Quando a quarentena ajuda a aproximar um antigo sonho - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
O sonho de ser alfaiate retornou - Fotos: Arquivo Pessoal

Quando a quarentena ajuda a aproximar um antigo sonho

Pandemia de Coronavírus levou Evertom da construção civil para a máquina de costura

Gravataí – Com a chegada do coronavírus, Evertom da Silva Mendes, 48 anos, teve de buscar uma alternativa para a falta de trabalho. Atuando há mais de 30 anos na construção civil, como prestador de serviço, ele está usando a quarentena para ir atrás de um antigo sonho: ser alfaiate.

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Aproveitando a experiência da esposa, Luciana Grans de Lima, com a máquina de costura, Evertom está aprendendo a costurar, produzindo máscaras e porta-máscaras para vender. “No primeiro dia de quarentena, minha mulher deu a ideia e abracei. Estava aí uma forma de nos proteger e proteger os outros”.

Ao pôr a mão na massa, ou melhor, na máquina, um antigo sonho reviveu em Evertom. “Estava cursando eletrônica na década de 80, quando conheci um senhor, proprietário de um bar. Ele me contou sua história, que havia morado em São Paulo e tinha sido alfaiate do presidente Juscelino Kubitschek. Fiquei maravilhado e, desde então, desejei seguir a profissão”.

Algumas necessidades durante o percurso fizeram com que ele fosse postergando a realização do sonho. “Quando terminei eletrônica, meu pai precisou de mim na empresa dele e fui trabalhar em obra. A minha vida foi seguindo e o sonho sendo adiado”, conta Evertom.

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O costureiro produz máscara sob medida e anatômicas

Há três anos com Luciana, ele elogia a esposa e diz que ela tem sido sua grande incentivadora e também o ponto de partida para que ele siga a profissão. “Se não fosse ela na minha vida, talvez a realização desse desejo ficasse, mais uma vez, para depois. Ela é tudo para mim, meu grande amor e meu porto seguro”.

Orgulhoso da nova rotina, Evertom utiliza a confecção das máscaras para ganhar intimidade com a costura e ir atrás do sonho. “Já me comporto como alfaiate. Levanto pela manhã, boto uma gravata e vou para o atelier. Costurar, além de uma profissão, é também uma terapia”, ressalta.

A produção das máscaras não para

Enquanto a alfaiataria não começa, a produção de máscaras está à todo vapor, e com a ajuda da esposa. “Temos todo um processo de cuidado com a higiene, principalmente passando as máscaras à ferro depois de prontas e embaladas à vácuo. Os porta-máscaras são vendidos separadamente”, disse o mais novo costureiro.

Segundo Evertom, a confecção foi se modernizando. “Hoje fabricamos máscaras anatômicas e sob medida, de acordo com as medidas do cliente”.
O plano do futuro alfaiate é pleitear uma bolsa para cursar o ofício tão desejado assim que possível. “Como o curso é caro, estou vendo as possibilidades, tanto junto ao SENAI, quanto ao Sindicato das Costureiras. Queria iniciar ainda este ano, mas temos que esperar tudo isso passar e vai passar”.

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