Pandemia foi o empurrão necessário para empresária entrar nas vendas digitais - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Viviane e Neida com a equipe - Foto: Álbum Pessoal

Pandemia foi o empurrão necessário para empresária entrar nas vendas digitais

Após 30 anos de tradição no mercado, empresa de chocolates abraça comércio virtual para enfrentar a pandemia e manter funcionários

Cachoeirinha – No auge da produção para a Páscoa, a empresária Viviane Goulart de Souza, 43 anos, viu toda sua estratégia de vendas para a época cair por terra com o início da pandemia. “Era dia 15 de março, estava com 80% dos chocolates prontos para a venda e precisei fechar a loja devido à quarentena. Dei folga para minhas funcionárias e fiquei dois dias me reorganizando para continuar trabalhando”.

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Segundo Viviane, a chocolates Alska foi criada há 30 anos na cozinha da sua avó, dona Maria Zilda, que produzia os chocolates, e por sua mãe, Neida, que era responsável por vender. A empresa levou muitos anos para chegar ao patamar que está hoje e precisou vencer a barreira de atender apenas fisicamente, através de sua loja e feiras, e migrar para as vendas digitais. “No dia seguinte após ter parado, me cadastrei no IFood, atualizei o site para vendas online e fui criando formas de atender o público e vender a minha produção dentro do contexto que estamos vivendo”.

Outra estratégia criada foi a campanha piloto “O Coelho entrega o seu chocolate”. “Divulgamos para os condomínios aqui da cidade, através das redes sociais. O cliente fazia a compra online e agendava a entrega para sábado ou domingo de Páscoa, feita diretamente pelo Coelho, que era meu filho Júnior fantasiado. O retorno foi super positivo, as crianças amaram receber o chocolate do próprio coelho”, conta Viviane.

Júnior, filho de Viviane, se fantasiou de Coelho para protagonizar estratégia criada para alavancar vendas

Essa ação e a entrada para o comércio virtual, garantiram a venda do estoque que já estava pronto. “Como boa brasileira, acostumada a trabalhar bastante e se reinventar, pois para o pequeno empreendedor não é fácil, todo dia é um desafio, estou buscando me aprimorar, trazer novidades, aumentar a oferta de produtos, comunicar melhor através das redes sociais, ouvir os clientes, colocar ideias adormecidas em prática”, afirma a empresária.

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Além da Páscoa, a fábrica enfrentou outro baque, que foi o cancelamento de cerca de 40 festas já agendadas, para as quais forneceriam os doces. “Cerca de 80% do meu faturamento, fora o período da Páscoa, vem da produção de doces para eventos e tudo foi cancelado ou adiado”. Para superar isso,fomos atrás de consultoria para as redes sociais, criamos outros produtos, como pequenos combos para comemoração em família, tudo para minimizar os prejuízos”, relata Viviane.

Segundo Cristiane Corrêa, consultora empresarial que presta serviços ao Sebrae, dentro desse contexto de Pandemia muitas empresas foram inseridas “à força” no contexto digital como única forma de se manterem em atividade. “A quarentena serviu como um empurrão necessário para algumas empresas que ainda estavam presas às lojas físicas, migrassem para a venda digital”.

Consultora afirma que as vendas digitais vão muito além que posts nas redes sociais, é preciso planejamento

A consultora ressalta que o marketing digital é muito mais que um post no facebook e instagran. “Conseguir público (seguidores) leva tempo e dá trabalho, porque você precisa gerar conteúdo que seja relevante para eles. A grande dificuldade das empresas não está em aprender a usar um anúncio impulsionado, mas criar a estratégia para alcançar o cliente que vai consumir seu produto”.

Readaptada a nova realidade, a chocolates Alaska conseguiu manter seu quadro funcional fixo, cortou o máximo de gastos possíveis e deixou os planos de reforma da loja e fábrica para um outro momento. “Além das minhas funcionárias, toda a minha família está envolvida na empresa, como o meu esposo, Júlio; meu pai, Rogério; e as minhas filhas Manu e a pequena Juju. Nesse momento, todos contribuem com novas ideias para superarmos os desafios que são diários”, orgulha-se a empresária, que já prepara os filhos, a quarta geração da família a dar continuidade ao trabalho. “O mais importante em todo esse processo é se reinventar e não desistir nunca”, conclui.

Neida e Viviane: antes da pandemia, fornecimento de doces para festas garantia 80% dos lucros da empresa

Para atingir o consumidor, Cristiane dá algumas dicas como manter postagens frequentes para que estas alimentem o algoritmo da rede usada e tenha o retorno da audiência. “Por isso é tão importante a frequência e o conteúdo, usar boas fotos dos produtos com legendas claras e informativas. Criar uma comunicação assertiva em um mercado disputadíssimo, tem que ter paciência, dedicação e investimento, não só financeiro, mas de tempo também.”.
De acordo com a consultora, o marketing digital é apenas uma das ferramentas que as microempresas tem para utilizar a seu favor, ter planejamento estratégico de como agir nesse momento é fundamental. “Não é a empresa que mais tem recursos que se manterá viva, mas aquela que mais rápido se adequar a nova realidade”.

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