Excesso de quebra-molas em Cachoeirinha atrapalha socorro do Samu e até trinca prédios
Vereador Paulinho da Farmácia conheceu a realidade enfrentada pelo Samu e mudou de opinião sobre os redutores de velocidade
Cachoeirinha – O excesso de quebra-molas em Cachoeirinha foi tema de debate na Sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira (9). Parlamentares relataram problemas causados pela grande quantidade de redutores de velocidade instalados em ruas da cidade, incluindo atrasos no atendimento do Samu, desconforto para pacientes em ambulâncias e até danos estruturais em prédios.
O assunto foi levado à Tribuna pelo vereador Paulinho da Farmácia (PDT), após visita à base do Samu, localizada ao lado da UBS Odil Silva de Oliveira. Segundo ele, profissionais da equipe de socorro relataram dificuldades enfrentadas diariamente devido ao número elevado de quebra-molas em alguns trajetos. “Eles nos relataram que, da base até a ponte, perdem quase cinco minutos por causa dos quebra-molas. Isso é uma vida”, afirmou o vereador.
Paulinho disse que a visita mudou a percepção que tinha sobre o tema. Segundo ele, muitos pedidos de instalação chegam aos vereadores a partir de reclamações de moradores, mas nem sempre são avaliados os impactos no trânsito e no atendimento de emergência. “Eu não tinha esse olhar. A gente solicita porque o povo pede, mas precisamos refletir mais sobre isso”, declarou, revelando que retirou expedientes pedindo a instalação desses dispositivos.
O parlamentar relatou ainda que acompanhou uma simulação feita pela equipe do Samu e ouviu da enfermeira Bruna que os solavancos provocados pelos redutores dificultam procedimentos de reanimação realizados dentro das ambulâncias. “Cada quebra-mola atrapalha o atendimento. Eu andei com eles e é muito desconfortável. A pessoa que não está doente acaba saindo dali passando mal”, afirmou.
Paulinho também defendeu uma discussão sobre valorização dos profissionais do Samu, sugerindo algum tipo de gratificação para motoristas das ambulâncias devido às condições enfrentadas diariamente.
A vereadora Claudine Silveira (PP) também se manifestou sobre o tema e relatou que apresentou, em abril, um pedido de retirada de um quebra-molas na Avenida Princesa Isabel após reclamação de moradores sobre danos estruturais em prédios próximos devido a frenagens, especialmente de caminhões. “Tem prédios com rachaduras pelo impacto dos caminhões na triplicação”, afirmou. Ela lembrou quando precisou usar muito ambulância com seu pai. “Na ambulância de UTI, qualquer trepidação a mais pode tirar a vida do paciente que está ali dentro.”
Apesar das críticas, Claudine ressaltou que não é contra os redutores de velocidade, mas defendeu maior planejamento na instalação dos equipamentos. “Os quebra-molas são importantes, infelizmente ainda falta conscientização no trânsito, mas isso precisa ser melhor estudado”, disse.
O presidente da Câmara, Gilson Stuart (Republicanos), também criticou a falta de critérios para instalação dos dispositivos. Ele citou como exemplo a Rua Eurípedes Aurélio da Silva afirmando que há seis quebra-molas em uma extensão considerada curta. “Nós não podemos transformar a cidade em um lugar com quebra-molas sem planejamento”, afirmou.
Segundo Gilson, há casos em que pedidos são feitos por moradores mesmo em ruas onde os veículos já trafegam em baixa velocidade. O vereador alertou para os impactos no deslocamento de ambulâncias e demais veículos de emergência. “Quando acontecer um sinistro na escola Castro Alves, por exemplo, como é que essa ambulância vai passar?”, questionou. O presidente da Câmara defendeu mais controle técnico e estudos antes da aprovação de novos pedidos de instalação de redutores de velocidade.
Quando a instalação de quebra-molas é permitida
A Resolução 600/2016 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece regras rígidas para a instalação de quebra-molas, chamados tecnicamente de ondulações transversais, em vias públicas. A norma determina que os dispositivos só podem ser implantados quando houver estudo técnico comprovando risco de acidentes causado pelo excesso de velocidade e quando outras medidas de trânsito forem consideradas ineficazes. A resolução também proíbe o uso de tachões, tachas e dispositivos semelhantes instalados transversalmente nas vias.
Pelas regras, a instalação depende de autorização expressa da autoridade de trânsito responsável pela via. O Contran define dois tipos de quebra-molas: o Tipo A, para redução da velocidade para até 30 km/h, permitido em vias locais, coletoras e em trechos urbanizados de rodovias; e o Tipo B, mais restritivo, destinado apenas a vias locais sem circulação de ônibus, com redução de velocidade para até 20 km/h.
A norma estabelece ainda uma série de exigências técnicas. O quebra-molas não pode ser instalado em locais com curvas, baixa visibilidade, pavimento em más condições, entradas de garagem, rampas de acessibilidade ou em vias com inclinação acentuada, salvo justificativa técnica.
Outra exigência é a sinalização obrigatória. Os dispositivos devem ter placas indicando a redução de velocidade, placas de advertência e pintura específica na pista para alertar os motoristas.
A resolução também determina distância mínima entre quebra-molas sucessivos e prevê que os órgãos de trânsito façam avaliação técnica após um ano da instalação para verificar se o equipamento realmente trouxe resultados na redução de acidentes.
O texto ainda prevê que quebra-molas instalados de forma irregular ou clandestina devem ser removidos imediatamente pelo órgão responsável pela via. Segundo o Contran, todos os estudos técnicos que justificam a instalação precisam estar disponíveis para consulta pública.




