Polícia fará acareação entre acusadas da morte de estudante
- Roque Lopes
Está marcada para a tarde desta sexta-feira (10) uma acareação entre as três meninas, duas de 12 anos e uma de 13, acusadas de estarem envolvidas na morte da estudante Marta Gonçalves, 14 anos, na última quarta-feira (8) na escola estadual Luiz de Camões, em Cachoeirinha. O delegado Leonel Baldasso, da 1ª Delegacia de Polícia, diz que os depoimentos tomados até o momento não batem com o desfecho do caso.
O laudo do Departamento Médico Legal (DML) apontou morte por asfixia provocada por um estrangulamento. Segundo o delegado houve uso de força no pescoço da estudante e músculos chegaram a se romper. Baldasso revela que nos depoimentos as colegas de Marta disseram que a jovem tinha caído e ficou desacordada. Ele disse ao site G1 que é necessário esclarecer “se alguma delas ou mais alguém asfixiou a vítima”. O motivo da briga também precisa ser esclarecido.
A Promotoria de Defesa da Infância e da Juventude de Ministério Público vai acompanhar a acareação atendendo pedido de Baldasso. A diretora do educandário, Fani Drehmer, também foi convocada para acompanhar a nova tentativa de esclarecer o que realmente aconteceu dentro da sala de aula no terceiro andar da Luiz de Camões.
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Fani não tem atendido mais à imprensa. Ela deu uma única entrevista para a Rádio Gaúcha no dia posterior ao ocorrido explicando que o caso teria ocorrido na troca de turno naquela tarde. O professor estava indo para a sala de aula quando foi avisado que havia uma aluna caída no chão. Marta foi encontrada deitada e convulsionando, disse. A diretora ficou sabendo da briga somente no hospital Padre Jeremias, para onde a estudante foi removida depois de um atendimento inicial feita por profissionais do posto de saúde Luiz de Camões, localizado ao lado da escola. Para o Jornal do Almoço a coordenadora do posto, Gelci Machado Rodrigues, disse que já encontrou Marta sem vida e ela não apresentada nenhuma lesão visível no corpo.
Até a chegada do pessoal da saúde, um professor tentava a reanimação com massagem cardíaca enquanto uma professora fazia respiração boca a boca, conforme relatos de Gelci. A SAMU foi chamada e chegaram a tentar reanimar Marta com um aparelho desfibrilador, sem sucesso. Ela foi removida para o hospital, onde foi contatada a morte.
A adolescente, que morava na Zona Norte de Porto Alegre, havia se mudado para Cachoeirinha em dezembro do ano passado com a mãe. Era o seu segundo dia de aula na Luiz de Camões. A família e amigos estão abalados e pedem justiça. O caso ganhou enorme repercussão e ganhou espaço nos noticiários nacionais. Nas redes sociais, matérias publicadas pelo site oreporter.net já tiveram mais de 10 mil compartilhamentos e foram acessadas por mais de 80 mil pessoas. A escola não teve aula ontem e nesta sexta-feira também permanecerá fechada.
Laudo indica homicídio
O laudo do DML indica que Marta foi assassinada. É isto que o delegado Leonel Baldasso quer esclarecer apurando quem foi a pessoa responsável pelo estrangulamento da estudante. No caso de o homicídio ser comprovado, a responsável direta, ou seja, autora do estragulamento, poderá receber a pena mais severa definida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Não há no ECA a tipificação de homicídio praticado por crianças e adolescentes. O crime é considerado um ato infracional. A pena mais grave, conforme o artigo 122, é a internação só possível quanto o ato infracional é cometido por grave ameaça ou violência a pessoa. A pena máxima é de 3 anos de internação período pelo qual o acusado é submetido a medidas sócio-educativas. A Justiça poderá determinar a internação imediata, assim que a autora ou autoras forem identificadas, por um período máximo de 45 dias até que saia a sentença.


