Caminhada pela conscientização do autismo reúne centenas de pessoas
A ideia foi chamar a atenção para a importância da inclusão social e do diagnóstico preventivo de crianças autistas
Cachoeirinha – Aproximadamente 300 pessoas vestidas de azul, cor símbolo do autismo, se reuniram no Shopping do Vale para uma caminhada pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado neste domingo (2). A ideia foi chamar a atenção para a importância da inclusão social e do diagnóstico preventivo de crianças autistas.
A concentração começou 14 horas no estacionamento do Shopping do Vale. Com faixas com temas como “Inclusão, Realidade Social e Autismo” e balões, os participantes que estavam vestidos de azul saíram em caminhada até o Parcão para conscientizar a sociedade para que todos passem a ter um olhar mais atento ao assunto.
Essa foi a primeira Caminhada Azul promovida pela Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Cachoeirinha e envolveu a comunidade, voluntários, profissionais de saúde e familiares. A presidente da Pais e Amor, Cátia Medeiros, destacou que a conscientização é importante. “A motivação maior da organização é a demanda pela inclusão das pessoas diagnosticadas com TEA. É um evento para unir famílias, pais e toda a sociedade em favor dessa causa. Nossos filhos são cidadãos, têm direitos e têm condições de participar da sociedade como outras crianças. Nós queremos uma inclusão real. Eles são capazes de ir às escolas regulares, de crescer saudáveis, ir ao shopping, ao cinema e a qualquer lugar”.
O vice-prefeito, João Paulo, também esteve presente na caminhada e destacou a importância da união de esforços entre o poder público e a sociedade civil para a garantia dos direitos dos autistas. “Precisamos trabalhar juntos para garantir que as pessoas com autismo tenham acesso aos serviços públicos e sejam respeitadas em sua condição”. A caminhada foi acompanhada pelos Guarda de Trânsito .
Pedágio Azul

Os voluntários da Liga Heroica e a Turma do Chaves
Após o termino da caminhada, os voluntários da Liga Heroica e a Turma do Chaves realizaram o Pedágio Azul, onde os personagens dos seriados e desenhos animados distribuíram materiais informativos sobre o autismo e arrecadaram donativos para serem destinados para conclusão da sede da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Cachoeirinha. O voluntário Cleber Vieira, que deu vida ao personagem Chaves, destacou a importância da união de forças em favor das ações que beneficiem os autistas e seus familiares. “É muito gratificante poder estar sempre ajudando a todos os autistas e seus familiares. Ver a alegria deles me fortalece e me dá força para seguir sempre ajudando”.
2 de Abril

Essa data foi escolhida pela ONU com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O autismo é resultado de alterações físicas e funcionais do cérebro e está relacionado ao desenvolvimento motor, da linguagem e comportamental.
O TEA afeta o comportamento da criança. Os primeiros sinais podem ser notados em bebês nos primeiros meses de vida. No geral, uma criança com transtorno do espectro autista pode apresentar os seguintes sinais:
- Dificuldade para interagir socialmente, como manter o contato visual, identificar expressões faciais e compreender gestos comunicativos, expressar as próprias emoções e fazer amigos
- Dificuldade na comunicação, caracterizado por uso repetitivo da linguagem e dificuldade para iniciar e manter um diálogo
- Alterações comportamentais, como manias, apego excessivo a rotinas, ações repetitivas, interesse intenso em coisas específicas e dificuldade de imaginação
Diagnóstico
O diagnóstico de TEA é essencialmente clínico, feito a partir das observações da criança, entrevistas com os pais e aplicação de instrumentos específicos. Instrumentos de vigilância do desenvolvimento infantil são sensíveis para detecção de alterações sugestivas de TEA, devendo ser devidamente aplicados durante as consultas de puericultura na Atenção Primária à Saúde. O relato/queixa da família acerca de alterações no desenvolvimento ou comportamento da criança tem correlação positiva com confirmação diagnóstica posterior, por isso, valorizar o relato/queixa da família é fundamental durante o atendimento da criança.
Manifestações agudas podem ocorrer e, frequentemente, o que é observado são sintomas de agitação e/ou agressividade, podendo haver auto ou heteroagressividade. Estas manifestações ocorrem por diversos motivos, como dificuldade em comunicar algo que gostaria, alguma dor, algum incômodo sensorial, entre outros. Nestes momentos é fundamental os pais e cuidadores compreenderem o motivo dos comportamentos que estão observando, para então propor estratégias que possam ser efetivas. Dentre os procedimentos possíveis temos: estratégias comportamentais de modificação do comportamento, uso de comunicação suplementar e/ou alternativa como apoio para compreensão/ expressão, estratégias sensoriais, e, também, procedimentos mais invasivos, como contenção física e mecânica, medicações e, em algumas situações, intervenções em unidades de urgência / emergência.
O TEA não tem cura, mas o diagnóstico precoce permite o desenvolvimento de práticas para estimular a independência e a promoção de qualidade de vida e acessibilidade para essas crianças.

