POLÍTICA

Novo gestor do Padre Jeremias revela descobertas inacreditáveis

Gestão era feita toda manualmente, enxovais novos foram encontrados jogados em uma sala abandona e até um digitalizador de exames de raio-x estava abandonado há 10 anos

Cachoeirinha – Revelações feitas na Câmara de Vereadores na Sessão desta terça-feira (25) pelo diretor do Grupo Ana Nery, que assumiu a gestão do hospital Padre Jeremias em 8 de abril desse ano, Gilberto Antonio Gobbi, deixaram evidente a má administração que vinha sendo feita pela Fundação Universitária de Cardiologia – Instituto de Cardiologia. Enquanto eram usados em leitos roupas de cama surradas, em uma sala foram encontrados vários enxovais novos com lençóis e cobertores. “Encontramos, dentro de uma sala abandonada, uma quantidade imensa”, disse.

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Esta foi apenas uma das descobertas. A pior dela, embora Gobbi não tenha feito uma classificação, é que toda a gestão do hospital era feita manualmente. Não havia sistemas informatizados sequer para controlar o estoque de produtos diversos e, principalmente, medicamentos, que chegavam a faltar. Médicos chegavam a comprar remédios básicos com recursos de seus próprios bolsos para socorrer pacientes.

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Um caso que chamou a atenção era o método rudimentar de análise de exames de raio-x. Eles eram impressos e levados fisicamente para serem interpretados. A nova gestão encontrou em outra sala um digitalizador que estava parado há pelo menos 10 anos. “Ele só precisava de uma senha de liberação e nós conseguimos”, contou, explicando que o exame digitalizado torna ágil o processo porque ele é enviado pela internet para ser interpretado e chega com rapidez nas mãos do médico que precisa do resultado para tratar o paciente.

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Os desafios, conforme Gobbi, serão muitos até que o Padre Jeremias passe pelas transformações necessárias para entregar à população um atendimento dentro dos padrões do Ana Nery, onde se destaca o atendimento aos pacientes, “sentido da existência de um hospital”. O superintendente revelou que a cultura existente impõe mais esforço para qualificar o atendimento.

“Quando a gente assume um hospital como o de Cachoeirinha, muitas coisas nos surpreendem positivamente, mas, infelizmente, muitas negativamente e a gente precisa mudar a cultura que se tinha dentro da instituição. A cultura que a gente vem procurando empregar, e ela demanda um tempo para a gente fazer ela efetivamente acontecer, é a cultura do atendimento. É a cultura de procurar fazer as coisas da melhor forma possível, porque quem procura um pronto-atendimento, procura uma internação, precisa ser tratado com o maior respeito possível e é isso que a gente vai buscar de todas as formas para que a população tenha aquele atendimento que ela merece e precisa”, salientou.

Nova emergência será construída

O Ana Nery já realizou uma análise da estrutura física do hospital e nesta terça-feira (25), em reunião com a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, obteve autorização para apresentar um projeto para o início de obras. O Padre Jeremias tinha recursos do Avançar Saúde de R$ 3,1 milhões para a reforma geral e o Instituto de Cardiologia teve que devolver porque não investiu. Como há verba disponível, o primeiro investimento será na construção de uma nova emergência.

Um investimento mais urgente foi o encaminhamento da compra de um novo gerador, já que o atual era precário e não dava conta de garantir o fornecimento de energia de forma estável para todo o hospital. Na pediatria, o setor foi reativado e há a necessidade da construção de um centro cirúrgico. Hoje existe apenas o centro obstétrico e ele não permite, por exemplo, que o serviço de traumatologia seja implantado. “Não temos como fazer uma cirurgia de uma fratura exposta tendo ao lado uma gestante em trabalho de parto”, explicou.

Uma UTI também é necessária com pelo menos 20 leitos, assim como outras obras para qualificar o atendimento. Na fase de perguntas, Gobbi revelou que a emenda parlamentar do deputado Danrlei de Deus, de R$ 1,5 milhão, viabilizada pelo vereador Felisberto Xavier, deverá ser investido na compra de um tomógrafo. O presidente da Câmara, Edison Cordeiro, revelou que nos últimos anos, vereadores conseguiram cerca de R$ 7 milhões para o hospital e ninguém sabe onde foi parar o dinheiro. As emendas são enviadas para um CNPJ e vinha sendo usado o do Instituto de Cardiologia, que não repassava os recursos. O Padre Jeremias tem um CNPJ e as novas emendas virão para esse número, garantindo que os recursos chegarão no destino. O Ana Nery também pretende aumentar o número de funcionários. Hoje são cerca de 250 e há setores sobrecarregados. Pelo menos mais 30 já estão sendo contratados.

Confira o que Gobbi disse na Câmara no vídeo abaixo:

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