Sueme anuncia valorização da associação de catadores
Galpão será reformado e entidade será guiada para assumir a coleta seletiva
Cachoeirinha – O período de um quase abandono total vai acabar para a Associação dos Classificadores de Resíduos Recicláveis (Acrer) de Cachoeirinha com a reforma do galpão de reciclagem e orientações para que ela se prepare para assumir a coleta seletiva. A secretária de Sustentabilidade, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Sueme Pompeo de Mattos, explicou que o processo inicia nas próximas semanas com a reforma do galpão.
A estrutura já estava em situação precária quando o vereador David Almansa obteve uma emenda parlamentar de R$ 200 mil com o deputado federal Paulo Pimenta em 2021 e o recurso acabou se perdendo dentro da Prefeitura. Semanas depois, um temporal destelhou parte da estrutura e tornou a situação ainda pior. Na Sessão da última terça-feira (23), a Câmara aprovou um projeto de suplementação orçamentária. O dinheiro acabou indo para a rubrica que deveria e a prefeitura, conforme Sueme, vai aportar mais R$ 100 mil.
O estudo para a reforma do galpão apontou um custo ao redor de R$ 300 mil. “Agora vamos enviar o processo para o Compras [Superintendência de Compras e Licitações] para eles decidirem qual vai ser a modalidade de contratação e quando”, explicou. Segundo a secretária, a intenção do Governo é de promover uma política de valorização da Acrer auxiliando a entidade para que se prepare para assumir a coleta seletiva na cidade.
Hoje, 16 famílias se beneficiam da renda obtida com os materiais recolhidos pela prefeitura com a coleta seletiva cujo custo mensal fica em torno de R$ 30 mil. Com sua estrutura qualificada e com as licenças em dia, a Acrer poderá realizar esse serviço a partir de mais investimentos cujos recursos ou outra alternativa seja viabilizada para que ela possa, por exemplo, comprar um caminhão. Sueme revela que seria importante integrar na associação os catadores que trabalham de forma autônoma na cidade. O trabalho vai ser longo, conforme a secretária, e a expectativa é de dentro de um ano a Acrer já possa, pelo menos, assumir a coleta seletiva.
No mês passado, quando a Câmara autorizou a prefeitura a fazer um financiamento de R$ 80 milhões, o vereador David Almansa tentou incluir uma emenda para destinar R$ 2 milhões para a Acrer, mas não obteve sucesso. O Governo argumentou que o processo para o conjunto de financiamento estava em andamento e uma mudança provocaria atrasos porque boa parte do trabalho teria que ser feito.
Almansa, na Sessão da última terça, destacou que a suplementação orçamentária para a secretaria de Sustentabilidade encerrava uma novela ruim e iniciava um filme bom. “Hoje é um dia para ser comemorado pela Andrea Piaget [presidente da Acrer]. Uma mulher que luta em todas as frentes … Quem conhece a Acrer e vê a situação em que eles trabalham lá, no frio, na chuva, no calor, no sol, sem telhado … agora a gente caminha para construir uma nova história, uma nova página com a reforma do galpão, que outrora foi adequado, que seja de uma referência do ponto de vista da reciclagem … Eu quero me colocar à disposição para buscar mais recursos”, disse o parlamentar.
O presidente da Câmara, Paulinho da Farmácia, na discussão do projeto, salientou que gostaria que viessem mais verbas para a Acrer e pediu colaboração dos demais vereadores para que busquem emendas junto aos deputados que representam. O parlamentar destacou que uma maior divulgação da coleta seletiva poderia colaborar para o recolhimento de mais materiais para a associação. “Eu tive um tio que foi catador e morreu catador. É importante esse trabalho porque também ajuda a deixar a cidade mais limpa … são diversas famílias que dependem da reciclagem”, pontuou.


