Passagem das linhas municipais de Gravataí sobe neste sábado
O novo valor representa cerca de 60% da tarifa técnica do sistema, que atualmente está em R$ 11,67, valor que reflete o custo real do transporte por passageiro e que deveria ser cobrado

Gravataí – A prefeitura de Gravataí anunciou que a tarifa do transporte coletivo municipal será reajustada para R$ 7,40 a partir da 0h deste sábado (19). O novo valor, ainda assim, representa cerca de 60% da tarifa técnica do sistema, que atualmente está em R$ 11,67, valor que reflete o custo real do transporte por passageiro. A diferença é coberta pela prefeitura, que, desde 2022, mantém o Programa Municipal de Reestruturação e Qualificação do Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros – Procoletivo, um programa de subsídio criado para preservar a modicidade tarifária e garantir a sustentabilidade do serviço.
Sem o aporte financeiro municipal, a tarifa ao usuário inviabilizaria o acesso de grande parte da população ao transporte público. Hoje, cerca de 40% dos passageiros do sistema não pagam tarifa, garantida por leis que asseguram gratuidades a idosos, estudantes e pessoas com deficiência.
A alteração ocorre dias após o aumento da tarifa intermunicipal, de responsabilidade do governo do Estado. Após os impactos da pandemia de covid-19, a prefeitura adotou medidas firmes para recuperar a confiança no transporte coletivo. Por meio do Procoletivo, a oferta total de viagens e horários foi restabelecida, mesmo com a demanda ainda em queda.
A estratégia teve como objetivo reconquistar os usuários que migraram para outros meios de transporte, como carros, motos e aplicativos. Apesar dos esforços, o número de passageiros segue diminuindo, o que compromete o equilíbrio econômico-financeiro da operação. Em maio de 2019, antes da pandemia, o número de passagens pagantes era de 358.611. No mesmo período deste ano, este número foi de 255.892, uma redução de quase 30% no número de pagantes.
Outro fator agravante é a ausência de repasses do Governo Federal para os sistemas de transporte público urbano desde o fim da pandemia. Sem esse apoio, os municípios precisam arcar sozinhos com os custos crescentes do sistema.
Frota municipal moderna e com ar-condicionado
Apesar dos desafios, Gravataí segue oferecendo um dos sistemas mais modernos da região metropolitana. A frota municipal conta com 68 veículos – que realizam mensalmente 3.060 viagens -, sendo que cerca de 50% têm até três anos de uso e são equipados com ar-condicionado. O sistema também conta com monitoramento por GPS implantado pela prefeitura, integração tarifária com ônibus intermunicipais e bilhetagem digital, que oferece mais praticidade, transparência e segurança ao usuário.
O contrato atual de concessão do transporte coletivo de Gravataí vigora até o primeiro semestre de 2026. Para planejar um novo modelo mais eficiente e moderno, a prefeitura de Gravataí contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que está desenvolvendo os estudos técnicos para a reestruturação do sistema, incluindo a revisão de linhas, tipos de veículos, metas de eficiência e melhorias no controle e na prestação do serviço.
A prefeitura de Gravataí reforça seu compromisso com a população, atuando de forma responsável para garantir que o transporte coletivo municipal continue sendo acessível, eficiente e de qualidade, mesmo diante de um cenário econômico desafiador para os sistemas públicos de transporte em todo o país.
O sistema de transporte coletivo de Gravataí opera sob um modelo de rede universalizada, com tarifa única para todos os usuários, independentemente da distância percorrida. Essa característica, aliada à grande extensão territorial do município, resulta na necessidade de operação de diversas linhas com longos percursos e baixa taxa de ocupação.
Essa configuração impacta diretamente no desempenho operacional do sistema, reduzindo o índice de passageiros por quilômetro (IPK), que era de 0,99 em maio de 2019, e passou para 0,80 em maio de 2025 – refletindo uma queda significativa ao longo do período que impacta diretamente no custo da tarifa. Essa tendência impõe desafios à manutenção do equilíbrio financeiro do sistema e evidencia a necessidade de ajustes operacionais e políticas públicas voltadas à sua qualificação e racionalização.






