Saiba como a tecnologia poderia resolver problemas do cidadão - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Marcus e Droander, da IPV7 - Foto: Roque Lopes/oreporter.net

Saiba como a tecnologia poderia resolver problemas do cidadão

  • Roque Lopes

O João acorda cedo e vai para a fila do posto de saúde tentar uma ficha para o médico e falta ao trabalho. Maria, sua esposa, pede para a filha deixar de ir à aula para cuidar do caçula, já que ela precisa pegar os remédios que o médico receitou. Lá se vão eles, pegar um ônibus sem saber quanto tempo vão ficar esperando para ele chegar na parada. Horas depois, com R$ 20,20 a menos no bolso, gastos com as passagens, ambos voltam para casa. Ele sem a consulta e ela sem o remédio.

Casos como esse acontecem todos os dias pelo Brasil e em Cachoeirinha não é diferente. Mas qual o caminho para melhorar a eficiência do serviço público propiciando um melhor atendimento das necessidades do cidadão? Ele passa necessariamente pelo uso da tecnologia.

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O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações tem um programa chamado “Minha Cidade Inteligente”, uma evolução do programa “Cidades Digitais”. Ele ainda engatinha e tem como objetivo modernizar a gestão das prefeituras levando aos municípios uma infraestrutura de rede de fibra ótica de alta capacidade conectando os órgãos públicos locais, além de pontos públicos de acesso gratuito à internet pela população e capacitação aos servidores.

O programa também prevê ações na área de internet das coisas (objetos usados no dia a dia se conectam à internet para facilitar a vida das pessoas). A implantação de infraestrutura e utilização de tecnologia permite monitorar serviços como iluminação, trânsito e segurança. O objetivo é obter dados que permitam uma gestão mais eficiente desses setores por parte das prefeituras.

Muitos projetos, contudo, não precisam necessariamente de financiamento da União. Podem ser acessados através de uma parceria público-privada ou ainda através de contratação direta por uma Prefeitura. Especialista na área, o diretor da IPV7, empresa de Cachoeirinha com filial em Manaus e escritório em São Paulo, Droander Martins argumenta, contudo, que investimentos nessa área requerem um planejamento.

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“É necessário o desenvolvimento de um plano diretor de tecnologia da informação para que os investimentos sejam corretamente dimensionados, focando no oferecimento de serviços que proporcionem uma boa experiência do usuário e na melhor aplicação dos recursos públicos, evitando desperdício”, sustenta.

Outro ponto é que o planejamento evita o abandono de projetos por novos prefeitos, ocasionando desperdício de dinheiro, ou que ele resolva fazer algo completamente diferente apenas por vontade própria por achar que vai dar certo sem ter feito nenhum estudo antes.

A gama de soluções possíveis dentro do conceito de cidade inteligente é muito amplo. O caso de João e Maria, citado na abertura desta matéria, poderia ser facilmente resolvido. O sistema do transporte coletivo poderia estar integrado em uma rede de informações disponíveis ao usuário através de um aplicativo e também em totens nas paradas. Antes de sair de casa, eles poderiam verificar os horários e aonde está o coletivo que precisam pegar.

João, neste exemplo, nem precisaria sair de casa. Ele faria a marcação da sua consulta através de um aplicativo e Maria, quando fez sua consulta, já teria saído do consultório médico sabendo que sua receita foi separada pela farmácia da Prefeitura com a quantidade exata dos remédios, evitando o desperdício. Ela só precisaria ir até a farmácia no dia e local agendados para fazer a retirada.

Mas eles não tem internet para isso? Sem problema. A Prefeitura da cidade onde moram já criou a rede de fibra ótica interligando todos os seus departamentos e oferece acesso wi-fi grátis em diversos pontos.

O diretor de Inovação e Marketing da IPV7, Marcus Naufel, conta como a tecnologia ajudou a resolver um problema que havia na rede de saúde de Santa Cruz do Sul. Lá, não havia um sistema que permitisse saber que um paciente já havia retirado um medicamento. Sabendo disso, o paciente se aproveitava. Pegava o remédio, muitos deles de alto valor, em outras unidades e depois os revendia. “Isto causava um prejuízo financeiro enorme.”

Sobre a IPV7

A empresa com sede em Cachoeirinha reúne uma equipe de 15 profissionais altamente qualificados e muitos já passaram por grandes empresas do Brasil nas áreas de TI e Telecom. Droander iniciou sua carreira na Parks, na cidade, pelo projeto Pescar. Chegou aos mais altos postos e depois se transferiu para a HP atuando no Sul do Brasil. Com as experiência adquirida, fundou a empresa em Porto Alegre e há pouco mais de um ano voltou para Cachoeirinha.

Já Marcus é engenheiro elétrico com pós-gradução, especialização e agora está iniciando mestrado. Além de funcionários diretos, a IPV7 possui outros profissionais que são acionados conforme a complexidade de cada projeto. A empresa, recentemente, fez uma doação para a ampliação do Laboratório de Cidades Inteligentes para a PUCRS e está conduzindo um projeto em Viamão envolvendo a universidade e prefeitura.

“Nós somos uma integradora de soluções de hardware, software e serviços especializada em tecnologia da informação e comunicação. Atuamos prestando consultoria em projetos de alta complexidade. Mas nossas soluções tem um algo a mais, pois não são só voltadas a atender as necessidades dos nossos clientes mas também criar uma excelente experiência do usuário”, explica Droander.

No norte do país, a empresa está conduzindo um projeto para cinco construtoras que resolveram criar uma rede de fibra ótica para atender suas necessidades e também se tornar uma nova fonte de renda com a venda de serviços de telefonia, internet e tv a cabo. Na próxima semana, outro grupo de investidores do norte – cidades e nomes não são divulgados por restrições contratuais – desembarca em Cachoeirinha para startar um projeto para prover internet em rede de fibra ótica.

Estacionamento rotativo

Na reunião entre o prefeito Miki Breier e empresários do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), dias atrás, Droandor comentou o interesse em fazer uma parceria público-privada para assumir o estacionamento rotativo em Cachoeirinha. É algo embrionário.

Ele explica que todo o sistema seria gerenciado de forma inteligente sem a necessidade de parquímetros. Os motoristas pagariam a taxa por um aplicativo e os fiscais confeririam os carros também por um aplicativo. “Poderíamos ter também, sem nenhum problema, pontos de vendas em estabelecimentos comerciais. Os fiscais poderiam ser pessoas portadoras de necessidades especiais ou da terceira idade. Elas ainda poderiam ser olheiras em um sistema integrado com a área de segurança para passar informações”, explica.

A Prefeitura seria remunerada pelos impostos gerados e também por parte da receita. Como contrapartida, segundo Droander, empresa parceira da área de tecnologia poderia doar para a Prefeitura a reforma de todas as calçadas da Flores da Cunha. A Prefeitura ainda não tem uma decisão sobre como implantar o estacionamento rotativo. O maior problema é que não há uma definição exata sobre quem é o proprietário dos espaços onde os carros são estacionados hoje, se o poder público ou os donos dos imóveis.

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