Vereadores defendem investigação no Padre Jeremias
Hospital completa nesta quarta-feira (28) dez dias com atendimentos restritos a urgências e emergências
Cachoeirinha – A crise no Hospital Padre Jeremias, que nesta quarta-feira (28) completa 10 dias oferecendo apenas atendimentos de urgências e emergências por falta de pagamento a médicos, dominou os debates na Sessão da Câmara desta terça-feira (27). Vereadores defenderam uma investigação nas contas da instituição e uma cobrança maior ao Governo do Estado para que resolva o problema. O hospital alega que os recursos recebidos do SUS não são suficientes para cobrir todas as despesas, mas ao mesmo tempo, a secretaria estadual da Saúde entende que pode haver problemas de gestão.
O Padre Jeremias é uma responsabilidade do Estado e administrado pelo Instituto de Cardiologia. O vereador Nelson Martini levantou o assunto na Tribuna argumentando que o problema pode ser de gestão uma vez que o hospital não receberia poucos recursos, considerando as várias emendas parlamentares que vem recebendo nos últimos anos.
Martini foi contra a abertura de uma CPI proposta pelo vereador Mano do Parque no início de março, assim como quatro outros colegas por entender que não resolveria o problema. Nesta terça, Mano salientou que há a necessidade de haver algum tipo de investigação para que seja possível descobrir o que vem acontecendo de fato. Marco Barbosa chegou a dizer que “parece uma caixa preta”.
Na verdade, o hospital, apesar de ser 100% SUS, não abre suas contas e não se manifesta publicamente para explicar em detalhes o que vem acontecendo. Para evitar a CPI, a direção chegou a ir até a Comissão de Saúde da Câmara e fez uma prestação de contas e depois disso voltou a ficar em silêncio. O site O Repórter tenta buscar informações e a assessoria de imprensa costuma enviar respostas sem nenhuma profundidade que permita à população compreender o que vem acontecendo.
Assim como aconteceu em abril, médicos contratados por intermédio de seus CNPJs, não receberam seus pagamentos e suspenderam os atendimentos. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) chegou a fazer uma inspeção e denunciou a falta de pagamentos. Na época, o Estado fez uma antecipação de R$ 3,2 milhões para que as contas fossem colocadas em dia. O problema voltou a acontecer. Gilson Stuart também defendeu uma investigação, assim como a vereadora Sandrinha. Segundo ela, haveria problemas de toda ordem, inclusive com morte de crianças. A vereadora não disse, mas as mortes poderiam ser uma consequência de problemas na gestão.
David Almansa também defendeu uma investigação e salientou que a Prefeitura deveria reforçar a estrutura da rede básica para atender as pessoas que não conseguem ser atendidas no Padre Jeremias. Martini lembrou que nos últimos meses, as equipes médicas foram reforçadas na UPA 24 Horas e também as unidades básicas. “SE não fosse isso, teríamos um caos”, disse.
O líder do Governo, Otoniel Gomes, destacou que o prefeito Cristian Wasem enviou uma carta ao Governo do Estado solicitando a troca da gestão do hospital. A prefeitura chegou a divulgar há algumas semanas que o Estado teria concordado e que faria a troca. O site O Repórter, contudo, revelou que a história não é exatamente essa. O Estado fará uma licitação para a gestão do Padre Jeremias e também para o hospital de Alvorada. É um processo de revisão dos contratos de todos os hospitais do Estado e o de Cachoerinha seria o próximo.
O Instituto de Cardiologia poderá participar da licitação e se apresentar a melhor proposta, poderá continuar na gestão. Um novo contrato poderia corrigir o problema da falta de recursos, uma vez que uma análise do histórico do Padre Jeremias permitiria a elaboração de um plano de serviços mais adequado com a realidade. Não há ainda um prazo para a abertura da licitação. Os vereadores também não decidiram durante a Sessão que caminho vão seguir.


