EXCLUSIVO: os detalhes do estudo do Mato do Júlio que vazou - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Estudo mostra como a área poder ser aproveitada - Fotos: Reprodução

EXCLUSIVO: os detalhes do estudo do Mato do Júlio que vazou

Estudo de Viabilidade Urbanística mostra como a área pode ser aproveitada para a construção de edifícios residenciais, condomínios e prédios comerciais. Ele ainda aponta as áreas de preservação ambiental

Cachoeirinha – A maior preocupação de ambientalistas, lideranças comunitárias e vereadores oposicionistas ao Governo Miki em torno da destinação da área do Mato do Júlio está contemplada em um Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) elaborado no final de 2016 e início de 2017 que o site oreporter.net teve acesso com exclusividade.

O documento traz no topo o nome Arcadia e é assinado pela Area Urbanismo, uma empresa instalada na Vila Madalena, em São Paulo. Arcadia é o mesmo nome da Arcadia Urbanismo, uma parceria estratégica da Melnick Even Urbanizadora. Na Câmara, o nome da Melnick chegou a ser citado em reuniões como sendo uma interessada na área, mas a empresa, através de interlocutores, nega qualquer envolvimento em negociações com herdeiros.

O EVU, cujo PDF foi criado no dia 23 de marco de 2017 às 18h51min, levou em conta apenas a parte da área que vai da Flores da Cunha até a Free Way, deixando de fora a que fica no outro lado da rodovia, ao lado da Estação de Tratamento de Esgoto da Corsan.

Nesta parte utilizada para a análise, a área é de 124 hectares e no total, conforme dados da Prefeitura, o Mato do Júlio teria 256 hectares. O EVU é um estudo utilizado para verificar se determinado empreendimento imobiliário pode ou não ser executado em uma determinada região e tem o objetivo de identificar o impacto nos sistemas produtivo, viário e habitacional.

No documento que a reportagem teve acesso, contendo 19 páginas e com os nomes de cinco profissionais da área técnica da Area Urbanismo, não há informações detalhadas sobre arruamentos por exemplo. Ele aponta somente as áreas que podem ser aproveitadas para edificações e as que devem ser preservadas citando a metragem que seria utilizada para as ruas.

O estudo, classificado como preliminar e com uma série de observações sobre a necessidade de validação por parte da Prefeitura em diversos aspectos, aponta que o Mato do Júlio, na gleba entre a Flores da Cunha e Free Way, poderá abrigar 820 áreas residenciais unifamiliares com terrenos tendo 200 metros quadrados. Este tamanho corresponde a um terreno pequeno medindo, por exemplo, 10 metros de frente por 20 de profundidade. No total, são três lotes residenciais e dois condomínios.

Estudo preliminar mostra o que poderia ser construído e o que deve ser preservado

Na parte do Mato do Júlio localizada acima do Arroio Passinhos, no sentido Cachoeirinha/Gravataí, seriam construídos edifícios residenciais. O estudo não aponta o número de unidades habitacionais. No desenho são mostrados 19 circundando uma praça com um acesso exclusivo pela Flores da Cunha. Outros nove edifícios são projetados para o fundo do Mato com frente para a avenida de 60 metros de largura por 1,2 quilômetro que margeria a Free Way.

O estudo projeta ainda 45 lotes comerciais de 360 metros quadrados e 59 de 480 metros quadrados. Estes maiores ficam de frente para a Flores da Cunha, iniciando antes do Arroio Passinhos e indo até o Corpo de Bombeiros. Os outros ficam no fundo da gleba. Já na parte da área próxima da Prefeitura foi projetado um mall de grande porte, que no Brasil se assemelha a um shopping.

Da área total de 124 hectares usada no estudo, 77 seriam loteadas, correspondendo a 62%. Os outros 38% ficam destinados para áreas públicas, reservas florestais, áreas de preservação ambiental e arruamentos, entre outras.

A equipe responsável pelo estudo deixa claro no campo de observações do EVU que os números apresentados são estimados e que o número de unidades habitacionais e comerciais pode variar em função de atualizações do levantamento topográfico, laudo ambiental, especificações de produtos e projetos complementares.

EVU define três conjuntos residenciais, dois condomínios, duas áreas para edifícios e ainda espaços para prédios comerciais

A demarcação de córregos, áreas de preservação permanentes (APPs) e demais restrições ambientais à ocupação foram verificadas a partir de interpretação de imagem área. “Para um posterior desenvolvimento deste projeto será necessário o recebimento de matrículas da gleba, laudos ambientais e levantamento planialtimétrico. Deverá ser verificada a necessidade de Cadastro Ambiental Rural de Reserva Legal interno à gleba”, apontam os técnicos.

O EVU que vazou é preliminar e uma série de outros estudos e projetos precisariam ser elaborados para que seja definido um destino para o Mato do Júlio. O zonemento da área dentro do Plano Diretor, por exemplo, não existe e um projeto terá que ser elaborado e enviado para a análise na Câmara de Vereadores. Ele é que vai ditar as regras para o loteamento da área, sendo necessário ainda levar em conta a necessidade de licenças ambientais.

A Prefeitura vem negociando um acordo histórico com os herdeiros. O trabalho foi iniciado no governo passado a partir da formação de uma comissão. Há poucos dias o secretário de Planejamento e Captação de Recursos, Elvis Valcaranghi, revelou que a Prefeitura está analisando um projeto apresentado pelos herdeiros com base no que foi discutido nos últimos anos. A reportagem não obteve a confirmação se o EVU que vazou faz parte do projeto.

A dívida de IPTU estimada em R$ 23 milhões seria quitada através da cedência de 6,5 hectares para a construção de um parque no entorno da Casa dos Baptista e da área de 60 metros x 1,2 quilômetro para a abertura de uma avenida ligando a Papa João XXIII ao Parque da Matriz criando uma alternativa para o trânsito que vai aumentar muito na região com a construção das alças de acesso à Free Way.

Os detalhes do projeto apresentado pelos herdeiros do Mato do Júlio ainda não foram tornados públicos e vereadores criaram uma Frente Parlamentar para terem acesso aos dados e fazerem um levantamento completo sobre os aspectos ambientais e culturais.

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