CACHOEIRINHA

Troféu Larouyê Mojubá homenageia mães e pais de santo em Cachoeirinha

A cerimônia foi realizada nas dependências do CTG Guapós da Amizade, na Rua Silvério Manoel da Silva, na Vila Monte Carlo, e contou com a participação de autoridades municipais, lideranças religiosas e convidados

Cachoeirinha – A primeira edição da Noite de Gala do Troféu Larouyê Mojubá reuniu, neste sábado (5), em Cachoeirinha, mais de 50 mães e pais de santo de diferentes municípios do Rio Grande do Sul. A cerimônia foi realizada nas dependências do CTG Guapós da Amizade, na Rua Silvério Manoel da Silva, na Vila Monte Carlo, e contou com a participação de autoridades municipais, lideranças religiosas e convidados.

A premiação teve como proposta reconhecer a trajetória de pessoas que atuam nas religiões de matriz africana e valorizar a contribuição dessas lideranças para suas comunidades. Entre os homenageados da noite, quatro tiveram seus nomes escolhidos para dar origem aos troféus que serão entregues nas próximas edições: Mãe Maria do Bará, Mãe Ieda do Ogum, Pai Beto de Xangô e Pai Paulinho de Ogum Xeroquê.

O troféu destinado a Mãe Maria do Bará foi entregue à própria homenageada. Já a homenagem a Mãe Ieda do Ogum foi recebida por sua neta, Maria Clara Silva, que a representou durante a solenidade. Os troféus de Pai Beto de Xangô e Pai Paulinho de Ogum Xeroquê foram concedidos in memoriam. A homenagem a Pai Beto foi recebida por Pai Dan Iemanjá, enquanto o troféu de Pai Paulinho será entregue posteriormente a um de seus filhos carnais.

A partir da próxima edição, as pessoas homenageadas nesta primeira noite poderão indicar nomes para receber o troféu que leva suas próprias referências. A iniciativa pretende manter a homenagem como uma forma de preservar a memória e reconhecer novas trajetórias dentro das religiões de matriz africana.

O idealizador do evento, Pai Ruy Xangô, explicou que a premiação foi criada para dar visibilidade às histórias construídas dentro da religião e enfrentar o preconceito ainda existente contra as religiões de matriz africana. “É uma forma de valorizar quem viveu e quem vive a nossa religião com amor, humildade e respeito. Queremos mostrar para a sociedade um pouco da nossa realidade, porque muitas pessoas não conhecem a nossa religião e acabam julgando sem saber. Também queremos mostrar o trabalho social que muitos pais e mães de santo desenvolvem nas comunidades, muitas vezes sem divulgação, simplesmente porque fazem isso por amor e para ajudar quem precisa”, afirmou.

A primeira edição também teve caráter social. Segundo Pai Ruy, não houve cobrança de ingresso ou qualquer valor pela participação na premiação. Como contrapartida, os convidados foram convidados a levar um quilo de alimento não perecível, que será destinado a famílias em situação de vulnerabilidade no município. “Não cobramos entrada e não cobramos nenhum valor pelo troféu. Pedimos apenas um quilo de alimento não perecível para ajudar famílias que precisam. É uma maneira de agradecer e, ao mesmo tempo, contribuir com quem está passando por dificuldades. Esse troféu representa carinho, respeito e reconhecimento por pessoas que construíram essa história. Muitos já partiram, mas deixaram um legado, e hoje estamos aqui também para manter essa história viva”, destacou.

Respeito à diversidade religiosa

A prefeita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, participou da cerimônia e destacou a importância de reconhecer diferentes manifestações religiosas. Segundo ela, a homenagem também representa uma forma de reforçar o respeito à liberdade religiosa e à presença das religiões de matriz africana na história e na cultura do município.

“Essa homenagem representa o reconhecimento e o respeito à história de pessoas que dedicam parte de suas vidas à sua fé e à sua comunidade. Como prefeita, defendo e respeito todas as religiões e todas as formas de manifestação da fé. Hoje, de maneira especial, queremos reconhecer a importância das religiões de matriz africana, que fazem parte da história e da cultura da nossa cidade”, afirmou.

Jussara também citou a relação pessoal que mantém com lideranças religiosas do município. “Tenho amigos que são mães e pais de santo, pessoas que admiro e respeito muito, como os pais Ruy, Ricardinho e Félix. São pessoas que fazem parte da nossa comunidade e também contribuem para a construção de uma cidade mais acolhedora e respeitosa. Entregar esse troféu é uma forma de reconhecer essas trajetórias e reafirmar que todas as religiões têm seu espaço e merecem ser respeitadas”, completou.

Após a entrega dos troféus, os participantes acompanharam uma sessão dedicada aos Exus. Durante o momento religioso, uma grande corrente foi formada por mães e pais de santo que participaram da cerimônia.

Mãe Maria do Bará

Entre as homenageadas estava Mãe Maria do Bará, de 96 anos, que há cinco décadas atua na religião de matriz africana. Considerada uma das mães de santo mais antigas de Cachoeirinha, ela mantém uma terreira no bairro Ponta Porã, onde recebe filhos de santo e pessoas que procuram seus atendimentos.

Para Mãe Maria, o troféu que leva seu nome simboliza o reconhecimento por cinco décadas de dedicação à religião e à comunidade. Aos 96 anos, ela recebeu a homenagem com emoção e destacou a importância de ser reconhecida ainda em vida. “É uma grande gratidão receber esse reconhecimento ainda em vida. Muito obrigada por essa homenagem e por todo esse carinho”, afirmou.

Além da atuação religiosa, Mãe Maria também trabalha como benzedeira. Segundo ela, a capacidade de auxiliar quem a procura é um dom recebido de Deus, que atribui também aos seus protetores a força para realizar os atendimentos. “Ajudar a curar as pessoas é um dom divino. Agradeço todos os dias a Deus e aos meus protetores por me permitirem ajudar a aliviar as dores do corpo e da alma”, finalizou ela.

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