Banco Vermelho é inaugurado no Fórum e recebe pedido de ajuda minutos depois
O Fórum de Cachoeirinha recebeu, no início da tarde desta terça-feira (15), a instalação do terceiro Banco Vermelho
Cachoeirinha – O Banco Vermelho instalado em frente ao Fórum de Cachoeirinha recebeu, poucos minutos após a inauguração, o primeiro pedido de ajuda. Uma mulher de 62 anos, moradora do bairro Granja Esperança, se aproximou do local durante o encerramento da solenidade e contou que sofre violência e perseguição do ex-companheiro desde 2011. Ela havia ido ao Fórum em busca de atendimento.
A mulher perguntou à presidente da Subseção da OAB de Cachoeirinha, advogada Flávia Casotti, qual era o significado do banco. Ao saber que o espaço é destinado à conscientização e ao acolhimento de mulheres vítimas de violência, sentou-se no banco, emocionada, e começou a relatar o que vinha enfrentando.
Segundo ela, ao longo dos últimos anos, foram registrados episódios de violência psicológica, agressões, perseguições e ameaças de morte. A mulher afirmou ainda que chegou a ser ameaçada com uma motosserra e uma arma e que o ex-companheiro teria dito que outras pessoas dariam “um fim” nela. “Ele chegou a me ameaçar com uma motosserra, com arma e disse que os comparsas dele iam me dar um fim. Depois de anos de perseguição e violência psicológica, desencadeei o pânico. Desde então, quando preciso falar sobre esse assunto, tenho crises de pânico”, relatou.
Emocionada, a mulher também falou sobre a dificuldade de romper um relacionamento marcado pela violência e sobre as consequências de ter retomado a relação após uma primeira separação.“É muito difícil se separar, mas, quando tomamos essa decisão, não podemos voltar atrás. Eu fiz isso, caí no canto do vigário e até me arrependo, mas arco com as consequências”, afirmou.
No momento em que procurou ajuda, ela buscava atendimento jurídico na Defensoria Pública. O relato ocorreu diante de autoridades e representantes de instituições que participavam da inauguração do banco.
Terceiro Banco Vermelho de Cachoeirinha
O Fórum de Cachoeirinha recebeu, no início da tarde desta terça-feira (15), a instalação do terceiro Banco Vermelho do município. A estrutura é um símbolo da campanha nacional de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A iniciativa prevê a instalação de bancos vermelhos em espaços públicos, com mensagens de conscientização sobre o feminicídio e outras formas de violência, além de informações para orientar mulheres sobre canais de emergência, denúncia e atendimento.

O primeiro Banco Vermelho de Cachoeirinha foi instalado em frente à Prefeitura Municipal. O segundo fica junto ao prédio da Secretaria da Mulher, na Rua Clóvis Pestana. O terceiro está localizado em frente ao Fórum, na Rua Manatá, 560, no Jardim Colinas. Um quarto banco deverá ser instalado no Parcão.A solenidade reuniu servidores e autoridades do Poder Judiciário, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Cachoeirinha, autoridades municipais e moradores.
A secretária da Mulher, Pricila Barra, afirmou que a instalação de mais um banco representa o compromisso do município com o enfrentamento à violência contra as mulheres. “Eu gostaria de assumir um compromisso com todos que estão aqui presentes: que este banco seja um espaço para lembrarmos das mulheres que perderam a vida, mas também um lugar de reflexão e autocompaixão. E, quando identificarmos sinais de violência, que tenhamos o compromisso de não virar as costas para essas mulheres. Que saibamos acolhê-las sem julgamentos, oferecendo apoio e sendo um porto seguro para elas”, afirmou.
A diretora do Foro de Cachoeirinha, Juíza Tatiana Martins, destacou o caráter simbólico da instalação e defendeu a participação conjunta das instituições no combate à violência doméstica e familiar.“Como juíza e diretora do Foro, fico muito honrada em participar deste ato simbólico de entrega do Banco Vermelho. Este banco representa uma luta, um compromisso de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. E todos nós devemos nos unir, tanto as autoridades civis quanto as autoridades públicas, para construirmos um ambiente em que a mulher se sinta protegida.
A violência doméstica é um assunto muito sensível na sociedade e não pode ser tratada apenas como uma questão do âmbito privado. É uma questão de justiça social e, por isso, uma responsabilidade de todos nós”, afirmou.
A prefeita Jussara Caçapava ressaltou a importância da atuação conjunta entre os órgãos públicos e citou medidas adotadas pelo município na área de segurança. “Quero saudar a juíza Tatiana e agradecer pela cedência deste espaço. É somente com essa união que conseguimos estender a mão às mulheres e oferecer o acolhimento que elas precisam. Este banco representa todas as mulheres de Cachoeirinha e também do Rio Grande do Sul”, afirmou.
A prefeita também mencionou a instalação de totens de segurança no Parcão e em 17 escolas, equipamentos que permitem o acionamento da Guarda Municipal. “Nossa gestão está empenhada em criar mecanismos de proteção. São ações que demonstram nossa preocupação em amparar e proteger as mulheres”, disse.
Jussara ainda afirmou que o município trabalha pela elevação de Entrância do Judiciário e declarou que pretende manter o diálogo com as mulheres.“Quero dizer a todas as mulheres que estou de portas abertas para o diálogo e o acolhimento. Contem comigo. Tenho muita garra e coragem para enfrentar os desafios e lutar por uma cidade onde todas possam se sentir protegidas”, concluiu.





