Câmara de Cachoeirinha aprova Frente Parlamentar contra pedágio na RS-118

A primeira aprovação de uma frente nascida na oposição aconteceu após a operação do Ministério Público na Prefeitura
Cachoeirinha – Se na semana passada o bloco governista chegou a criar obstáculos para votar a criação da Frente Parlamentar contra o pedágio na RS-118, com o Líder do Governo, Gelson Braga, chegando a retirar sua assinatura do regime de urgência no projeto, nesta terça-feira (1) o quadro mudou completamente.
Constrangidos depois da operação do Ministério Público na Prefeitura em investigação de possíveis irregularidade no contrato com a SKM Empreendimentos, responsável pela limpeza urbana, vereadores da base foram unânimes em defender a criação da Frente. Foi a primeira nascida na oposição a ser aprovada sem qualquer objeção ou confusão como aconteceu na semana passada.
Bastou o autor do projeto, Marco Barbosa, pedir assinaturas para conseguir rapidamente a concordância de líderes de bancadas. Não há ainda uma definição se o Governo do Estado vai incluir a rodovia duplicada após um investimento de R$ 400 milhões no pacote de concessões em estudo. Apesar disso, iniciativas como a de Cachoeirinha estão sendo adotadas por Legislativos de diversos municípios da região metropolitana.
Barbosa destacou que uma praça de pedágio entre Sapucaia do Sul e Gravataí vai penalizar sete municípios diretamente dificultando a mobilidade e trazendo prejuízos econômicos para inúmeras empresas. Além disso, acrescentou, a população vai pagar novamente por uma obra que levou 20 anos e teve um custo elevado.
A Associação Comercial de Cachoeirinha (ACC) e diretores da Federasul vão integrar o movimento e chegaram a conversar com os vereadores na semana passada pedindo apoio para a aprovação da Frente Parlamentar por ser um instrumento importante de pressão política.
O vereador Fernando Medeiros lembrou de um protesto realizado já dois anos pela conclusão da duplicação da rodovia para dizer não ser aceitável o Governo do Estado entregar a RS-118 para a iniciativa privada depois de um gasto de milhões de reais.
Ele argumentou que o custo de um pedágio não seria suportado por orçamentos familiares de quem precisa utilizar a RS-118, citando como exemplo um estudante da Unisinos que se desloque diariamente. “Vamos imaginar R$ 5,00 de pedágio. Daria R$ 200,00 por mês. Há espaço nos orçamentos familiares para absorver mais esse gasto.”
Otoniel Gomes lembrou que a manutenção de estradas está prevista em impostos, como o IPVA. Para Deoclécio Mello, a criação da frente vai trazer os mesmos benefícios como a que lutou pela transferência do pedágio da freeway.
Já Brinaldo Mesquita comentou que se um pedágio foi instalado haverá muitos desvios por ruas não preparadas para um grande fluxo e tráfego de caminhões com cargas pesadas, trazendo transtornos para milhares de pessoas.
David Almansa, Felisberto Xavier e Gilson Stuart, entre outros parlamentares, também utilizaram o espaço de debates para se posicionarem contra o pedagiamento. Nelson Martini aproveitou para elogiar os vereadores que “pela primeira vez estavam se colocando no lugar da população”. O comentário foi claramente sobre o posicionamento da base que segue orientações do Governo, mas neste caso apoiou a iniciativa de Barbosa.




