Para ninguém esquecer: família deixa cruz e flores no local onde idoso morreu em Cachoeirinha
Além de preservar a memória de Leonardo, a iniciativa busca chamar a atenção para a necessidade de respeito às regras de trânsito
Cachoeirinha – Uma cruz de madeira e um vaso com flores artificiais passaram a marcar o local onde Leonardo Antônio Ferreira da Luz, de 76 anos, morreu após ser atropelado em Cachoeirinha. A homenagem foi instalada pelos familiares na Avenida Flores da Cunha, no cruzamento com a Rua Tapajós, onde o idoso foi atingido enquanto atravessava a faixa de pedestres, no dia 17 de agosto.
Além de preservar a memória de Leonardo, a iniciativa busca chamar a atenção para a necessidade de respeito às regras de trânsito. Em entrevista ao O Repórter, o filho, Mateus da Luz, falou sobre a trajetória do pai, a perda e o significado da homenagem.

Natural de Antônio Prado, Leonardo era casado com Inês havia 47 anos, formado em Administração de Empresas, servidor publico da Trensurb e voluntário no Conselho Municipal do Idoso de Cachoeirinha (CONDI) e na ASAPEG. Desde 1985, o casal morava na Rua Tapajós. Eles tiveram quatro filhos — Fabrício, Natália, Mateus e Jéssica — e dois netos: Noah, de quatro anos, e Miguel, de apenas 48 dias.
Segundo Mateus, Leonardo era conhecido na vizinhança pela disposição em ajudar, além de ser considerado caridoso, honesto e de bom senso. Ele também participou durante décadas da comunidade católica da Paróquia São Vicente de Paulo, mantendo uma relação próxima com os párocos.
Cruz marca o local do atropelamento
Instalada na semana passada, a cruz passou a marcar o ponto onde Leonardo perdeu a vida. Para a família, mais do que identificar o local da tragédia, o gesto representa uma maneira de manter viva a lembrança de quem partiu de forma repentina e deixar um alerta para quem passa diariamente pela avenida.

Para Mateus, colocar a cruz foi um momento difícil, mas também necessário. A ausência do pai ainda está presente na rotina da família. “Às vezes parece que ele vai chegar em casa a qualquer momento. Ainda sentimos a presença dele. É muito triste”, relatou. A intenção é que a marca deixada no local também provoque uma reflexão sobre o trânsito e o respeito à vida. “No dia em que instalamos, foi um momento muito marcante e cheio de sentido para nós. A sociedade precisa saber que ali alguém perdeu uma vida”, afirmou Mateus.
Investigação continua
Leonardo foi atropelado no início da noite de 17 de agosto enquanto atravessava a Avenida Flores da Cunha pela faixa de pedestres. Conforme relatos de testemunhas repassados aos agentes de trânsito e policiais militares do 26º BPM, o sinal estaria fechado para os veículos no momento da travessia.
Ele foi atingido por um Volkswagen Gol. Após o atropelamento, o motorista deixou o local sem prestar socorro e fugiu pela Rua Papa João XXIII, em direção à Freeway. Leonardo foi socorrido pelo SAMU e encaminhado ao Hospital Padre Jeremias, mas morreu pouco depois de dar entrada na unidade.
O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, sob responsabilidade do delegado André Lobo Anicet. A Polícia Civil analisa imagens de câmeras de segurança e colhe depoimentos para esclarecer as circunstâncias do atropelamento e identificar quem estava na direção do veículo. Na manhã seguinte ao acidente, o Gol branco foi localizado abandonado pela Brigada Militar na Rua Portugal, no bairro Nossa Senhora das Graças. A localização do veículo não encerrou a investigação.
Um alerta para o trânsito
A família procurou a ONG Vida Urgente para solicitar a pintura da tradicional borboleta no asfalto, símbolo utilizado em ações de conscientização e em memória de vítimas de acidentes de trânsito. Segundo os familiares, a iniciativa depende de uma parceria entre a organização e a Administração Municipal, que atualmente não existe. A pintura, no entanto, é realizada anualmente em diferentes pontos, conforme as parcerias estabelecidas pela entidade.
A preocupação com a segurança no trânsito também é reforçada pelos números registrados em Cachoeirinha. Segundo dados do Detran-RS citados pelos familiares, entre janeiro e abril de 2026 foram registrados quatro acidentes com vítimas fatais em vias municipais, sendo três atropelamentos seguidos de morte.

Para Mateus, os dados reforçam a necessidade de discutir comportamentos como excesso de velocidade, uso do celular ao volante e desrespeito à sinalização. “Avançar um sinal amarelo ou vermelho, acelerar para ganhar alguns segundos ou dirigir distraído pode parecer uma pequena imprudência para quem está ao volante. Para quem está atravessando uma rua, porém, as consequências podem ser irreversíveis”, afirmou.
Segundo ele, respeitar a sinalização, a faixa de pedestres e os limites de velocidade é uma forma de preservar vidas. Nesse contexto, a cruz colocada no local do atropelamento também funciona como um alerta para os motoristas que passam diariamente pelo cruzamento.
Leonardo será lembrado em novembro
No dia 14 de novembro de 2026, Leonardo será lembrado em um evento organizado pela ONG Vida Urgente, na Praça da Juventude Thiago Gonzaga, em Porto Alegre. Até lá, a cruz e as flores permanecerão no cruzamento da Avenida Flores da Cunha com a Rua Tapajós como símbolo da vida interrompida e um lembrete de que o respeito às regras de trânsito pode evitar novas tragédias.





