensão de contratos, de 60 para 120 dias. O decreto também prevê que a suspensão dos contrato de trabalho poderá ser fracionada, em períodos sucessivos ou intercalados, desde que esses intervalos sejam de 10 ou mais dias e que não ultrapassem o prazo de 120 dias”, esclarece o consultor.

Borba orienta a não tomar crédito sem fazer um planejamento financeiro, identificando como adquirir esses recursos e para quais fins serão destinados. “É essencial estudar, aprender mais sobre o próprio negócio, e esse momento tem de ser usado também para isso. Há muitos livros e vídeos de capacitação disponíveis na rede sobre todas as áreas. Dedicar uma hora por dia para aprender fará diferença no pós-pandemia”.

Sobre o futuro, Borba conclui que a recuperação pós-vacina vai ser diferente para cada setor. “Mas haverá sensação de medo em negócios que exijam concentração de pessoas. As empresas atentas à esses novos padrões terão mais chance de sucesso. O home office ganhará cada vez mais força e será adotado de forma mais recorrente. Aumentará a valorização das parcerias entre empreendedores de pequeno porte e comércio local”.

O consultor faz outro alerta: “É preciso estar atento às suspensões de contratos e prorrogações nos recolhimentos de tributos e de todos os benefícios que foram viabilizados pelo governo, como nas linhas de crédito e nas Guias do Simples Nacional que tiveram prorrogação dos meses de março, abril, maio”.

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