CACHOEIRINHA

Cachoeirinha terá chuvas acima da média, mas enchente como a de 24 não deverá ocorrer

Meteorologista participou da audiência pública desta quarta quando aconteceu a apresentação da revisão do Plano de Contingência

Cachoeirinha – Cachoeirinha deve registrar chuva acima da média nos próximos meses, com possibilidade de temporais, granizo e vendavais. A previsão foi apresentada pelo meteorologista Fábio Henrique Corrêa, da Catavento Meteorologia, durante a audiência pública de quarta-feira (23), que discutiu a revisão do Plano de Contingência Municipal. Segundo ele, o El Niño deve intensificar as chuvas no Sul do Brasil, mas os modelos analisados não apontam, neste momento, para uma repetição em Cachoeirinha da enchente de maio de 2024.

Para outubro e novembro, Corrêa projetou acumulados mensais em torno de 200 a 250 milímetros na cidade. Em dezembro, o volume pode chegar a cerca de 300 milímetros. Na apresentação, ele também estimou entre 750 e 850 milímetros para Cachoeirinha no trimestre de setembro a novembro. São projeções sazonais, sujeitas a mudanças, e não indicam em quais dias a chuva ocorrerá.

O meteorologista explicou que o aquecimento das águas do Pacífico associado ao El Niño altera a circulação atmosférica e favorece a entrada de ar quente e úmido no Sul. O encontro dessa massa de ar com frentes frias pode aumentar a intensidade das tempestades. A previsão é de que o fenômeno continue influenciando o clima pelo menos durante o começo de 2027. Centros de monitoramento climático também apontam o fortalecimento do El Niño e maior probabilidade de chuva acima da média na Região Sul.

Apesar dos volumes previstos, Corrêa fez uma distinção entre esta projeção e o desastre de 2024. Conforme a comparação apresentada por ele, a região recebeu cerca de 850 milímetros em aproximadamente uma semana naquele episódio, volume semelhante ao que agora é projetado para três meses. O meteorologista afirmou que os maiores excessos de chuva associados ao atual El Niño são esperados no sudoeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e noroeste do Rio Grande do Sul, fora da bacia do Guaíba.

Isso não elimina o risco de transtornos em Cachoeirinha. Corrêa citou a possibilidade de episódios pontuais de chuva intensa, granizo e vendavais, inclusive quando uma frente permanecer por mais tempo sobre a região. A quantidade de chuva acumulada ao longo de um trimestre não permite prever, sozinha, se haverá alagamentos ou elevação perigosa dos rios em um dia específico.

A apresentação ocorreu durante a audiência sobre a atualização do Plano de Contingência Municipal. A revisão incorpora a experiência da enchente de 2024 e detalha o monitoramento das áreas de risco, a emissão de alertas, as rotas de evacuação e o atendimento aos moradores. Para Corrêa, a perspectiva de eventos climáticos intensos reforça a necessidade de manter o plano atualizado e as equipes preparadas para colocá-lo em prática.

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