CACHOEIRINHA

Comunidade pode opinar sobre o que deve ser feito com a ciclovia

Conclusão da obra para a finalidade de ser utilizada por ciclistas foi sepultada em audiência pública

Cachoeirinha – A polêmica ciclovia no canteiro central da avenida Flores da Cunha, um projeto do governo Miki Breier/Maurício Medeiros, não será concluída. O problema agora é o que fazer no trecho concretado. Uma audiência pública, realizada pela prefeitura na Câmara de Vereadores na noite desta quarta-feira (19), serviu para uma apresentação do que foi realizado no local e debate sobre o que poderá ser feito. A obra foi iniciada em dezembro de 2020, tinha um custo de R$ R$ 1.212.619,49 e previsão de ser concluída em seis meses.

O projeto não avançou por diversos problemas administrativos e falhas na execução. A gestão de Miki Breier/Maurício Medeiros não tinha feito sequer a previsão orçamentária. Já a empresa CPS Construção, Projeto e Sinalização, conforme relatórios de vistorias, cometeu falhas a execução não usando em alguns trechos, por exemplo, a malha de ferro antes de colocar o concreto sobre uma lona preta. Isso provocou rachaduras. Desníveis e camada muito fina de concreto em alguns trechos também foram constatados.

A ciclovia gerou muita polêmica na época pelo fato de o local não ser seguro e a prefeitura chegou a dizer que um gradil seria instalado. Além disso, apesar de não estar previsto no estudo contratado, árvores tiveram que ser arrancadas. “Não houve planejamento, não se tomou o cuidado de viabilizar a obra. Os primeiros a serem ouvidos deveriam ser os ciclistas. A impressão que a gente tem é que eles não foram ouvidos. Foi uma decisão de cima para baixo. Nos colocamos diante de um impasse: o que fazer com aquilo? Há uma preocupação de não errar de novo e isso passa pela audiência pública. Eu tenho a minha opinião … o meu entendimento é manter aquele cimento já colocado lá e trazer alguns acréscimos”, disse o vice-prefeito, João Paulo.


A retirada do concreto para o replantio de grama, conforme o vice-prefeito, teria um custo muito elevado. A diretora administrativa da Secretaria de Mobilidade, Ana Paula Santa Helena, trouxe na apresentação de tudo o que aconteceu na obra a sugestão de ser feito um embelezamento do canteiro central com jardins em concreto. Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Emerson Santos, a comunidade poderá dar suas sugestões até o dia 2 de maio por e-mail ([email protected]). A secretaria fará uma seleção e depois realizará uma consulta pública para a comunidade votar e escolher a melhor proposta.

O secretário destacou que manter a ciclovia no canteiro central é inviável. O custo de um gradil ficaria entre R$ 5 e R$ 6 milhões sem contar a sinalização e outras medidas necessárias. Além disso, ele lembrou que a Flores da Cunha é a terceira via mais movimentada do Estado e que uma ciclovia no canteiro central oferece riscos para os pedestres. Desde agosto do ano passado, já ocorreram três acidentes na avenida com os carros invadindo o canteiro. Postes foram arrancados e em um capotamento um homem perdeu as duas pernas.

“Quando se fala em ciclovia não se pensa só em lazer. Estamos falando também em segurança. Muitas vezes as pessoas estão pedalando por necessidade. Essa obra, ao nosso ver, equivocados, sem consulta popular, é cheia de problemas e erros. Hoje, a gente entende que não é viável ter a ciclovia. É necessário ter um projeto de ciclovia, mas não em um canteiro central, na terceira avenida mais movimentada do Estado”, ressaltou.

Representantes de grupos de ciclistas e outras pessoas defenderam durante a audiência a necessidade de uma ciclovia na Flores da Cunha. A ideia mais viável seria utilizar um trecho da calçada nas laterais da avenida. Como resolver isso é um assunto que será discutido nas próximas semanas. Na audiência ficou definido que será formada uma comissão com representação de ciclistas para que sejam analisadas as ideias e viabilidade, levando em conta a capacidade de investimento da prefeitura. O secretário de Mobilidade revelou que pediu para a Procuradoria-Geral do Município analisar como os responsáveis pela obra inacabada e em local inadequado poderão ser cobrados pelo que a prefeitura gastou, pouco mais de R$ 700 mil.

Clique aqui e veja as etapas do que aconteceu com o projeto da ciclovia

Confira abaixo, como foi a audiência:

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