CACHOEIRINHA

Cachoeirinha tem sete casos suspeitos de leptospirose

Quem teve contato com a água da enchente e tiver febre alta e dores musculares, deve procurar atendimento médico com urgência

Cachoeirinha – Devido às enchentes no Estado do Rio Grande do Sul, a leptospirose, uma doença bacteriana transmitida pela urina de roedores e outros animais, apresenta riscos amplificados durante inundações e em áreas com saneamento precário.

Diante da situação de alerta, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através do Setor de Vigilância  Epidemiológica, informa sobre os cuidados e tratamentos necessários para essa doença. As pessoas sintomáticas estão sendo atendidas na rede de saúde, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.

Até esta quarta-feira (15), não foram confirmados laboratorialmente casos de leptospirose em Cachoeirinha, mas sete casos estão em investigação. Não existe uma vacina para uso humano contra a leptospirose e o tratamento envolve a administração de antibióticos, conforme avaliação médica.

É essencial que a população esteja atenta aos sintomas da leptospirose, especialmente aqueles que sofreram ferimentos e foram expostos à água das enchentes por um período superior a três horas. Indivíduos que apresentarem sintomas, como febre alta e dores musculares, devem procurar atendimento médico imediatamente. A identificação precoce dos sinais de alerta, a realização de exames diagnósticos adequados e a instituição de tratamento oportuno são fundamentais para o manejo eficaz da leptospirose e a prevenção de complicações graves.

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que é transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira; sua penetração ocorre a partir da pele com lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou por meio de mucosas. O período de incubação, ou seja, intervalo de tempo entre a transmissão da infecção até o início das manifestações dos sinais e sintomas, pode variar de 1 a 30 dias e normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a situações de risco.

As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e subclínicas até quadros graves, associados a manifestações fulminantes. São divididas em duas fases: fase precoce e fase tardia.

 Os principais da fase precoce são:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular, principalmente nas panturrilhas
  • Falta de apetite
  • Náuseas/vômitos

Podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular, tosse; mais raramente podem manifestar exantema, aumento do fígado e/ou baço, aumento de linfonodos e sufusão conjuntival.

Em aproximadamente 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a evolução para manifestações clínicas graves, que normalmente iniciam-se após a primeira semana de doença. Nas formas graves, a manifestação clássica da leptospirose é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia (tonalidade alaranjada muito intensa – icterícia rubínica), insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar. Pode haver necessidade de internação hospitalar.

Manifestações na fase tardia:

  • Síndrome de Weil – tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias
  • Síndrome de hemorragia pulmonar – lesão pulmonar aguda e sangramento maciço
  • Comprometimento pulmonar – tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica
  • Síndrome da angustia respiratória aguda – SARA
  • Manifestações hemorrágicas – pulmonar, pele, mucosas, órgãos e sistema nervoso central

Prevenção contra a leptospirose

Cuidados com a água para consumo humano Garantia da utilização de água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo humano, haja vista serem comuns quebras na canalização durante as enchentes.

A lama de enchentes tem alto poder infectante e adere a móveis, paredes e chão. Recomenda-se retirar essa lama (sempre com a proteção de luvas e botas de borracha) e lavar o local, desinfetando-o a seguir com uma solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, na seguinte proporção: para 20 litros de água, adicionar duas xícaras de chá (400mL) de hipoclorito de sódio a 2,5%. Aplicar essa solução nos locais contaminados com lama, deixando agir por 15 minutos.

Evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).

*com informações da secretaria da Saúde de Cachoeirinha e Ministério da Saúde

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