Gravataí

SMDH de Gravataí recebe Luna Silva para dialogar sobre as demandas da população trans

Servidora pública há 23 anos, ela falou sobre a importância do respeito e da informação para a diminuição das desigualdades

Gravataí – Com uma população de 203 milhões de habitantes, o número de pessoas trans no Brasil chega a 4 milhões (2%), segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Com demandas próprias e a necessidade de políticas públicas que garantam seus direitos, essa é uma parcela da população que precisa de atenção.

Por isso, a Secretaria da Mulher e Direitos Humanos (SMDH) recebeu na tarde desta quarta-feira, 7, Luna Silva, mulher trans e servidora pública há 23 anos. O encontro reuniu a secretária Analu Sônego, a primeira-dama Marlene Zaffalon, o assessor de Políticas Públicas para a Comunidade LGBTQIA+ Liniker Fraga, a assessora jurídica Thaís Marcelino e a assistente social Ligia Caliari.

Em mais de 520 anos de história, foi apenas em 2023 que o Brasil elegeu duas mulheres trans para o Congresso Nacional. Nas universidades públicas federais, as pessoas trans são apenas 0,2% dos estudantes, de acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Cientes destes dados, o convite a Luna teve como objetivo entender as demandas da população trans no município e promover uma troca de conhecimentos e ideias. Durante a conversa, ela contou sua história e as dificuldades e barreiras que enfrentou ao, por exemplo, fazer a troca do nome nos documentos. “As pessoas precisam da informação e de saber respeitar. É preciso ter compreensão. No cartório foi bem difícil, tive um tratamento muito grosseiro. Um preconceito mesmo na hora da troca dos documentos”, contou.

Os dados também mostram que, em cargos de liderança, pessoas da comunidade LGBTQIA+ representam apenas 8%. Luna, que é servidora pública, se destaca na sua posição, representando a entidade na qual trabalha em eventos nacionais. Ela conta que esse lugar lhe dá visibilidade e a possibilidade de ajudar outras pessoas trans. “O peso de ser mulher é muito grande. Ser mulher e trans é mais ainda. Mas as pessoas não compreendem que não é uma guerra de forças, é um conjunto. Precisamos nos unir e fazer acontecer”, afirma.

A secretária da Mulher e dos Direitos Humanos Analu Sônego que, a partir de agora, estes espaços de escuta serão mais frequentes. “Ouvindo a história da Luna, nós percebemos que a assessoria precisa ser esta ponte, auxiliar no atendimento destas demandas. Queremos ter uma estrutura para isso e acolher estas pessoas da forma que as pessoas trans precisam”, explica.

Analu também lembrou que a SMDH irá atuar no auxílio para a retificação da certidão de nascimento. “Essa vai ser mais uma ação que a secretaria e a assessoria irão abraçar e trabalhar para que haja rapidez e menos preconceito no processo. O respeito ao nome é fundamental”, afirmou.

Durante a conversa Luna também falou da importância de um ambulatório especializado no atendimento de pessoas trans no município. “Muitas pessoas que estão no processo de transição vão para a internet e começam a se automedicar de forma errada. O ambulatório é importante para garantir uma informação correta e orientação neste momento tão delicado”, esclareceu.

Para Liniker Fraga, assessor de Políticas Públicas para a Comunidade LGBTQIA+, o encontro com Luna é o primeiro passo para uma área que precisa de muita atuação. “A assessoria foi criada há um mês. Gravataí nunca teve um olhar atento para a comunidade LGBTQIA+. Por isso, temos um grande caminho a percorrer. É importante que as pessoas saibam que agora existe um espaço que elas serão acolhidas, ouvidas e ajudadas. O Governo Municipal tem trabalhado para atender todas as pessoas”, lembrou.

A primeira-dama Marlene Zaffalon parabenizou Luna por estar disposta a contribuir com a SMDH e ajudar outras pessoas. “Estas conversas nos ensinam muito, é uma troca de conhecimentos muito grande. Nós somos diversos e só por meio de momentos como este que poderemos chegar a todos. Queremos promover mais encontros como este e garantir que todas as pessoas de Gravataí se sintam acolhidas”, alegrou-se.

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