Produtos recicláveis quase somem das ruas; recicladores sofrem - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Neusa consegue recolher metade do que conseguia antes da quarentena - Foto: Álbum Pessoal

Produtos recicláveis quase somem das ruas; recicladores sofrem

Segundo IBGE, de março para abril, consumo caiu 13% no comércio varejista no Estado e isto se reflete no descarte de recicláveis

Com a mudança de hábitos por causa do novo coronavírus, comércio fechado e boa parte das pessoas em casa, vê-se uma crescente redução no consumo. Segundo dados fornecidos no site do Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatísticas – IBGE, o Estado teve uma queda de 13% no consumo no comércio varejista em abril, isso vem de um negativo crescente, já que em março a porcentagem foi de -5%. Como consequência dessa baixa, uma categoria específica e, muitas vezes não lembrada, sentiu sua arrecadação cair em mais de 50%: os catadores de materiais recicláveis.

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Trabalhando com reciclagem desde 1997, Vilmar Pereira da Silva, 68 anos, morador do bairro Novo Mundo, em Gravataí, viu seu rendimento despencar a partir da quarentena. “A carga que eu levava duas semana para reunir, hoje levo quase um mês”. Vilmar recolhe materiais como papelão, latinhas, alumínio e cobre. “Meu rendimento mensal com os recicláveis que variava de R$1.300 a R$1.500 caiu pela metade”, desabafou.

Vilmar, desde 1997 na reciclagem: “Queda na arrecadação foi grande”

Após trabalhar 24 anos como doméstica, Neusa Terezinha Pereira, 52, está há cinco catadora de recicláveis. Conhecida na comunidade da Vila da Paz, em Cachoeirinha, pelo apelido de Cláudia, a catadora Neusa, tem 8 filhos, mas apenas o menor, Gabriel, de 15 anos, ainda reside com ela. “Nunca consegui me cadastrar no Bolsa Família, tentei o auxílio da pandemia, mas não recebi nada ainda. A única renda fixa que tenho é a pensão do meu guri, de R$200 e o que ganho com os materiais que arrecado”.
Neusa sai ainda pela manhã para catar seus recicláveis.

“Pego de tudo, papelão, papel, revista, PET, Inox, alumínio. O que puder vender eu cato”. Perto do meio-dia, ela dirige-se até o restaurante popular para garantir o almoço barato, depois continua seus passos em busca do que possa lhe render uns trocados. “Antes dessa tal pandemia eu juntava de duas a três bags por mês de garrafa PET. Hoje mal consigo juntar uma”, desabafa.

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Os depósitos que compram estes materiais já sentem a falta dos produtos. Segundo João Batista da Silva, proprietário da Reciclagem Batista, localizado na Vila da Paz, o fornecimento de recicláveis caiu 50% no geral. “Eu conseguia comprar cerca de 50 bags de PET por semana antes da quarentena, hoje levo quase um mês para conseguir a mesma quantidade”. Ele explica que cada bag contém cerca de 20 quilos de garrafas PET.

De acordo com Batista, o maior impacto foi nas PETs e, principalmente, nas latas. “Tinha catador que me trazia cerca de 30 quilos de latinhas por mês para eu comprar, hoje mal conseguem juntar 15 quilos. Isso dá uma queda de 70% na arrecadação”. Com a redução no fornecimento do material, a tendência é que o valor das PETs suba na próxima semana. “O valor do quilo da transparente vai de R$1 para R$ 1,10, e a verde de R$0,80 para R$1. Esse aumento vai acontecer pela falta do produto”, expõe Batista.

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