Blogueiros coagem e intimidam para fazer fake news do Hospital de Campanha, diz médico - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Diretor médico prestou depoimento nesta terça - Foto: Reprodução

Blogueiros coagem e intimidam para fazer fake news do Hospital de Campanha, diz médico

Revelação do diretor médico do Hospital de Campanha ocorreu na manhã desta terça-feira (10) durante depoimento em CPI na Câmara de Vereadores

Cachoeirinha – Profissionais que atuam ou atuaram no Hospital de Campanha de Cachoeirinha estão sendo coagidos e intimidados por blogueiros interessados na divulgação de fake news, notícias distorcidas e sensacionalismo. A revelação aconteceu na manhã desta terça-feira (10) durante reunião da CPI que investiga possíveis irregularidades na montagem da estrutura no Ginásio da Fátima. O diretor médico do HC, Cristian Quadros Chaves, prestou depoimento por quase 25 minutos revelando detalhes sobre equipamentos e o vem acontecendo durante a campanha eleitoral.

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O relator da CPI, Joaquim Fortunato, pediu ao médico para fazer um relato sobre o funcionamento do hospital e casos apresentados por ativistas de redes sociais em forma de denúncias de irregularidades em procedimentos. “Quero deixar claro que nenhuma das coisas que eu escutei até agora é verdade”, disse o médico que passou a ser o responsável técnico em setembro.

“Eu não trabalhava só em Cachoeirinha. Eu trabalhava em UTI e outros locais. Como a gente trabalha em muitos lugares eu até tive oportunidade de perguntar para muitos colegas que trabalham em outros hospitais de campanha e eu tive o prazer de escutar que o nosso é o que tem o melhor estrutura entre todos da região metropolitana. A gente tem condições de fazer um eletrocardiograma, fazer uma oximetria. Com relação aos respiradores, que é um ponto crucial, hoje eu posso dizer que tenho 10, todos funcionando, sendo que neste momento [Hoje, terça] tem um paciente internado, sem estar intubado. Se ele estivesse conectado a um respirador e ele tivesse algum problema, eu tenho mais nove para substituir. Essa situação não é agora que está acontecendo. Desde o início do hospital de campanha sempre se teve mais equipamentos do que pacientes internados”, afirmou.

Chaves fez um relato, sem citar nomes, sobre o episódio apresentado em redes sociais por um ativista e pela vereador Jacqueline Ritter insinuando um possível óbito por causa da falta de energia elétrica. O médico explicou que ele e um colega, que estavam de plantão, sequer chegaram a usar um respirador porque o paciente morreu antes por complicações que eles não conseguiram contornar.

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“O paciente foi a óbito tipo 1h30min da manhã e a dita falta de luz aconteceu às 4 horas da manhã. É o tipo de coisa que vem para fora, criam fake news e ainda foram dizer que por falta de equipamento, ao contrário, nós nem precisamos de equipamento … até para ajudar a esclarecer a população, todos os equipamentos, inclusive os básicos, eles têm uma carga semelhante como se fosse um celular. Ele tem bateria interna. Mesmo se faltasse luz, isso não nos comprometeria, porque ele já tem uma bateria interna. E ainda tem os geradores para dar esse suporte. Qualquer hospital tem geradores justamente prevendo intercorrências como essa”, explicou.

Joaquim entrou no assunto de uma suposta conversa entre médicos que ativistas de redes sociais e apoiadores de um candidato a prefeito divulgaram, sem citar nomes, dando conta de falhas nos respiradores e possíveis mortes em decorrência disso. “Infelizmente a gente sabe que está passando por um momento complicado, é um momento eleitoral com muitos interesses envolvidos de lado a lado e muito dessas fake news que surgem, surgem com essas intenções políticas”, disse o diretor médico.

Ele continuou: “A UPA, hospital de campanha, ou qualquer lugar que tenha profissionais trabalhando, a gente tem os bons e maus profissionais. A gente, naturalmente, acaba filtrando isso, tirando esses profissionais que tem uma má conduta. Eu imagino que muitas dessas coisas que chegaram a alguns blogs, chegou por meio desses profissionais que lá estiveram por algum momento e que nós tiramos por má conduta e por algumas questões que até não vem ao caso e que cabe a nós filtrar o que acha que não está certo.”

Neste ponto do depoimento, Chaves afirmou que tem recebido de colegas de trabalho prints e áudios de whatsapp de pessoas em busca de informações para serem utilizadas de forma sensacionalista. Tive caso de colega que passou áudio de blogs, de blogueiros, de pessoas assediando colegas para que o colega falasse coisas ou dissesse alguma informação que essa pessoa pudesse usar para alimentar as ditas fake news, enfim, para usar de forma política com interesses secundários. Acima de tudo não é um trabalho em benefício da população. Nós lá estamos lutando todos os dias em prol da população, mas pessoas assim não estão. Estão assediando profissionais que estão lá dentro e que estão se sentindo intimidados … então, estão se sentindo coagidos a falar coisas que a gente sabe que a pessoa que está perguntando está tentando pegar aquela outra pessoa na palavra para usar aquilo ali para fazer sensacionalismo para tentar justificar coisa que criou”, ressaltou.

O depoimento do diretor técnico do HC

A divulgação de notícias falsas ou distorcidas, segundo Chaves, acaba criando muitas dificuldades para a busca de profissionais qualificados para atuarem em Cachoeirinha. Ele contou que depois do episódio falso de uma possível morte por conta da falta de energia, o colega médico, o neurocirurgião, não quis mais fazer plantões. Ele sustentou que as mentiras divulgadas em redes sociais acabam se espalhando e médicos ouvem uma versão que torna difícil contratar alguém.

“Tem colega de Novo Hamburgo que está escutando falar de Cachoeirinha algo que não é verdade, mas chegou nele de uma forma distorcida. Eu tento trazer esse colega e eu não consigo ou eu sofro muito para captar esses profissionais. Esse neurocirurgião que aquela noite fez plantão comigo e que teve aquela situação do blog, esse nunca mais fez plantão comigo no Hospital de Campanha e nunca me explicou porque e talvez muito por causa de coisas que se falam. Quem sofre é a população que não sabe disso”, disse, salientando que mentiras e informações distorcidas afastam médicos e provocam falhas em plantões prejudicando a população.

O presidente da CPI, Fernando Medeiros, ainda sobre a suposta conversa de whatsapp divulgada por ativista de rede social, questionou Chaves sobre o suposto diálogo em que um paciente teria sido conectado a um respirador e teve uma queda na saturação de oxigênio para 55%.

“Um dos fatores que faz aqueles colegas que trabalham em outros hospital de campanha elogiar é que nós temos uma equipe multidisciplinar, que não se tem em muitos lugares. Temos técnico de enfermagem, enfermeiro, farmacêutico e o próprio médico. Isso nos ajuda muito. Quem mais entende dos respiradores são os fisioterapeutas. Eles entendem mais do que nós. Nós somos os executores, digamos assim. A gente vai lá, intuba o paciente, conecta no respirador, mas quem entende do respirador é o fisioterapeuta. Eu fiquei sabendo dessa história do paciente que baixou a saturação. O funcionamento ali é basicamente assim. Se eu intubar um paciente e tiver que levar para o respirador, esse paciente não vai diretamente para o respirador, para a máquina. A gente fica ventilando o paciente com aquele equipamento que a gente chama de ambu. Por isso que a gente fala que a gente fica “ambusando” o paciente. A gente fica ventilando ele de forma manual até que o respirador esteja pronto”, explicou.

No caso de o respirador apresentar alguma falha, como não conseguir mandar o oxigênio suficiente para os pulmões do paciente, medidas são tomadas. Chavez disse que a equipe não fica parada olhando para o respirador. O equipamento, detalhou o médico, possui alarmes para informar quando algo está errado. E se estiver, o paciente é desconectado e passa para a ventilação manual até que seja verificado a possível falha. Se não for possível resolver, há outros respiradores no Hospital de Campanha e sempre teve sobra porque nunca a UTI esteve lotada. Ele ainda destacou que todos os equipamentos possuem laudos técnicos e passam por vistorias.

A CPI seguirá na próxima semana o trabalho de ouvir pessoas que possam trazer informações para elucidar se houve ou não alguma irregularidade administrativa na montagem da estrutura como o Tribunal de Contas do Estado apontou em inspeção. O prazo para a apresentação do relatório final encerra na primeira quinzena de dezembro.

ATUALIZADO – 10/11/2020 – 17h30min – Correção sobre a grafia de “intubar”. O correto é com “i” e não com “e” como publicado. Com “e” significa “dar forma de tubo”.

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