Polícia Civil deflagra a Operação Laverna em Cachoeirinha - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Um dos veículos apreendidos pela polícia - Fotos: Polícia Civil/Divulgação

Polícia Civil deflagra a Operação Laverna em Cachoeirinha

Polícia faz operação contra lavagem de dinheiro e estelionato em Cachoeirinha e mais seis cidades da grande Porto Alegre e litoral

Cachoeirinha – Após seis meses de investigação, a Polícia Civil, em conjunto com a Polícia Rodovia Federal, deflagrou na manhã desta terça-feira (08) a Operação Laverna, com foco no crime de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores provenientes de infração penal. A ação ocorreu em sete cidades da região  metropolitana, incluindo Guaíba, Porto Alegre, Xangri-lá, Tramandaí, Cachoeirinha, Canoas e Esteio. 

Setenta e quatro ordens judiciais foram cumpridas, sendo 35 afastamentos de sigilo bancário, fiscal e financeiro, 10 bloqueios de contas bancárias, 2 sequestros de bens imóveis, indisponibilidade de 14 veículos e 13 mandados de busca e apreensão. A indisponibilidade de bens móveis e imóveis totaliza aproximadamente o montante de R$7 milhões de reais. Em Cachoeirinha, os mandados foram cumpridos em um condomínio residêncial, na região do Distrito Industrial.

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Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em janeiro deste ano, com a prisão de uma pessoa em flagrante a pelo crime de estelionato, de indivíduo já monitorado pelos policiais da DP de Guaíba. A prisão ocorreu em ação conjunta com a PRF no momento em que o alvo transportava, em um caminhão, uma carga de produtos químicos pela qual não havia efetuado o pagamento. Diante da situação de flagrância, tal como de posse das informações previamente arrecadadas pelos investigadores, concluiu-se que a prisão do alvo em flagrante era somente a concretização de mais um golpe de tantos já aplicados na cidade de Guaíba.

Durante as investigações constatou-se que o golpe aplicado pelos criminosos, notadamente o crime de estelionato, dividia-se basicamente em duas fases. Na primeira etapa consiste na procura que o líder da organização criminosa executa em busca de CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) com boa reputação no mercado, tal como ampla linha de crédito. Utilizando nome falso e CNPJ de terceiros mediante procuração, o investigado e seus comparsas passam a concretizar a segunda fase do esquema, popularmente conhecido como “Golpe da  Arara”. 

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Já na segunda fase, o “Golpe da Arara” executado pelo investigado e seus comparsas consistia em realizar compras de outras empresas com entrega antecipada ao  pagamento ou até mesmo, com pagamento parcelado, sendo efetuado somente o pagamento de entrada e as demais parcelas ficando em débito com os fornecedores. 

No modus operandi constatado, os fornecedores cumpriam com a obrigação da entrega, contudo os golpistas não executavam o pagamento posterior. Os mais de 20 fornecedores vitimados estão localizados em diversos Estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, ratificando a  magnitude dos crimes praticados, bem como fornecendo produtos das mais diversas áreas mercantis, tais como construção, eletroeletrônicos e até mesmo mercado calçadista.

Ainda durante as investigações, os policiais chegaram em indícios suficientes do provável destino das mercadorias arrecadadas mediante fraude: a comercialização das mesmas abaixo do valor de mercado. Assim, constatou-se as duas fontes de capital ilícito por meio dos criminosos, sendo  elas: as mercadorias arrecadadas sem o pagamento, bem como a comercialização  dos produtos que nem pagos foram. Em elementar consulta na fonte aberta do site da Central Nacional de Protestos, verificou-se que o CNPJ da principal empresa utilizada pela organização criminosa conta com mais de 460 protestos somente em Guaiba, totalizando um montante aproximado de R$ 2,7 milhões em dívidas não pagas em dívidas não pagas. A incompatibilidade do capital movimentado pelos investigados com o patrimônio registrado em seus nomes gerou suspeita de lavagem de ocultação de valores e bens.

O Diretor da 2ª DPRM – 2ª Delegacia Regional Metropolitana, Delegado Mario Souza, destaca que “segundo as informações, chama a atenção mais de 400 protestos de títulos de uma das empresas. Durante os seis meses de investigação criminal, diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas de diferentes maneiras aos investigados passaram a ser analisadas, resultando em 35 alvos investigados relacionados, tanto ao crime antecedente, quanto ao crime de Lavagem e ocultação de bens, direitos e valores provenientes do estelionato, caracterizando uma verdadeira organização criminosa.” O nome é Laverna devido a referência da Deusa romana dos ladrões e trapaceiros.

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