Vereadores reagem a cenário de caos pintado por Leonardo da Costa
Vereador do PT leu uma manifestação escrita que seria ofensivo a colegas, moradores e cidade
Cachoeirinha – Vereadores da base governista reagiram à manifestação do vereador Leonardo da Costa (PT) feita na Tribuna da Câmara na Sessão desta terça-feira (10). O petista chegou a dizer que a cidade é a periferia da periferia e que está jogada às traças. “… a gente vê isso pelos lixos que tomam conta das ruas, a periferia de uma cidade de periferia, consegue ser ainda pior. E a gente sabe disso porque os donos da cidade que engordam com o dinheiro público, o dinheiro do povo, não se importam. E não importa o que a nossa cidade e a nossa comunidade sintam, ela está abandonada”.
Leonardo, que costuma ler textos que escreve, foi mais longe: “Embora nós tenhamos pessoas de joelhos pedindo os seus direitos mais básicos, temos do outro lado um Legislativo, representado por essa Casa, um Executivo e um Judiciário que olha de cima desprezando muitas vezes a nossa gente como se fossem subalternos.”
A vereadora Sandrinha não gostou. “Vereadores estão aqui trabalhando, estão na rua. Isso acaba sendo uma ofensa para nós … temos que ter um pouco de consciência sobre o que nós falamos. Eu não consigo aceitar isso. Acho que o senhor não está vendo a cidade com bons olhos”, desabafou. “Eu não teria como imaginar de outra forma. Eu vejo a cidade como de fato ela é. A nossa cidade se encontra em um sistema de descaso”, retrucou Leonardo.
O debate seguiu com o vereador Paulinho da Farmácia destacando que a cidade vista pela oposição não é a mesma dos vereadores da base. Segundo ele, muitas obras estão acontecendo, com inauguração de creche, escolas, pavimentações. Sandrinha, em novo aparte, salientou que o Leonardo não pode ofender “as pessoas que tralham e estão tentando melhorar” a cidade. “Tem que ter um pouquinho de responsabilidade”, frisou.
O líder da bancada do PT, Gustavo Almansa, tentou consertar a manifestação do colega de partido, classificada como desastrosa. Segundo ele, as críticas feitas por ele não significam que não há pontos positivos na cidade. “Não se trata de ofender a cidade e muito menos de ofender quem trabalhar nela”, pontuou.
Confira o que Leonardo leu na Tribuna:
“O motivo que me traz hoje a essa Tribuna, nobres vereadores, é a frustração que recai sobre a minha consciência quando eu penso como as ações ou a falta delas impacta na vida da nossa comunidade. Embora nós tenhamos pessoas de joelhos pedindo os seus direitos mais básicos temos do outro lado um Legislativo, representado por essa Casa, um Executivo e um Judiciário que olha de cima desprezando muitas vezes a nossa gente como se fossem subalternos. Vivemos em uma cidade de periferia, na margem da margem onde os direitos básicos podem ser a virada de chave na vida de muita gente.
Uma creche para deixar o filho, um posto de saúde para atender a nossa mãe ou mesmo um ônibus que chega no horário, mas aqui temos centenas de pessoas que vivem dentro de antenas, porque se a nossa cidade está jogada às traças, e a gente vê isso pelos lixos que tomam conta das ruas, a periferia de uma cidade de periferia, consegue ser ainda pior. E a gente sabe disso porque os donos da cidade que engordam com o dinheiro público, o dinheiro do povo, não se importam.
E não importa o que a nossa cidade e a nossa comunidade sintam, ela está abandonada. E a gente sabe que no auto da arrogância aqueles que mandam e desprezam a nossa cidade não se importam com os mínimos direitos embora sejam direitos básicos a gente tem que estar aqui reclamando e lutando por eles a cada dia porque é esse o lado que nós precisamos estar.”


