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Casa dos Baptista no Mato do Júlio - Foto: Divulgação

OPINIÃO: quando um mato vira polêmica

Acordo histórico entre herdeiros e Prefeitura deu origem a principal polêmica do ano que vai além dos aspectos puramente ambientais

Quem não se comunica, se trumbica. A frase do Velho Guerreiro, o Chacrinha para quem não conheceu, serve como uma luva para a polêmica do ano que promete muitos capítulos: o uso da área  do Mato do Júlio. Qualquer um sabe que a destinação para o uso do solo deverá, obrigatoriamente, seguir a legislação ambiental.

Herdeiros e prefeitura costuraram um acordo para dar um fim ao imbróglio que dura várias décadas. A proposta está passando por uma análise e dará origem a estudos técnicos, ambientais e até a um projeto de lei para definir o zoneamento dentro do Plano Diretor que precisará ser aprovado pela Câmara, entre outras necessidades legais.

O Estudo de Viabilidade Urbanística de 2017, divulgado nesta sexta pelo oreporter.net, apesar de estar bem claro no texto que não há confirmação que integra a proposta apresentada pelos herdeiros, existiu. Ou alguém acha que técnicos da Area Urbanismo acordaram em um determinado dia lá em São Paulo e decidiram pegar o Mato do Júlio para fazer o levantamento de viabilidade de um empreendimento imobiliário? Não sejamos ingênuos.

Bom, e ele faz parte da proposta apresentada para a Prefeitura? É provável que não, mas independentemente disso, a comunidade tem o direito de saber o que foi pensado há alguns anos. E por isso divulgamos. Um novo EVU deve ter sido feito ou, obrigatoriamente, será feito a partir da proposta que nasceu da evolução das reuniões entre os proprietários da área e técnicos da Prefeitura.

Não é de hoje que o Executivo peca em alguns aspectos ligados à comunicação. Existe uma regra básica nesta área: se você percebe que vai dar ruído, larga na frente e tenta explicar tudo em detalhes. Mata na origem, até porque na área pública o segredo é reservado, em geral, apenas para algo escuso. E não vamos achar que integrantes do Governo sejam desonestos. Muito pelo contrário.

Os vereadores oposicionistas encontraram um cenário perfeito tipo ganso novo em taipa de açude. Vamos alinhar um dado importante para tentarmos compreender o cenário: nada poderá ser feito no Mato do Júlio sem que a legislação, especialmente a ambiental, seja cumprida. Então, voltando lá na abertura desta coluna, basta isso ser dito. E basta divulgar os detalhes do que foi apresentado e do que está sendo analisado.

É tão simples! O problema passa a surgir quando os envolvidos acham que não é. No lugar do prefeito ou secretário qualquer um poderia subir em um palanque, na frente do Mato do Júlio, e gritar que ninguém fará algo naquela área sem que a lei seja cumprida. E esta é a pura verdade. Como na Prefeitura ninguém se deu conta disso, coube aos oposicionistas se aproveitarem da oportunidade para gerar desgaste ao Governo. E a culpa não é deles. É de quem se trumbica.

Para encerrar, sou favorável ao uso do Mato do Júlio para um empreendimento imobiliário. A área é privada e os herdeiros têm o direito de fazer com ela o que a legislação permitir.

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