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Atividade física ainda é a melhor prevenção - Foto: Arquivo/oreporter.net

Rotina de exercícios para quem sofre com insuficiência cardíaca


Diferente do que se costuma ver na maioria das recomendações médicas até então, estudos comprovam que portadores de insuficiência cardíaca podem se exercitar


É praticamente de praxe recomendar que os portadores de insuficiência cardíaca crônica, também denominada como ICC, se abstenham da realização de exercícios físicos, o que supostamente poderia fazer com que seus quadros se agravassem.

Essa era uma conduta médica muito aceita e utilizada, mas uma série de estudos pode revolucionar os procedimentos adotados e fazer com que os portadores de ICC também possam se beneficiar de uma rotina de exercícios, desde que adaptada às suas necessidades.Vamos aprender mais sobre o assunto, entender como se chegou a essas evidências e quais exercícios podem ser recomendados para pessoas com insuficiência cardíaca crônica.

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O que é insuficiência cardíaca crônica?

Insuficiências cardíacas são problemas de saúde que fazem com que o coração não consiga bombear o sangue da maneira que deveria, enquanto doenças crônicas são aquelas que persistem por longos períodos, como mais de seis meses.

Logo, em outras palavras, a insuficiência cardíaca crônica é uma condição duradoura que impossibilita o funcionamento adequado do coração para o bombeamento do sangue pelo sistema circulatório.De acordo com um estudo publicado em 2017 no periódico Cardiac Failure Review, estima-se que a ICC atinja pelo menos 26 milhões de pessoas em todo o mundo. Como a população mundial está em torno de 7,45 bilhões, a taxa de portadores de ICC é de aproximadamente 0,349%.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira tem 208,4 milhões de habitantes. Assim, estima-se que haja mais de 727 mil casos de ICC entre os brasileiros.Além desse indicador considerável, a ocorrência de insuficiências cardíacas crônicas está em crescimento, o que significa que mais pessoas devem ser acometidas por ela a cada dia que passa.

Como foi descoberto que os portadores de ICC podem ser exercitar?

Um estudo divulgado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte levantou dados que podem mudar esse prognóstico de uma vez por todas e ajudar no tratamento de portadores de ICC, que com isso poderão ter uma vida ainda mais saudável.

Até então, recomendava-se o repouso pelo fato de que os pacientes com insuficiência cardíaca crônica de grau leve ou moderado costumam apresentar intolerância a esforços e dispnéia. Logo, ao estarem em repouso, esses sintomas não seriam desencadeados.Entre os pacientes de ICC, existem diferenças nas anormalidades apresentadas. Alguns possuem fluxo muscular normal ou alterado durante a prática de exercícios, enquanto uns apresentam atrofias musculares por vários motivos, desde alterações das fibras musculares até desnutrição e sedentarismo.

Quando os pacientes de ICC se submetem à prática de exercícios físicos, eles apresentam adaptações morfofuncionais (novas formas de funcionamento) bem parecidas com as que acontecem em indivíduos saudáveis e que podem ser considerados como atléticos.Entre essas similaridades, encontram-se aumentos no consumo máximo e consumo regular de oxigênio e na carga de trabalho até se atingir o limiar anaeróbico, bem como na capacidade de manter trabalhos mecânicos.

Além disso, também pode se observar o aumento do tamanho das fibras musculares, no volume e na quantidade das mitocôndrias (organelas geradoras de energia) e até mesmo da atividade das enzimas oxidativas.Todas essas melhorias corroboram para um melhor prognóstico de sua saúde, bem como para tratamentos posteriores. Porém, outros dois achados podem ser considerados com um nível ainda mais elevado de importância: a melhora da disfunção anatômica e a reversão de disfunções endoteliais previamente apresentadas pelos pacientes.

Tais evidências, quando somadas ao que se via em programas de reabilitação de doenças cardíacas de todo o mundo, afirmavam que os exercícios físicos poderiam ajudar os portadores de ICC de várias maneiras, e a comprovação veio através de outro estudo, divulgado em 1999 no Journal of Cardiopulmonary Rehabilitation.Tal estudo mostrou que 50 pacientes com insuficiência cardíaca crônica participaram de um programa de 1 ano e 2 meses com exercícios em cicloergômetros, realizados a 60% do consumo máximo de oxigênio de cada indivíduo.

Quando comparados com outro grupo de controle composto por 49 pacientes de ICC não submetidos à prática de exercícios, a queda na mortalidade e na frequência de reinternação foi bastante considerável. A qualidade de vida de tais indivíduos também melhorou muito.Assim, chegou-se à conclusão de que os portadores de ICC também podem se submeter a exercícios físicos sem que isso prejudique suas capacidades cardíacas, mas, pelo contrário, faça com que eles tenham melhorias notáveis em sua saúde.

Quais exercícios podem ser feitos por portadores de ICC?

O estudo foi realizado com o uso de cicloergômetros, que são como mini bicicletas. Logo, esse é o exercício que foi comprovado cientificamente como benéfico para os portadores de ICC.Porém, outro detalhe que chama ainda mais atenção não diz respeito somente ao exercício realizado, mas sim às condições em que isso ocorreu. O estudo mostrou que os pacientes estiveram na faixa de 60% de seu VO2, que é o consumo máximo de oxigênio.Para saber qual é esse nível, deve-se passar por um exame chamado de Teste Cardiopulmonar do Exercício (TCPE), também chamado de ergoespirometria, onde é possível saber seu valor exato.

O exercício pode ser feito tanto por um cardiologista quanto por um médico do esporte e alia os dados resultantes do convencional teste ergométrico à análise dos gases que são expirados pelo paciente durante esse exercício.Ao saber qual é o consumo máximo de oxigênio do indivíduo e garantir que ele não passe de 60% de sua capacidade durante o exercício, o organismo estará imune à exposição a condições que a ICC não permite suportar, ou seja, tudo é feito dentro de uma faixa de tolerância bastante segura.

Dessa forma, a insuficiência cardíaca crônica pode deixar de ser um problema incapacitante no que tange à prática de exercícios físicos, o que permitirá aos portadores praticar exercícios controlados e, assim, ter melhorias nítidas em sua saúde física e psicológica.A recomendação é que os pacientes de insuficiência cardíaca crônica conversem com seus cardiologistas e solicitem a realização de um TCPE, sempre com o acompanhamento dos profissionais para garantir que tudo corra da melhor maneira possível.Assim, seja em uma academia da terceira idade, em academias ao ar livre ou mesmo em casa, eles poderão passar a adotar uma rotina de exercícios saudável, adequada às suas condições clínicas e que trará uma série de benefícios.

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