“Você pode tudo, menos desistir”: Sala Lilás reforça proteção às mulheres em Cachoeirinha
Espaço da Patrulha Maria da Penha do 26º BPM foi reformado para oferecer acolhimento, privacidade e acompanhamento às vítimas de violência
Cachoeirinha – Uma frase simples ganhou lugar de destaque na parede da Sala Lilás da Patrulha Maria da Penha do 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Cachoeirinha: “Você pode tudo, menos desistir.” A mensagem resume o propósito de um espaço que acaba de ser reformado e reestruturado para receber mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
A nova Sala Lilás foi entregue na sexta-feira (4) e começou a funcionar nesta segunda-feira (7), na sede do 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na avenida Flores da Cunha, no Parque da Matriz . Conforme a Brigada Militar, o ambiente recebeu melhorias na estrutura e novos equipamentos para proporcionar mais privacidade e melhores condições de atendimento às mulheres acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha.
A mudança ocorre em um momento em que o município busca fortalecer as ações de prevenção e proteção às mulheres. A proposta é que, ao procurar ajuda, a vítima encontre mais do que uma resposta policial: encontre um local onde possa ser ouvida, orientada e acolhida.
Um espaço para quem muitas vezes chega com medo
Para muitas mulheres, procurar a polícia representa uma decisão difícil. O medo, a insegurança e a preocupação com possíveis consequências podem fazer com que uma vítima permaneça em silêncio mesmo diante de agressões ou ameaças. É nesse momento que o acolhimento ganha importância.
A Sala Lilás foi organizada para oferecer um ambiente reservado para conversas que envolvem situações de violência e vulnerabilidade. O objetivo é permitir que a mulher consiga relatar o que está acontecendo com mais segurança e receba orientação sobre as medidas que podem ser adotadas para sua proteção.
O espaço é utilizado pela Patrulha Maria da Penha no acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência. Os policiais mantêm contato com as vítimas, verificam o cumprimento das determinações judiciais e procuram identificar situações que possam representar novos riscos. Assim, o trabalho não termina quando a ocorrência é registrada. A prevenção passa a fazer parte da rotina de acompanhamento.
Todo policial do 26º BPM pode atender
O comandante do 26º BPM, tenente coronel, Alexsandro Goi, afirma que a reforma representa o compromisso da unidade em oferecer um atendimento mais humanizado às vítimas. “Essa sala representa muito mais do que uma reforma física. Ela representa acolhimento, proteção e o compromisso da Brigada Militar de estar ao lado das mulheres que enfrentam uma situação de violência. Quando uma vítima chega até nós, muitas vezes ela está fragilizada, com medo e sem saber o que fazer. Por isso, é fundamental que encontre policiais preparados não apenas para atender a ocorrência, mas também para ouvi-la, orientá-la, respeitar sua história e oferecer segurança naquele momento”, destaca.

Segundo Goi, embora a Patrulha Maria da Penha tenha atuação específica no acompanhamento das vítimas, qualquer policial do 26º BPM está apto a atender uma ocorrência de violência contra a mulher. “A mulher não precisa ter medo de procurar a Brigada Militar e não precisa esperar encontrar somente a Patrulha Maria da Penha. Qualquer policial do 26º BPM está preparado para receber essa vítima, acolher, ouvir sem julgamentos e tomar as providências necessárias para protegê-la. O mais importante é que ela saiba que será recebida com respeito, dignidade e atenção”, afirma.
Reforma foi construída com participação da comunidade
A reestruturação da Sala Lilás foi resultado de uma união de esforços entre o efetivo do 26º BPM, o Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro) e a comunidade. Além da reforma do ambiente, foram adquiridos novos equipamentos e reorganizado o espaço utilizado pelos policiais responsáveis pelo atendimento e acompanhamento das vítimas. A iniciativa busca melhorar simultaneamente as condições de trabalho das equipes e a experiência das mulheres que procuram a Brigada Militar em um momento de vulnerabilidade.
Cachoeirinha reforça rede de proteção
A nova Sala Lilás integra um conjunto de iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher em Cachoeirinha. O trabalho da Patrulha Maria da Penha é uma das frentes de atuação, especialmente no acompanhamento de mulheres que já possuem medidas protetivas. O município também passou a contar com outras ferramentas de prevenção e resposta, como o botão do pânico instalado no Parcão da Paz Ignácio Aloysio Herbert, que permite acionar a Guarda Municipal em uma situação de risco.

A lógica é ampliar os caminhos para que uma mulher consiga pedir ajuda antes que uma situação de violência evolua para consequências ainda mais graves.
“Não se omita”
O comandante do 26º BPM também reforça que a proteção das mulheres não depende apenas da atuação policial. A participação da comunidade é considerada fundamental para identificar situações de violência e interromper ciclos que muitas vezes permanecem escondidos dentro de casa.

“Mulher deve ser respeitada sempre. A violência contra a mulher não é um problema particular e não pode ser ignorada. Se você presencia uma agressão, uma ameaça ou qualquer situação de violência, denuncie. Não se omita. Uma denúncia pode significar proteção, pode interromper um ciclo de violência e pode salvar uma vida”, alerta Goi.
Na parede da Sala Lilás, a frase “Você pode tudo, menos desistir” funciona como uma mensagem direta para quem chega ao local. Para a Brigada Militar, o objetivo é que nenhuma mulher que decida romper o silêncio encontre apenas uma porta para registrar uma ocorrência. Ela deve encontrar escuta, respeito, orientação e proteção para dar o próximo passo.





