Canos da Corsan em Cachoeirinha têm amianto, que causa câncer
Frente Parlamentar em Cachoeirinha foi lançada nesta quarta-feira (12) e vai investigar se população corre risco

Cachoeirinha – A presidente da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, lançou na noite desta quarta-feira (12) a Frente Parlamentar contra as Multas e Taxas Abusivas da Corsan. O assunto que causou mais preocupação, contudo, foi outro: os canos da Corsan em Cachoeirinha. Eles são de amianto crisotila, material considerado cancerígeno.
Havia uma discussão no Judiciário sobre a proibição ou não desde que o uso do amianto foi proibido em 2017. Em 2023, o STF encerrou o julgamento e determinou a proibição. O amianto crisotila vinha sendo utilizado em diversos materiais, como telhas e caixas d’água. Nos Estados Unidos, esse tipo de amianto foi proibido em 2024.
No lançamento da Frente Parlamentar, Jussara apresentou um pedaço de um cano recolhido de um conserto que a Corsan realizou na Avenida Brambila. A rede antiga da Corsan no Rio Grande do Sul, com pelo menos mais de 50 anos, é toda com tubos de amianto. Quem trabalhou com esse material tem direito a aposentadoria especial aos 20 anos de serviço.
O problema do amianto, conforme estudos incluídos em decisões judiciais, está na aspiração de suas fibras que podem causar lesões nos pulmões e outros órgãos. A exposição ao amianto pode causar câncer de pulmão, laringe, do trato digestivo e do ovário, entre outras doenças. Não há estudos que comprovem que a água que passa pelos canos causa algum tipo de doença, conforme o Instituto Brasileiro do Crisotila.
A Frente Parlamentar vai buscar informações sobre o percentual da rede antiga em Cachoeirinha que é de canos de amianto e saber se há algum planejamento para a substituição. Outro ponto que causa preocupação sobre esses canos são os constantes rompimentos. Eles causam falta de água frequente em diversos bairros, especialmente na Zona Norte.
Cobranças de taxas e multas abusivas
Depois dos canos da Corsan em Cachoeirinha, a Frente Parlamentar entrou na questão das multas e taxas consideradas abusivas. Algumas pessoas usaram o microfone para se manifestar e revelar multas elevadas e consideradas impagáveis. A Corsan, desde que a Aegea assumiu ao vencer o processo de privatização, vem sendo rigorosa.
As taxas e multas cobradas não são algo novo e existem há muito tempo. A diferença é que quando a empresa era uma estatal, não havia um rigorismo como hoje. Nas vistorias e fiscalizações que vem sendo realizadas, qualquer irregularidade constatada gera uma notificação e a pessoa paga para ser avisada. Depois, é multada havendo a comprovação de que ocorreu algo irregular, como violação de lacre ou ligação clandestina, entre outros motivos. E se no local for constatado que ocorreu uma ligação clandestina, há um cálculo para apurar o que a pessoa deixou de pagar e é emitida uma cobrança conforme o sistema tarifário.
O que vereadores disseram
O vereador Cléo Pereira destacou que ele e colegas parlamentares são cobrados diariamente por ações da Corsan. “Hoje [quarta] mesmo recebi moradores da rua João Dias com um panfleto.” O material era informativo sobre a ligação à rede de esgoto, cujo custo é de 70% do consumo de água.
Ele ainda revelou que reclamações em redes sociais dão conta da cobrança de R$ 1.000,00 por parte da Corsan. “O mesmo hidrômetro a gente encontra em ferragens por R$ 140,00”, revelou, salientando que a Corsan não dá respostas a questionamentos feitos. “Tem coisas que a gente pode interpretar de forma errada, então é importante eles estarem aqui [na Câmara] para a gente ter essa conversa.”
Outro problema são as valas abertas pela Corsan para a instalação da rede de esgoto. “A minha rua, por exemplo, a gente não sabe se caminha ou cai em um buraco. A Corsan não arrumou”, revelou a vereadora Claudine Silveira. Ela salientou que a empresa vem abrindo buracos pela cidade em vias que foram asfaltadas e não os fecha.
Empresa visa lucro, diz Mano
Já Mano do Parque acrescentou que a empresa visa o lucro e aumentou taxas e faz cobranças consideradas sem explicação. Um exemplo é o caso de uma pessoa que tem a água cortada. “Se passar um mês, vem a cobrança do esgoto. Então, são várias coisas que vão se acumulando”, disse. O vereador Gustavo Almansa destacou que “infelizmente a gente privatizou um serviço muito importante para a nossa cidade e ele piorou”.
Alguns moradores se manifestaram. Um deles revelou que a conta de água vinha com um valor em torno de R$ 200,00. A última saiu do normal e foi de R$ 426,00. Ele, então, revolveu calcular o que gasta um chuveiro e uma máquina de lavar para saber o que daria para fazer com 25 mil litros de água, que foi o que ele gastou, conforme a conta da Corsan.
“A Corsan falou que estava tudo certo naquela cobrança. Cobraram 25 mil litros, 25 metros [cúbicos]”, disse. O chuveiro dele gasta 4,8 litros por minuto. Um banho de 15 minutos, sairia 72 litros. Com os 25 mil litros daria para tomar 347 banhos. “Seria 11 banhos por dia”. Na casa moram três pessoas. Então, cada uma deveria tomar 3,66 banhos por dia.
Morador foi cobrado por 25 mil litros de água
Já os 25 mil litros na máquina de lavar roupas grande, que gasta 150 litros, daria para fazer 166 lavagens completas, ou seja, 5,5 lavagens por dia. “Eu tenho três pessoas lá em casa. Para gastar 25 mil litros, cada um na casa precisaria tomar 100 banhos no mês, três por dia de 10 minutos, e 66 lavagens com a máquina cheia”, destacou.
A Frente Parlamentar vai analisar quais medidas serão adotadas. Uma sugestão do vereador Mano do Parque foi a de ser seguido o que vem sendo feito em Passo Fundo. Lá há ações judiciais contra a Corsan/Aegea por cobranças abusivas e falta de água de iniciativa da Defensoria Pública e Procon. Há ainda uma ação popular questionando o termo aditivo assinado pela prefeitura com a empresa sem o aval da Câmara de Vereadores.
A reportagem procurou a prefeitura de Cachoeirinha e Corsan para se manifestarem sobre a previsão contratual da troca de tubulações de amianto. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. Caso respondam, o texto será atualizado.
Confira como foi o lançamento da Frente Parlamentar:




