OPINIÃO: tem cheirinho de virada na cassação de Miki e Maurício

Pedido de vista do desembargador Francisco José Moesch, vice-presidente TRE/RS, foi sintomático
Para quem não acompanha futebol, o cheirinho pode parecer estranho. Para ficar em um caso mais próximo de nós, muitos vão lembrar do atacante do Inter, Thiago Galhardo, que fez uma live insinuando um cheirinho de título. Todo mundo sabe como acabou. Por aqui, ninguém que entrou com o recurso no TRE/RS para cassar a diplomação de Miki e Maurício disse que sentiu cheirinho de nova eleição, mas eu senti de virada no julgamento do TRE/RS e posso não levar um contra como Galhardo.
Foi sintomático o pedido de vista do desembargador Francisco José Moesch, vice-presidente TRE/RS, quando a votação estava 2 a 0. Os demais poderiam seguir votando, pois o Regimento Interno do Tribunal permite. Optaram, contudo, por aguardar. O que temos é o seguinte: acabou o primeiro tempo. Tem mais 45 minutos e o resultado deverá ser apertado.
Senti o cheirinho porque as defesas de Miki e Maurício foram muito bem e deixaram uma pulga atrás da orelha do Moesch. Na tese deles, a concessão de licenças-prêmio em pecúnia e o reestabelecimento de vantagens não partiu por deliberação direta do prefeito. Ele, assim com o vice, conforme defendeu o relator, desembargador Luis Alberto D’Azevedo Auralle, não deixaram de se beneficiar eleitoralmente disso, o que é passível de punição. Depende, no entanto, de interpretações.
O que pesou na decisão do relator por votar pela cassação dos diplomas e pela realização de novas eleições, foi a pequena margem de diferença de apenas 318 votos de Miki para Rubens Otávio. E ele reforçou isso mais de uma vez. Fosse muito maior do que isso, aposto que o voto seria diferente.
Antes que um apressado diga que torço por A ou B, explico que manifesto aqui o sentimento de quem tem algumas décadas de cobertura política e uma admiração especial pela área do direito. Cheirinho de virada tem, mas não significa que ela vá acontecer. Aguardemos o segundo tempo. Se alguém não quer esta partida, outra pode ser jogada na Câmara. Nela, os vereadores têm o poder de terminar o Governo. Basta quererem.




