CACHOEIRINHA

TeAcolhe comemora um ano com 1,2 mil atendimentos por mês

A equipe em Cachoeirinha conta com dois médicos neurologistas, nutricionista, quatro psicólogas, dois fonoaudiólogos, psicopedagogo, assistente social, musicoterapeuta, dois monitores de suporte simples, dois monitores comportamentais especializados, dois administrativos, totalizando assim 10 profissionais de nível técnico e seis profissionais de suporte

Cachoeirinha – A descoberta do diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) não é um momento fácil para nenhuma família. A necessidade por terapias e adaptação a um mundo que, acostumado ao comportamento típico, costuma segregar o que é diferente são apenas alguns dos desafios de quem enfrenta a situação. Algumas iniciativas buscam amenizar as dificuldades, como o programa TEAcolhe, que completou um ano em Cachoeirinha, na última quarta-feira (8).

Implementado pela Lei Estadual n° 15.322/2019, é uma iniciativa do governo do Estado destinada a garantir e a promover o atendimento às necessidades específicas das pessoas com autismo. Visando ao desenvolvimento pessoal, à inclusão social, à cidadania e ao apoio às suas famílias, são as prefeituras que gerem a iniciativa, indicando um local para ser o Centro de Atendimento em Saúde do TEAcolhe. No município, a referência é a Associação Pais e Amor.

Em um ano, 150 famílias foram acolhidas em cerca de 1.200 atendimentos por mês, divididos em especialistas nas mais diversas áreas. A equipe na cidade conta com dois médicos neurologistas, nutricionista, quatro psicólogas, dois fonoaudiólogos, psicopedagogo, assistente social, musicoterapeuta, dois monitores de suporte simples, dois monitores comportamentais especializados, dois administrativos, totalizando assim 10 profissionais de nível técnico e seis profissionais de suporte.

“É um motivo de orgulho. Este número contabiliza mais do que o dobro exigido pelo governo do Estado. Todos os profissionais, contam com as certificações e especializações exigidas pelo programa, com supervisão direta da coordenadoria estadual”, explica a secretária municipal de Saúde (SMS), Bianca Breier, que ressalta a importância do programa pela qualificação do atendimento da pessoa com TEA, o atendimento integrado da equipe multidisciplinar e o suporte à rede familiar.


Comemoração – Foto: PMC/Divulgação

O acesso ao programa é regulado pelo Sistema de Gerenciamento de Consultas (Gercon), para atendimento e avaliação de casos de autismo em todo o ciclo de vida. Quando o TEAcolhe iniciou, em 8 de julho de 2024, a Pais e Amor era referência para Cachoeirinha e, também, Gravataí e Glorinha. Agora que a cidade vizinha tem seu próprio espaço, será possível atender mais pacientes locais. “O Gercon chamará pacientes de Gravataí que nós atendíamos para lá e eles estão migrando aos poucos. Com isso, estão abrindo vagas para que o sistema chame mais pacientes de Cachoeirinha”, conta Bianca.

Comemoração do aniversário

Foi com direito a bolo, salgadinhos, alegria e satisfação do bom trabalho realizado que Cachoeirinha celebrou o primeiro ano do programa. O vice-prefeito João Paulo, Bianca e outros secretários estiveram na associação para marcar a passagem da data. A presidente da Pais e Amor, Cátia Medeiros, lembra dos primeiros tempos do programa. “Quando recebemos o convite da secretária Bianca ficamos receosos no início, mas vimos que valia pena. Fomos atrás dos profissionais, todos habilitados para trabalhar com autista, como o Silas Braz, fonoaudiólogo e coordenador técnico do TEAcolhe”, relembra.

O repasse de cerca de R$ 80 mil mensais aumentou para R$ 100 mil nos últimos dois meses e, da mesma forma, a ampliação dos pacientes é visível todos os dias na entidade. “Prestamos conta de toda verba que chega e podemos dizer que o sucesso é total. A gente vai conseguir dar um atendimento cada vez mais eficaz. Estou muito feliz, significa muito para nós”, conta Cátia, que também é mãe atípica e uma das fundadoras da associação.

A pequena Lara foi a primeira

Na festa de um ano do TEAcolhe, estava a pequena Lara, cinco anos, representando todos os atendidos. Mais do que isso, ela foi a primeira a ser chamada pelo Gercon para atendimentos em Cachoeirinha. A filha de Thaina Anzorena Severo, 29 anos, já frequentava a associação antes.

“O primeiro acolhimento que tivemos foi lá, um divisor de águas na minha vida. Encontrei outras pessoas vivendo mesmo que eu, que entendiam a minha angústia e o meu medo. Um espaço onde eu me sentia livre com a minha filha, onde ela se sente aceita, sem olhares tortos”, diz Thaina, que também é mãe da Kimberly, de dez anos.

Com o TEAcolhe, Lara apresentou uma evolução ainda mais significativa após consultas com psicóloga, fonoaudióloga e musicoterapia. “Uma sensação de esperança, de preces ouvidas. Ela deu um salto de desenvolvimento tão grande que eu ainda, como mãe me impressiono”, se emociona Thaina, mãe separada, que saiu do emprego para se dedicar à criação das filhas.

Os quatro passos do TEAcolhe

Unidade de saúde
É onde o médico do seu posto de referência indicará o cadastro no Gercon para “Reabilitação Intelectual”, adicionando o máximo de informações sobre o autismo e demais detalhes do paciente.

SUS
As pessoas precisam aguardar a análise do Gercon, regulado pelo governo estadual. Se o paciente já está cadastrado não é necessário novo cadastro, mesmo que esteja demorado. Atenção: um novo cadastro faz o paciente ir pro final da fila.

Encaminhamento do Gercon
Após a análise, o paciente, que pode ser de qualquer faixa etária, é direcionado para o local de atendimento e a urgência conforme a complexidade de cada caso.

Chegada na associação
O CAS TEAcolhe, no caso, a Pais e Amor, recebe o paciente e encaminha aos atendimentos necessários.

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