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Vai piorar: super El Niño deve agravar temporais no Sul até 2027, alerta meteorologista

Após tornado que deixou feridos no Noroeste gaúcho, Piter Scheuer afirma que fenômeno está apenas no início; projeções internacionais apontam alta probabilidade de um dos eventos mais intensos já registrados

O tornado que atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste do Rio Grande do Sul, reacendeu o alerta para os impactos do El Niño sobre o clima no Sul do Brasil. Após o episódio, que deixou sete pessoas feridas e destruiu residências, o meteorologista catarinense Piter Scheuer afirmou que os eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes nos próximos meses e que o fenômeno ainda está em fase de intensificação.

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Em vídeo publicado nesta terça-feira (28), Scheuer disse que os temporais registrados nos últimos dias confirmaram os alertas emitidos anteriormente e reforçou que as previsões são baseadas em análises técnicas. “Essa é uma das consequências do El Niño que está recém começando. Vai piorar nos próximos meses. Setembro, outubro, novembro, dezembro e janeiro. Isso vai acabar se tornando rotineiro”, afirmou.

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Segundo o meteorologista, o atual evento ainda não atingiu a condição de Super El Niño, mas a tendência é de fortalecimento ao longo do segundo semestre de 2026. “Ainda não estamos em fase de Super El Niño, mas vai piorar”, acrescentou.

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Alerta já havia sido feito em maio

O posicionamento de Scheuer não é novo. Em maio, o meteorologista afirmou nas redes sociais que vinha sendo criticado por alertar para a formação de um Super El Niño em Santa Catarina e no Sul do Brasil.

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Na ocasião, ele afirmou que os impactos poderiam ser “iguais ou até piores” do que os observados durante as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Desde então, episódios de granizo com pedras médias e grandes, vendavais e chuvas intensas passaram a ocorrer com frequência em diferentes regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Tornado reforça preocupação

O alerta ganhou ainda mais força depois do tornado registrado na noite de terça-feira no Noroeste gaúcho. Além dos fortes ventos, houve queda de granizo e destruição de imóveis. O fenômeno foi provocado por uma supercélula, tipo de tempestade que apresenta intensa rotação e possui elevado potencial para gerar tornados, ventos destrutivos e granizo de grande porte.

Nesta quarta-feira (29), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve avisos de grande perigo para tempestades em diversas regiões do Estado, prevendo chuva superior a 60 milímetros por hora, ventos acima de 100 km/h e queda de granizo. A Defesa Civil estadual também emitiu alertas para inundações nos rios Taquari e Caí, além de risco de deslizamentos em municípios da Serra e do Vale do Paranhana.

Projeções internacionais aumentam preocupação

Os alertas de Scheuer encontram respaldo nas projeções dos principais centros internacionais de monitoramento climático. O Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), elevou para 81% a probabilidade de o atual El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, classificação reservada aos eventos mais intensos. O órgão também estima 97% de chance de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

Modelos experimentais do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da NOAA indicam que o aquecimento do Oceano Pacífico continuará se intensificando durante os próximos meses, alcançando níveis comparáveis aos maiores eventos já registrados desde o século passado.

Pode ser o mais intenso em 150 anos

Estudos citados por pesquisadores da Berkeley Earth e publicados pela revista científica New Scientist apontam que o atual evento pode se tornar o Super El Niño mais intenso dos últimos 150 anos. Simulações climáticas indicam possibilidade de a anomalia da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial atingir cerca de 3,6°C acima da média, superando o recorde observado durante o El Niño de 2015-2016.

Embora ainda exista incerteza inerente às previsões climáticas de longo prazo, especialistas destacam que diferentes modelos vêm convergindo para um cenário de fortalecimento expressivo do fenômeno.

O que esperar no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão das chuvas em várias partes do planeta. No Sul do Brasil, os efeitos costumam incluir aumento da precipitação, temporais mais frequentes, enchentes, alagamentos, enxurradas e maior ocorrência de vendavais e granizo.

Nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, por outro lado, a tendência é de redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do risco de estiagens prolongadas.

Com a previsão de que o pico do fenômeno ocorra entre outubro e dezembro deste ano, meteorologistas recomendam acompanhamento constante dos avisos oficiais e atenção especial durante a passagem de frentes frias e sistemas de tempestades, período em que o risco de eventos severos tende a aumentar.

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