POLÍTICA

Governo Cristian deixou cidade desprotegida contra as cheias e soluções serão debatidas quinta

Audiência Pública aberta à comunidade será realizada na Câmara de Vereadores a partir das 17h30min

Cachoeirinha – Com os modelos climáticos apontando para um El Niño potencialmente intenso a extremo, Cachoeirinha corre atrás de encontrar soluções paliativas para se preparar. Enquanto Porto Alegre, Canoas e Gravataí executam projetos contra as cheias com recursos do Fundo Rio Grande, Cachoeirinha não tem nenhum. A responsabilidade é do governo do prefeito cassado Cristian Wasem, conforme afirma a atual gestão da Prefeitura e representantes de moradores vítimas da enchente de 2024.

Na próxima quinta-feira (11) às 17h30min, na Câmara de Vereadores, a Frente Parlamentar de Prevenção de Enchentes e Eventos Climáticos, proposta pelo vereador Tiago Eli, vai se reunir para debater o tema. Por enquanto, o que está em andamento é o hidrojateamento e um trabalho do Governo Jussara para conseguir recursos para a recuperação das casas de bombas, elevação do dique e proteção da área do Parque da Matriz.

Há ainda outro já avançado viabilizado por uma emenda da deputada federal Maria do Rosário (PT). É o único projeto de preparação da cidade e vem sendo realizado por especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O Projeto de Fortalecimento da Resiliência Territorial aos Riscos Hidrológicos trata de um levantamento de áreas de riscos, criação de sistemas de alerta e orientações para a população sobre o que fazer quando as águas começarem a entrar em suas casas.

O Governo Cristian chegou a enviar pedido cerca de R$ 140 milhões para ser avaliado pela comissão responsável pelo Plano Rio Grande. Os projetos, contudo, não puderam avançar diante da precariedade e falta de informações. Apesar de ser cobrado pela Secretaria de Reconstrução Gaúcha para as correções, nada foi feito. Havia, conforme um integrante do núcleo duro do governo passado confidenciou à reportagem, o chamado “se colar, colou”.


Acontecia o seguinte: os projetos, além de incompletos, eram apresentados em desacordo com as exigências e pediam recursos até mesmo para o que não poderia ser executado. Os recursos do Plano Rio Grande são para a recuperação de estruturas existentes e o Governo Cristian, por exemplo, queria construir uma casa de bombas no Parque da Matriz.

O “se colar, colou” também foi aplicado pela gestão passada no projeto do Passinhos. Havia recursos da União para recuperar a estrutura existente e foi enviado um projeto pedindo algo além disso. A União acabou cedendo depois de meses de negociação.

O Governo Jussara vem trabalhando para tentar corrigir os estragos deixados pelo Governo Cristian com pressão da comissão de vítimas da enchente. E estudando como obter recursos para a proteção do Parque da Matriz e outras regiões da cidade. A Secretaria de Defesa Civil e Resiliência Climática foi criada e 10 servidores serão contratados.

No segundo semestre do ano passado, o governo passado tentava obter recursos do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB). O então prefeito, Cristian Wasem, acompanhado do secretário de Planejamento, Paulo Garcia, chegou a ir à China em um evento sem necessidade. Cachoeirinha queria um financiamento de U$ 70,51 milhões e o secretário tinha dificuldades para explicar questionamentos feitos pela reportagem, se irritando. Na China, ele chegou a publicar um story no Instagram dizendo que a viagem era o auge da carreira. Nos últimos meses do ano, já na agonia da cassação, o financiamento se esvaziou e não foi revelado se entre os motivos estava a precariedade de projetos.

Neste financiamento estavam previstas obras no Parque da Matriz, que poderiam ser feitas caso houvesse um projeto feito da forma correta e encaminhado para a União, que tem recursos para investimentos novos de proteção contra as cheias.

O que Cachoeirinha tem de certo até o momento em novos investimentos, e porque não dependeu do governo passado, é a ampliação do dique da ponte até Canoas. A obra é de responsabilidade do Estado que faz a gestão de recursos da União. A previsão é de que ela inicia em 2028 com conclusão prevista para 2032.

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