POLÍCIA

Professora luta, escapa de tentativa de estupro no Parcão e cobra segurança

Ela foi arrastada para dentro do Mato do Júlio no meio da manhã da último domingo

Cachoeirinha – Foi lutando e com mordidas que a professora Andressa Freitas, 34 anos, conseguiu escapar de uma tentativa de estupro no Parcão de Cachoeirinha no meio da manhã do último domingo (23). Ela conta que frequenta uma academia na frente da área de lazer e costumava correr e fazer caminhadas no local na primeira hora da manhã ou à noite, horários nos quais há mais frequentadores.

No domingo, contudo, resolveu mudar o horário e pouco depois das 10 horas chegou ao Parcão e foi caminhando na direção da pista de skate. Ouvindo música no celular e com fones de ouvido ela não se deu conta da aproximação de um homem aparentando ter um metro e setenta, moreno, vestindo calça preta e um moletom de cor escura.

“Ele me agarrou no pescoço e disse para eu ficar quieta que nada de mal iria acontecer. Ele foi me arrastando para o mato e no local tem um desnível. Nós caímos e quando eu vi que ele não estava armado tentei escapar”, relata. O homem estava usando luvas pretas comuns de obra encontradas em qualquer ferragem.

“É um tipo de luva que tem um material que parece borracha por dentro. Ele ficou o tempo inteiro me agarrando pelo pescoço até que eu consegui morder a mão dele. A luva ficou na minha boca. Depois, durante a luta, ele moveu o braço para perto da minha boca e eu mordi novamente. Foi aí que ele me soltou e tentou dar um soco, mas errou. Ele saiu correndo para dentro do mato e eu para o outro lado”, detalha.

Na luta, Andressa perdeu o óculos e além de nervosa não conseguia enxergar muito bem. Quando saiu do mato, suja de sangue e com ferimentos no rosto, encontrou um casal caminhando e pediu ajuda. Não conseguiu. O homem, afirma, apenas lhe disse que havia uma viatura ao lado do prédio administrativo do Parcão. “Eu expliquei que estava sem óculos e ele me disse que era para ir reto que eu acharia.”

Na viatura estavam Guardas Municipais. Eles entraram no Mato do Júlio e encontraram quatro homens. “Não era nenhum deles”, diz Andressa. Ela foi conduzida para exames na UPA 24 horas e depois para a Delegacia de Política de Pronto Atendimento de Gravataí para o registro da ocorrência policial.

Falta de segurança

A professora revela que os guardas contaram que este era o sexto caso de mulheres atacadas nos últimos meses. “Se eu fui a sexta mulher atacada, o que fazem ali dentro de uma viatura? Por que não fazem ronda? Nós mulheres precisamos de mais atenção. Ali no Parcão deveria ser construído um muro bem alto na divisa com o mato ou ser colocada uma tela bem forte”, sugere.

O que mais chamou a atenção foi que o homem não se intimidou em fazer um ataque mesmo estando há poucos metros da sede da Brigada Militar e com uma viatura da Guarda Municipal também próxima. “A insegurança é muito grande. Imagina que foram procurar quem me atacou e acharam outros homens dentro do mato. O que estavam fazendo ali?”, questiona.

Durante o atendimento que recebeu, a professora revela que percebeu que o ataque a mulheres na área parece ser encarada como sendo algo normal, comum. “Não existe nada de normal nisso. É preciso que tomem providências para que nós mulheres tenhamos segurança”, salienta Andressa. Ela não pretende abandonar os exercícios. “Vou retomar os horários de antes quando tem mais gente caminhando e correndo.” Nas redes sociais, amigas de Andressa também se manifestaram cobrando das autoridades providências para que haja mais segurança no Parcão.

O que diz a secretaria de Segurança

A secretária de Segurança e Mobilidade, Tatiana Boazão, explica que o cercamento da divisa do Parcão com o Mato do Júlio vem sendo tratado pela secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo. Já a área da segurança vai providenciar a instalação de mais câmeras na área e “realocar uma unidade móvel de monitoramento”.

A reportagem entrou em contato com a secretária de Cultura, Sueme Pompeo de Mattos, que também é presidente da Associação de Justiça e Apoio às Mulheres (AJAM), mas até a publicação desta matéria não obteve retorno sobre o andamento do projeto de cercamento.

Mato do Júlio já teve vários casos de ataque a mulheres

Assaltos, tentativas de estupro e estupros não são uma novidade nas áreas vizinhas ao Mato do Júlio. Em 2016 uma mulher de 26 anos viveu três horas de terror nas mãos de um estuprador. Ela estava na parada de ônibus da Flores da Cunha quando foi arrastada para dentro do mato. Depois de várias manifestações lideradas pela política e empresária Ester Ramos e reuniões envolvendo até o Ministério Público foi definida a limpeza da área próxima da parada e o cercamento.

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