POLÍTICA

Prefeitura de Cachoeirinha endurece regras para obras da Corsan

Empresa está proibida de abrir novas valas até que apresente um cronograma para consertar todos os problemas

Cachoeirinha – A reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Infraestrutura Urbana (CCJ) da Câmara de Vereadores na manhã desta quarta-feira (16) era para ouvir a Corsan sobre a necessidade de a prefeitura doar áreas para elevatórias de esgoto, mas acabou assumindo outros contornos. A empresa foi proibida de abrir novas valas na cidade para a instalação de redes de esgoto e água até que apresente um plano de ação. A decisão foi tomada pelo secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Emerson Santos, e comunicada aos representantes da Aegea, empresa que comprou a Corsan.

O motivo é a demora no fechamento das valas e o serviço de pouca qualidade. Na rua Amapá, por exemplo, a previsão da obra era de 30 dias. Emerson contou que a execução se arrastou por dois meses e meio. “Estou terminando de redigir o documento para comunicar a Corsan sobre a proibição de todas as obras de engenharia. Somente estão autorizados os consertos de rede. Nós queremos um cronograma para reparar todos os estragos feitos nas ruas, inclusive no período anterior à privatização da Corsan”, disse à reportagem por volta das 15 horas desta quarta.

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Na Câmara, o gerente local, Max Wilian Vasconcellos Correa, e o coordenador de engenharia, Douglas Galeiro, ouviram muitas reclamações. A presidente da Câmara, Jussara Caçapava, coordenadora da Frente Parlamentar contra as Multas e Taxas Abusivas da Corsan, foi dura nas críticas. Segundo ela, uma idosa recebeu uma multa elevada e sequer tem dinheiro para comprar um envelope de paracetamol. Ela ainda cobrou a troca das tubulações antigas de amianto, um produto cancerígeno. Wilian argumentou que as multas aplicadas foram por irregularidades.

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Jussara pediu um laudo garantindo que a água não está contaminada. Wilian pediu para ela indicar o endereço para que o teste fosse realizado. O problema, conforme comentou o ex-prefeito e secretário de Governo, Vicente Pires, não é se a água está contaminada. Ele citou o que o vereador Mano do Parque disse sobre a proibição da utilização do amianto em diversos materiais desde 2023. “O que se discute não é se dá ou não doença”, disse Pires, salientando que a substituição deve ser feita.

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Conforme o coordenar de engenharia da Corsan, cerca de 40% da rede de distribuição de água na cidade é com tubulações de amianto. Segundo ele, há um planejamento para a troca. Na rua Amapá, por exemplo, a rede antiga foi toda substituída. Os canos de amianto são os responsáveis pela maioria dos rompimentos de rede que deixam vários bairros sem água.

Na reunião da CCJ, a Corsan também foi criticada por esburacar a cidade destruindo até o asfalto recém feito pela prefeitura. Wilian revelou que já estão ocorrendo tratativas com a prefeitura para que a empresa receba um cronograma de asfaltamento para que a troca de rede de água e instalação da rede de esgoto seja feita antes de uma rua receber asfalto novo.

A má qualidade nos reparos feitos pelas terceirizadas são de conhecimento da Corsan e Wilian destacou que reparos vêm sendo feitos. Além disso, a empresa instalou um laboratório em Canoas para fazer a análise do serviço entregue pelas empresas terceirizadas. Mas Emerson argumentou que o problema não é a qualidade do asfalto usado. O problema está na execução. O solo é mal compactado e o asfalta acaba cedendo. Além disso, na área do corte, as emendas não são bem celadas. A água penetra e um buraco se abre. Emerson chegou a dizer que a Corsan deverá refazer todo o asfalto de uma rua quando abrir valas em uma área superior a 20% da via.

O projeto para a instalação das elevatórias de esgoto em seis ruas segue tramitando na Câmara de Vereadores. A prefeitura quer ceder as áreas nos leitos das ruas para que o esgoto seja elevado na rede de forma que chegue até a estação de tratamento, no outro lado da freeway.

Confira como foi a reunião no vídeo abaixo. Na abertura, Wilian fez uma prestação de contas sobre obras realizadas para melhorar o abastecimento.

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