Taxistas amargam queda na procura pelo transporte - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Carros parados com queda brusca no movimento - Foto: Renato Bender

Taxistas amargam queda na procura pelo transporte

Motoristas contam a sua nova realidade com a chegada do novo Coronavírus

Cachoeirinha – Com a diminuição da circulação de pessoas por causa do novo coronavírus, uma categoria que sentiu bastante a queda no movimento foi a dos taxistas, como conta Renato Bender. Ele está no ramo há 30 anos e foi o primeiro presidente da Associação dos Taxistas de Cachoeirinha (ASTAC), criada em 2015. “Já havíamos sofrido uma baixa de 60% no movimento com a chegada dos aplicativos de transporte, há alguns anos. Mas com a pandemia, a procura pelos nossos serviços despencou”.

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Segundo Bender, no ponto de táxi da rua Anápio Gomes, esquina com a avenida Flores da Cunha, são 10 carros, mas quatro deles não estão trabalhando, pois seus motoristas são do grupo de risco e estão em casa. “Tem dias que fazemos de duas a três corridas, no máximo cinco. Estamos tirando somente para a comida e gasolina”, desabafa.

Ele vem de uma família que tem tradição no ramo. “Meu pai, Reni Bender, tem 52 anos de táxi, meu irmão, Paulo Ricardo, vai completar 20 anos. Esse é o momento de maior sufoco que já passamos na nossa história”. Adaptar-se a nova realidade não tem sido fácil. “Até tentamos colocar um aplicativo de táxi, mas não há como competir com os valores trabalhados por grandes empresas como a Uber e 99. Agora, com a quarentena, muitos estão se virando de outras formas para garantir o sustento de suas famílias”, ressalta Bender.

Segundo Mauro Antônio Dias, no ramo desde 2006, mesmo com ponto em um hipermercado, viu o fluxo de trabalho cair consideravelmente, mesmo com o número de veículos reduzido. “Antes éramos 17 carros trabalhando no ponto do Big, hoje no máximo nove estão em atividade. Antes da pandemia, fazíamos de 12 a 15 corridas por dia, agora não passa de seis. Tudo isso numa jornada puxada, das 7h às 21h”, desabafa. Ele conta que está há 14 anos no mesmo ponto e nunca viu uma situação parecida.

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Taxistas Bender, Dias e Costa – Foto: Álbum Pessoal

Com relação as formas de se proteger contra o vírus, os motoristas estão cumprindo todas as normas estipuladas, como uso de máscara, álcool em gel e todas as precauções necessárias, de acordo com as regras de transporte com segurança. “Desde que elas foram regulamentadas pela prefeitura, ainda em março, os motoristas estão cumprindo o seu papel”, conclui Dias.

Para o taxista Gilson Almeida Costa, há 13 anos no ramo e atual presidente da ASTAC, o movimento caiu 80%. “Estou vivendo praticamente às custas da minha esposa que é industriária”. Ele conta que muitos estão tentando outras formas de renda. “Como o movimento já vinha baixo, em março comecei com o transporte escolar em Gravataí. Trabalhei por três semanas, aí veio a pandemia e parou tudo. Tem colegas que estão atuando com transporte de materiais e até fazendo lanches para vender”.

Um grupo de amigos de Costa se reuniu para montar cestas básicas e auxiliar os motoristas que estavam com maior necessidade. “Conseguimos o suficiente para 15 cestas, vimos quem estava precisando mais e fizemos as entregas. Nesse momento, o importante é a gente se ajudar e estender a mão. Todo mundo está passando por dificuldades”.

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