CACHOEIRINHA

Plano de Cachoeirinha detalha áreas de risco, rotas de fuga e treinamento de moradores

Audiência pública foi realizada na noite desta quarta na Câmara de Vereadores

Cachoeirinha – A revisão do Plano de Contingência Municipal (PLANCON), apresentada em audiência pública na quarta-feira (23), identifica áreas sujeitas a inundações e enxurradas em Cachoeirinha e estabelece como a população deverá ser alertada e retirada em caso de perigo. O documento prevê pontos de encontro, rotas de saída, simulados e treinamento de moradores. A prioridade é fazer a evacuação antes que a água bloqueie as ruas.

O plano foi apresentado pelo chefe do Departamento de Controle de Área de Risco, Michel Rodrigues Fabiano, que conduziu os trabalhos de revisão. A versão anterior é de 2023. Segundo o secretário municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática, Alexandre Rossatto Braz, a enchente de 2024 tornou necessária a atualização. O Estado também recomendou a revisão, embora essa recomendação não tenha sido mencionada pelo secretário durante a apresentação.

Rossatto Braz afirmou que Cachoeirinha dispõe hoje de uma estrutura maior para enfrentar eventos climáticos, após a criação da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática (SMDCRC) e a contratação de dez agentes. A revisão incorpora a experiência de 2024, o mapeamento de risco produzido pelo Serviço Geológico do Brasil e procedimentos para coordenar alertas, resgates e abrigos.

Onde o plano identifica riscos

A apresentação classifica os setores conforme a gravidade do risco, de médio (R2) a muito alto (R4). Os números de imóveis e pessoas expostas são estimativas usadas no planejamento da resposta. Entre as áreas detalhadas estão:

  • Meu Rincão: Trechos próximos à Rua Cipó e à Estrada do Nazário aparecem como de muito alto risco (R4), devido às cheias do Arroio Sapucaia e à erosão das margens. O plano aponta a Igreja IPAD Ministério da Restauração, na Rua Nova Pinheiros, nº 30, como ponto de encontro e possível abrigo imediato
  • Jardim América e entorno: O setor associado à Rua Nossa Senhora da Boa Viagem abrange também Santo Ângelo, Veranópolis, Eunice, Eunice Velha e Imbuí. Classificado como de alto risco (R3), reúne a maior população exposta indicada na apresentação: 9.612 pessoas em 2.403 imóveis. A estratégia prevê monitorar o dique e as casas de bombas, emitir alertas antecipados e preparar uma eventual retirada em grande escala
  • Jardim do Bosque: A região da Rua da Figueira, sob influência do Arroio Passinhos, é classificada como de muito alto risco (R4). O levantamento aponta 216 edificações e 864 pessoas expostas a enxurradas e inundações de rápida evolução. O material não estabelece uma rota ou um ponto de encontro específico para esse setor
  • Carlos Antônio Wilkens: A área da Avenida Beira Rio é classificada como de alto risco (R3) e não conta com dique de proteção. A apresentação registra que a inundação de 2024 também atingiu Jardim Vitória, Jardim Conquista, Vila da Paz, Márcia e a ocupação Nossa Senhora Aparecida. O plano prevê retirada antecipada, antes do bloqueio das vias
  • Olaria: Um trecho da Avenida Beira-Rio junto ao Rio Gravataí aparece como de muito alto risco (R4). O monitoramento do nível do rio e a evacuação preventiva são apontados como medidas centrais para a área
  • Parque da Matriz: A região delimitada pelas ruas Tijuca, Pacaembu, Concórdia e Barão do Cotegipe é classificada como de risco médio (R2). O problema descrito está ligado às chuvas intensas, ao Arroio Passinhos e à capacidade da drenagem urbana. O plano prevê monitoramento e, em situações excepcionais, retirada para áreas mais elevadas
  • Outros setores: O mapeamento também inclui trechos do Distrito Industrial junto ao Arroio Brigadeiro, o Loteamento Canarinho e a Rua Pedro da Silva Bernardes, próximos ao Arroio Águas Mortas, além da Vila Princesa Isabel, da Rua Flávio Cantanhede, na Vila Silveira Martins, e da área da Estação Experimental do Arroz, do IRGA

A existência de uma rota desenhada no plano não significa que ela poderá ser usada em toda ocorrência. Conforme a apresentação, as equipes poderão alterar caminhos e pontos de encontro se houver ruas bloqueadas ou avanço da água. Em alguns setores, a saída será definida no momento da emergência, porque ainda não há rota específica mapeada.

O que os moradores devem fazer

Pela proposta, os moradores devem acompanhar os alertas oficiais e sair quando a Defesa Civil determinar a evacuação, sem esperar a água atingir a residência. O deslocamento deve ser feito com segurança até o ponto de encontro indicado. O plano orienta a não atravessar vias alagadas, manter documentos e medicamentos em uma mochila de emergência e aguardar autorização técnica antes de retornar a uma casa atingida.

As equipes darão prioridade a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, idosos, crianças, gestantes e moradores que dependem de cuidados de saúde. O documento recomenda, quando houver condições seguras, o deslocamento a pé até os pontos de encontro, para preservar as vias para ambulâncias, ônibus e veículos de resgate.

A revisão também prevê simulados de evacuação para testar alertas, rotas, transporte e atendimento. Nas escolas, estão previstas atividades de orientação e exercícios com estudantes. Para as comunidades, o plano propõe capacitação em percepção de riscos, primeiros socorros e suporte básico à vida.

Outra proposta é organizar Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil nas áreas de alto e muito alto risco. A intenção é que moradores participem da identificação dos perigos, da definição de caminhos de saída e da criação de redes locais de aviso, com acompanhamento da SMDCRC. A apresentação descreve essas ações como parte da revisão do plano, sem informar um calendário de implantação dos núcleos e treinamentos.

Cobranças durante a audiência

Parte dos questionamentos feitos na audiência tratou de medidas de proteção que vão além dos procedimentos de resposta previstos no PLANCON. Representantes da Associação dos Geólogos, Engenheiros e Arquitetos de Cachoeirinha, engenheiros Bruno Bandeira e Giovani Francelino, perguntaram sobre o orçamento da SMDCRC e a aplicação de recursos anunciados. O representante dos moradores do Parque da Matriz, Elenilso Portella, cobrou rapidez no estudo e no projeto de contenção para o bairro.

Representando a prefeita Jussara Caçapava, o assessor especial Cláudio Ávila reconheceu que ainda são necessárias muitas ações para proteger a cidade das enchentes, mas avaliou que Cachoeirinha já não está “à deriva”. Sobre o Parque da Matriz, afirmou que o município passou dois anos sem negociar com o Estado a liberação de recursos para projetos e que o bairro não estava incluído nos estudos previstos. Segundo Ávila, a prefeita retomou as conversas e o Parque da Matriz passou a ser contemplado.

A audiência foi convocada para apresentar a revisão e receber contribuições da sociedade. O plano organiza a preparação e a resposta a desastres; os estudos e as obras de contenção cobrados durante o encontro dependem de etapas próprias para sair do papel. O Plano será publicado no site da Prefeitura nos próximos dias e o link divulgado para a população ter conhecimento.

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