POLÍTICA

Vítimas da enchente da Vila Eunice explicam o que querem

Associação tem uma comissão técnica formada por engenheiros e elaborou plano de ação

Cachoeirinha – A Associação de Moradores do Bairro Eunice Velha, criada no ano passado após a enchente, elaborou um plano de ação para a prefeitura resolver os problemas de drenagem e vem cobrando a execução. A entidade participou do protesto na última sexta-feira (4) na frente a prefeitura, quando o prefeito Cristian Wasem foi hostilizado e precisou da ajuda da Guarda e seguranças para conseguir sair do meio dos manifestantes.

O plano de ação, com 21 pontos, foi elaborado por engenheiros e técnicos que integram a Comissão Técnica e de Infraestrutura. O engenheiro Giovani Francelino explica que a formação o plano de ação nasceu depois de reuniões com a prefeitura. O principal motivo foi a falta de tempo para o setor técnico da prefeitura, já que a estrutura é pequena.

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“Esse plano de ação foi aprovado pelo prefeito em uma reunião no dia 3 de julho do ano passado e nos pediram para priorizar o que deveria ser feito”, conta. No plano, consta o mapeamento de todas as bocas de lobo do bairro com a lista do que deveria ser prioridade. Há ainda o pedido de uma vistoria no conduto forçado, que começa na altura da parada 55, e segue pelo bairro até chegar no Rio Gravataí.

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Segundo Francelino, a comissão desejava utilizar softwares de gestão de projetos e se reunir com a área técnica da prefeitura para tratar do andamento das 21 ações por considerar mais produtivo, profissionais da área conversarem entre si. Essa possibilidade não ocorreu. O engenheiro vinha recebendo relatórios e se reunindo com o secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Emerson Santos. A relação, contudo, se desgastou.

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A comissão mapeou com fotos e localização no mapa todas as bocas de lobo. E depois fez vistoria no que estava sendo limpo. O principal problema encontrado é que muitas tampas estão quebradas e em algumas boca de lobo não houve uma boa limpeza na parte externa. Conforme Francelino, o hidrojateamento também foi feito em algumas ruas e alguns canos substituídos.

Exemplo do que foi colocado no levantamento feito pela associação de moradores

Outro problema levantado pela comissão poderia estar no conduto forçado. As junções das galerias teriam frestas, o que permitiria a entrada de terra e água, além de servir para a fuga da água para as ruas. Segundo o engenheiro, a prefeitura deveria ter feito uma revisão com técnicos especializados com emissão de um parecer assinado por especialista. “Fizeram uma vistoria. O ex-chefe da Defesa Civil [Vancerlei Marcos] entrou nas galerias com duas pessoas e disseram que não havia problema. Ficaram umas duas horas dentro do conduto. A vistoria não deveria ter sido feita dessa forma. Teria que ser por profissionais especializados nisso”, defende.

Elevação da casa de bombas, ainda não usada, já tem várias trincas

Na casa de bombas da João Pessoa está outro problema levantado pela comissão. Depois da enchente, segundo Francelino, construíram uma elevação para os equipamentos, mas ela já apresenta fissuras. “É falha na execução do projeto. Faltou fiscalização da prefeitura”, afirma. As obras estruturais para a elevação de equipamentos, evitando que sejam alagados, foram realizadas, mas não são utilizadas. “Pedimos dois geradores para ter um de reserva. Fizeram a elevação apenas para um, mas o gerador continua no chão. E os equipamentos da subestação não foram erguidos. Os painéis não foram levantados”, lamenta.

Francelino ainda aponta que a associação se reuniu com o secretário para Apoio à Reconstrução do RS, Maneco Hassen, e apurou que há recursos do Governo Federal disponíveis para a prefeitura. A gestão teria sido assumida pelo Estado e para acessar os recursos, as prefeituras devem apresentar projetos e uma série de documentos. “O Município, para receber os recursos, precisa de projetos básicos e vários documentos. A prefeitura de Cachoeirinha não está conseguindo recursos. A de Gravataí, já conseguiu”, conta.

O que diz a prefeitura

“Tudo o que a gente faz parece que nunca está bom. Nós estamos trabalhando muito e fazendo o maior investimento da história da cidade nessa área”, argumenta o secretário. Ele preferiu não entrar em detalhes das queixas do engenheiro e assegura que tudo o que foi apresentado pela associação de moradores está sendo executado e relatórios são passados para outra pessoa, não para o engenheiro.

O conduto forçado, conforme o secretário, foi vistoriado por dois técnicos de uma empresa especializada em saneamento e que foi contratada pela prefeitura. “Havia problema apenas em uma galeria pluvial ao lado e foi resolvido”, assegura, salientando que não há no conduto forçado frestas nas junções das galerias. “Tem muita coisa dita que é uma opinião das pessoas sem nenhum embasamento técnico. Nós temos uma equipe técnica responsável por tudo o que estamos fazendo. E eu tenho relatório de tudo o que foi executado”, ressalta.

Conduto forçado foi vistoriado em janeiro desse ano, segundo o secretário

Nesta segunda-feira (7), limpezas de bocas de lobo e tubulações estavam sendo executadas nas ruas Santa Isabel e Delfim Moreira. “Estamos seguindo as prioridades, limpando e consertado o que é necessário em todo a rede”, salienta. A ação da secretaria ocorre nos bairros vizinhos, como Eunice Nova, Veranópolis e Jardim América.

Limpeza na Anápio Gomes em janeiro desse ano

A casa de bombas da João Pessoa, assim como a outra da Nilo Peçanha, estão em condições de operar sem problema e há guarda em ambas. “Elas precisam ser melhoradas e por isso já está em andamento o processo para a abertura de licitações. As casas de bombas serão terceirizadas nos mesmos moldes dos ecopontos”, revela. Segundo o secretário, todos os arroios estão sendo desassoreados. “Isso é fundamental para o bom escoamento das águas.”

“O trabalho está a todo o vapor. Narrativas de opositores estão sempre tentando diminuir o trabalho. Estamos em contato com representante da associação do bairro e o trabalho está sendo feito de forma técnica com acompanhamento de engenheiro do nosso quadro técnico”, frisa.

O que a associação pretende fazer

Segundo o engenheiro Giovani Francelino, a associação decidiu que a partir de agora terá duas linhas de ação. A primeira é buscar uma reunião com os vereadores para fazer a apresentação do quadro e pedir apoio. A segunda é reunir as associação do Parque da Matriz e Jardim América para ser feita uma representação ao Ministério Público pedindo providencias.

Abaixo, vídeo de ação realizada no Passinhos nessa segunda-feira (7), no Parque da Matriz

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