POLÍTICA

Os detalhes do investimento bilionário para fabricação de chips em Cachoeirinha

Protocolo de Intenções entre o Governo do Estado e a Tellescom Semicondutores Ltda foi assinado nesta segunda na inauguração do escritório Invest RS em São Paulo

Cachoeirinha – A fábrica de chips de R$ 1 bilhão vai ser construída em Cachoeirinha em uma parte da área da antiga Cientec e que hoje está com a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (URGES). A previsão é de que a operação da Tellescom Semicondutores Ltda inicie entre 2027 e 2028. O terreno permite a construção de quatro fábricas conforme o projeto que estima a geração de 1 mil empregos diretos e um faturamento anual que pode chegar a R$ 1 bilhão.

Um protocolo de intenções foi assinado nesta segunda-feira (23) pelo governador Eduardo Leite durante a inauguração do escritório do Invest RS em São Paulo. O terreno em Cachoeirinha pertence à Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) e será transferido à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) para a comercialização da empresa via incentivos do Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial (Proedi). A outra parte do terreno continua com a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), que tem um projeto de um polo tecnológico no local.

O CEO da Tellescom, Ronaldo Aloise, explicou ao site oreporter.net que há uma negociação em andamento com uma empresa da Malásia para a transferência de tecnologia. Segundo ele, todas as empresas que produzem chips no Brasil possuem parcerias tecnológicas e o modelo será seguido no investimento em Cachoeirinha

A operação vai iniciar com uma fábrica para o encapsulamento de semicondutores. “O produto final do processo, que envolve duas fases, é um chip”, explica. A empresa tem no horizonte abastecer o mercado do Brasil, América e Europa com componentes eletrônicos para as áreas de comunicações, automotivas e computação avançada.


O faturamento anual projetado, conforme Júnior, fica entre US$ 150 e US$ 200 milhões, o que daria em torno de R$ 1 bilhão hoje, no valor mais alto. A projeção, contudo, deverá variar a depender de cenários futuros envolvendo os tipos de produtos e mercados.

“Este anúncio representa uma virada de chave para Cachoeirinha, que passa a figurar no mapa nacional da indústria de alta tecnologia, assumindo protagonismo na construção de um novo momento econômico para o Estado”, destacou a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Sueme Pompeo de Mattos.

Sueme participou da assinatura do protocolo de intenções em São Paulo. “A escolha de Cachoeirinha é estratégica. Estamos em uma localização privilegiada, com acesso imediato à Região Metropolitana, ao Aeroporto Salgado Filho, ao Porto de Rio Grande e às principais rodovias que conectam o Estado ao restante do Brasil e do Mercosul, além de contarmos com um polo industrial consolidado, inovador e em expansão”, salientou.

Impacto na arrecadação da prefeitura

O investimento da Tellescom em Cachoeirinha, além de fomentar o surgimento de um polo de tecnologia de alta tecnologia, também vai ser refletir na arrecadação da Prefeitura. Ele, contudo, ainda não pode ser estimado. Isso ocorre porque a Tellescom vai ter incentivos fiscais do Governo do Estado e as bases ainda serão negociadas. Nesta segunda ocorreu apenas a reserva do terreno para a empresa. Com o início da operação, o faturamento gerado entrará no cálculo, mas o impacto será sentido gradativamente conforme a fórmula de cálculo.

Desde o fechamento da fábrica da Souza Cruz em Cachoeirinha em 2016, a Prefeitura vem experimentando uma queda na arrecadação de ICMS. A cada ano, ela aumenta por conta da movimentação do mercado com perda de novas empresas.

Quando a Souza Cruz fechou, o Índice de Participação do Município no bolo do ICMS estava em torno de 1,5. Hoje, conforme revelou o assessor especial do Gabinete do Prefeito, Jaime Haupenthal, na semana retrasada, durante a audiência pública de apresentação do Plano Plurianual (PPA), o índice está em 0,9. Se o índice fosse o de 1,5, Cachoeirinha teria uma expectativa de receita de ICMS de R$ 190 milhões para 2026 contra os R$ 136 milhões estimados. A perda anual gira ao redor de R$ 50 milhões.

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Avanço do programa Semicondutores RS

Segundo a secretária Simone Stülp, a assinatura do protocolo dos protocolo de intenções e do acordo de cooperação com a Chipus [leia no final da matéria] nesta segunda são fundamentais para o avanço do programa Semicondutores RS, contribuindo para a criação de um ecossistema mais robusto de inovação e desenvolvimento tecnológico para a cadeia de semicondutores no Estado.  

Lançado em 2023, o Semicondutores RS faz parte do rol de projetos estruturantes do Plano Rio Grande, com foco em ações de pesquisa e desenvolvimento, formação de talentos e interlocução com o setor produtivo. Já foram lançados dois editais – Techfuturo Semicondutores, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), e Inova Semicondutores, via Sict –, que totalizaram um aporte de R$ 17 milhões.  

Esse investimento viabilizou a execução de projetos de P&D de chips e a realização do curso de especialização de Projetistas de Circuitos Integrados – Sistemas de Sinais Mistos na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) em Alegrete. Ao todo, 20 alunos de diferentes estados, formandos ou formados em engenharias, receberam uma bolsa mensal de R$ 4 mil durante seis meses e se formaram em março deste ano. 

A formação de talentos para o setor inclui, ainda, o curso de especialização de Encapsulamento de Semicondutores, que está sendo realizado na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) em São Leopoldo. São seis meses de aulas, e 30 alunos recebem bolsas no valor de R$ 5 mil mensais. Para essa iniciativa, o investimento por parte da Sict é de cerca de R$ 2 milhões. 

Acordo de cooperação com a Chipus 

O acordo de cooperação a ser assinado com a Chipus Microeletrônica SA formaliza o apoio do governo do Estado, por meio da Sict e da Invest RS, à implantação de um centro de P&D focado em microeletrônica no Rio Grande do Sul. Esse centro funcionará como uma instituição científica e tecnológica (ICT) voltada ao desenvolvimento de semicondutores para computação escalável, , com foco em design de chip e encapsulamento avançado, que vêm sendo amplamente utilizados para aplicações de inteligência artificial e computação quântica.  

O centro de P&D busca profissionalizar o processo de desenvolvimento de produtos semicondutores para nichos de mercado específicos. A Chipus planeja lançar o empreendimento em 2026, com um investimento estimado entre R$ 200 a 300 milhões ao longo de cinco anos.

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