POLÍTICA

Vídeo: Jussara cancela evento que teria seguidores de Lúcifer

Seminário na Câmara iria debater a intolerância religiosa e caso foi parar na Polícia

Cachoeirinha – A presidente da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, cancelou um seminário que ocorreria no Plenarinho do Legislativo na noite desta quarta-feira (12) para debater a intolerância religiosa. Entre os organizadores estavam fundadores do polêmico Templo de Lúcifer em Gravataí, Instituto Mestre Lukas, Corrente 72 e a Nova Ordem de Lúcifer na Terra (N.O.L.T.). Eles e representantes de religiões de matriz africana foram impedidos de entrar na Câmara e a Guarda Municipal foi chamada.

O evento estava marcado há pelo menos um mês e iniciaria às 19 horas. Quando os primeiros líderes religiosos começaram a chegar, o portão de acesso ao pátio da Câmara estava com seguranças que informavam sobre o cancelamento. A Câmara havia publicado às 13 horas em sua página no Facebook que o evento no Plenarinho estava cancelado, sem citar do que se tratada e o motivo. No Plenário do Legislativo, no mesmo horário, acontecia o lançamento da Frente Parlamentar contra as Multas e Taxas Abusivas da Corsan.

Na abertura, Jussara se manifestou sobre o seminário cancelado: “A Casa é democrática. A vereadora não tem preconceito de nada porque quem manda em mim é Deus … Não adianta usarem que a Casa foi preconceituosa, isso e aquilo. Não. A Casa é de Deus e do povo de Cachoeirinha. É isso aí. Vou deixar o recadinho no ar porque tem bastante pessoas lá na rua me ouvindo ou vão ouvir essa abertura dessa Frente Parlamentar. A vereadora não tem preconceito.”

Na calçada, líderes religiosos gravavam vídeos. A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) esteve no local e prometeu formalizar uma representação junto ao Ministério Público Estadual. “Eu sou parceria nessa luta o que a gente viu aqui nesse momento na frente da Câmara de Cachoeirinha é um flagrante de intolerância religiosa. O que a gente viu aqui precisa ser denunciado para o Brasil e o mundo inteiro porque intolerância religiosa é crime”, destacou.

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“Fui barrado duas vezes sofrendo intolerância religiosa”

O presidente do Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Cachoeirinha, babalorixá Roberto de Osun, contou que chegou às 18h30min na Câmara e foi informado pela Guarda Municipal que o evento havia sido cancelado. “Eu também tinha uma reunião do meu partido aqui e não queriam deixar eu entrar por causa das minhas vestimentas. Fui barrado duas vezes sofrendo intolerância religiosa. Uma por não acontecer o seminário contra a intolerância e outra por não me permitiram participar da reunião do meu partido que estava acontecendo na Câmara”, lamentou.

Caso foi parar na Polícia

O Mestre Lukas de Bará da Rua, um dos fundadores do Templo de Lúcifer, criticou a decisão da Câmara: “Iríamos fazer um seminário debatendo e combatendo a intolerância e a Câmara cancelou o nosso evento e ainda mandou a Guarda Municipal como se fôssemos bandidos”.

A verdade é que há uma repressão religiosa com aqueles cultos que não estão próximos ou associados com o cristianismo. Embora digam que o Estado é laico, na verdade ele tem uma bandeira definida”, salientou Tata Hélio de Astaroth, que também é um dos fundadores do Templo de Lúcifer em Gravataí. O caso foi registrado na Polícia Civil como intolerância religiosa.

Confira o vídeo publicado pelo Mestre Lukas:

Câmara publica Comunicado Oficial

Após a publicação desta matéria, a Câmara de Vereadores publicou um Comunicado Oficial em sua página no Facebook. Confira, abaixo:

Comunicado oficial acerca do evento sobre intolerância religiosa

A Câmara Municipal de Cachoeirinha, por meio de sua Presidência, vem esclarecer a população acerca do lamentável ocorrido na data de ontem (12/03).

Como é de ciência geral, em face dos problemas de abastecimento de água que assolam a cidade, instalamos a Frente Parlamentar da CORSAN, cuja plenária transcorreu no mesmo horário em que deveria ocorrer o evento sobre intolerância religiosa, promovido pelo Conselho Estadual do Povo de Terreiro.

Ocorre que em virtude de uma falha administrativa, os dois eventos foram agendados para a mesma data e horário, sendo que a Câmara passa por reformas elétricas emergenciais que impedem o uso concomitante dos Plenários.

Em face da restrição técnica, optamos pela realização da Frente Parlamentar, em detrimento do seminário de temática religiosa.

Diante da ameaça de invasão por parte de alguns circunstantes, fez-se necessária a presença da autoridade policial.

A Casa do Povo e sua presidente reafirmam o compromisso com a liberdade de expressão e credo religioso protegidos pela Constituição da República. Colocamo-nos à disposição para que o Conselho Estadual do Povo de Terreiro designe uma nova data para a realização do evento pretendido.

Jussara Caçapava

Presidente da Câmara Municipal de Cachoeirinha”

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