POLÍTICA

Almansa descobre porque prefeitura não conseguiu recursos da enchente

Projetos foram apresentados prevendo obras além do que foi destruído

Cachoeirinha – O ex-vereador e ex-candidato a prefeito, David Almansa, hoje diretor do Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática do Governo Federal, em Brasília, descobriu porque a prefeitura de Cachoeirinha não conseguiu recursos da União para enfrentar as consequências das enchentes. O problema está em erros nos projetos. Segundo ele, os recursos destinados pela Defesa Civil nacional eram para a reconstrução do que foi destruído pela enchente e não para

A prefeitura de Cachoeirinha apresentou projetos prevendo investimentos para além da reconstrução. Esse foi o caso, por exemplo, do Arroio Passinhos. Almansa explica que dinheiro sempre houve e bastava a prefeitura ter apresentado os projetos para refazer o que foi destruído pelas águas. “Sempre teve recurso disponível e nunca apresentaram os projetos [adequados] e ninguém viu [os projetos]. Há falta de transparência”, afirma.

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Na Câmara, vereadores da base governista, jogam a responsabilidade pela não execução de projetos sobre a União por ela não aprovar o que foi encaminhado. O vereador Cleo do Onze chegou a mostrar folhas de papel na Tribuna onde estavam os projetos que foram apresentados. Mas nunca houve um detalhamento. A bancada do PT chegou a apresentar um pedido de informações na Câmara para saber quais são os projetos e não recebeu resposta da prefeitura.

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“A prefeitura fez mal os pedidos”, afirma Almansa, revelando o exemplo de uma solicitação de recursos para repavimentar um trecho de uma rua no final do Parque da Matriz. Os técnicos da União foram verificar e descobriram que a rua nunca teve asfalto. “Ela é de terra e o recurso é para reconstrução. Não tem o que reconstruir e por isso não foi aprovado”, explica.

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Financiamento internacional

Almansa comenta ainda que ficou assustado com a decisão da prefeitura de fazer um financiamento de US$ 78 milhões com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB). “Fiquei muito assustado. É uma quantia volumosa e em dólar, que tem muita volatividade”, afirma, salientando que investir no dique atual com recursos de financiamento não faz sentido. “Tem R$ 6 bilhões do fundo do Estado para o sistema de proteção. Então, por que que a prefeitura vai se endividar, endividar os cofres públicos se ela tem o direito de acessar os R$ 6 bilhões para a reconstrução?”

Outro projeto previsto no financiamento é de uma estrada municipal que a prefeitura denominou de RS-010 e que poderá ser o primeiro trecho da rodovia. “Aí a prefeitura apresenta dentro do projeto a construção de um trecho de uma estrada estadual que há 40 anos nunca saiu do papel. Qual é o sentido do município tomar para si a responsabilidade de construir uma estrada que nunca saiu do papel e que que a previsão dela era ligar a Sapiranga? Um trecho para ligar o quê ao quê? Aí eu pergunto assim, bom, nesse mesmo trecho, inclusive, um dos debates que eu participei ativamente era que o traçado obriga o despejo de pessoas do próprio Jardim Conquista. Quer dizer que então que tu vai fazer uma estrada sem lógica, mas você não pega dinheiro para construir uma moradia digna para essas pessoas que moram em condição precária. Então, é uma lógica pavimentista completamente sem noção, na minha opinião, que dialoga só com o setor econômico da cidade e não com os problemas reais”, critica.

O que diz a prefeitura

O secretário de Planejamento, Paulo Garcia, explica que “tudo que a prefeitura buscou junto ao Governo Federal tem uma relação de maneira direta com o evento climático”. Garcia reconhece que a prefeitura fez pedidos de recursos para investimentos que não se enquadravam na reconstrução. “A prefeitura queria fazer melhorias. E aí a verba disponível não era para melhorias e sim para reconstruir”, diz, salientando que o compromisso do Governo Cristian é trazer melhorias para a população. As melhorias, em diversas áreas, vão avançar, conforme o secretário, com o financiamento internacional do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB).

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