POLÍCIA

Professor investigado por abuso sexual contra crianças é preso em Cachoeirinha

Docente apresentou-se voluntariamente nesta quarta-feira (26); cinco ocorrências já foram registradas

Cachoeirinha – O professor de 59 anos investigado por suspeita de abuso sexual contra crianças na Escola Estadual de Ensino Médio Mário Quintana, no Parque da Matriz, foi preso nesta quarta-feira (26). Segundo o delegado da 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, André Lobo Anicet, o docente apresentou-se voluntariamente na unidade policial e foi preso preventivamente.

A prisão ocorreu durante a investigação de denúncias envolvendo alunas de 7 e 8 anos, matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental. Conforme a Polícia Civil, depois do registro do primeiro caso, outras quatro ocorrências foram comunicadas à delegacia. A medida foi adotada para impedir que o investigado interfira nas apurações.

Os relatos apontam que o professor colocava meninas no colo, beijava o rosto delas e tocava suas partes íntimas. Algumas crianças também relataram que ele teria segurado suas mãos e pedido que tocassem as partes íntimas dele. As acusações são investigadas como estupro de vulnerável.

Pais fizeram protesto em frente à escola

Pais e responsáveis realizaram um protesto em frente à Escola Mário Quintana nesta terça-feira (25). Durante a mobilização, uma cuidadora responsável por quatro crianças que estudam na instituição relatou que uma das meninas contou que o professor teria rasgado sua roupa íntima para tocar suas partes íntimas.

Outras mães afirmaram que o professor costumava colocar meninas no colo e beijá-las no rosto. Também foram relatadas situações em que ele teria tocado as crianças e solicitado que elas fizessem o mesmo com ele. Os depoimentos serão analisados pela Polícia Civil durante a investigação.

A primeira ocorrência chegou ao conhecimento das autoridades na quinta-feira (20), quando a Patrulha Escolar do 26º Batalhão de Polícia Militar foi acionada para atender a uma denúncia de possível abuso sexual dentro da escola.

No local, o pai de uma estudante contou que a filha havia relatado ter sido colocada no colo pelo professor. Conforme o depoimento, ele teria beijado e abraçado a menina, tocado suas partes íntimas por baixo da roupa e feito com que ela também o tocasse.

Após o primeiro relato, a mãe de outra estudante informou que a filha começou a chorar e contou ter passado por uma situação semelhante. O professor foi conduzido à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Gravataí, e o caso foi encaminhado posteriormente à 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha.

Crianças e testemunhas foram ouvidas

As possíveis vítimas foram encaminhadas para os procedimentos de perícia e avaliação psicológica. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar as crianças e seus familiares.

Segundo o delegado André Lobo Anicet, vítimas, testemunhas e a diretora da escola já foram ouvidas. Outras diligências continuam sendo realizadas, mas os detalhes não são divulgados para preservar as crianças e evitar prejuízos à investigação.

Relatos encaminhados por familiares indicam que o comportamento do professor já vinha sendo comentado entre pais de estudantes. Algumas famílias teriam decidido transferir os filhos para outras instituições depois de tomarem conhecimento das denúncias. Essas informações ainda são apuradas pela polícia.

Professor foi afastado da escola

A 28ª Coordenadoria Regional de Educação acompanha o caso desde que foi comunicada pela direção da Escola Mário Quintana. Conforme a coordenadora regional, Shirley Machado Maciel, estão sendo prestados atendimentos aos alunos, familiares e funcionários da instituição. A Secretaria Estadual da Educação informou que abriu um procedimento para apurar a conduta do servidor e determinou seu afastamento da escola.

Nota da Secretaria Estadual de Educação

A Secretaria Estadual da Educação informa que foi aberto procedimento para a averiguação da conduta de profissional com atuação na Escola Estadual Mário Quintana, no município de Cachoeirinha. O servidor encontra-se no momento afastado da instituição de ensino. Na manhã desta terça-feira, uma equipe da 28° Coordenadoria Regional de Educação (CRE) esteve na instituição de ensino para diálogo junto à comunidade escolar. Na quinta-feira, uma equipe do Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar da CRE visitará a escola para ações de acolhimento e escuta junto a estudantes, profissionais da educação e familiares.

Como denunciar

Casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes devem ser comunicados à Polícia Civil, à Brigada Militar, ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público. As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100. Em situações de emergência ou quando houver risco imediato à criança, a orientação é acionar a polícia pelo telefone 190.

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