Nova frente de chuva deve agravar cheias e causar alagamentos no RS
A previsão indica volumes elevados de precipitação sobre bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Porto Alegre e dos vales, o que poderá provocar alagamentos e intensificar a elevação do nível dos rios já afetados pelas recentes cheias.

A MetSul Meteorologia alerta para um novo episódio de chuva volumosa no Rio Grande do Sul entre sábado (28) e domingo (29). A previsão indica volumes elevados de precipitação sobre bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Porto Alegre e dos vales, o que poderá provocar alagamentos e intensificar a elevação do nível dos rios já afetados pelas recentes cheias.
As instabilidades devem ocorrer devido ao avanço de ar quente sobre Santa Catarina e Paraná, enquanto uma massa de ar frio de origem polar se desloca pela Argentina em direção ao Sul do Brasil. O contraste térmico entre essas duas massas atmosféricas deve gerar instabilidade intensa sobre o território gaúcho no final de semana.
As previsões indicam a possibilidade de pancadas fortes e persistentes de chuva, com volumes acumulados entre 100 mm e 150 mm em curto intervalo de tempo, principalmente entre o fim da tarde de sábado e a manhã de domingo. Em algumas localidades, os volumes podem chegar a 200 mm. Além da chuva, há risco de temporais com raios e queda de granizo.
Risco hidrológico elevado
A precipitação vai ocorrer sobre rios com níveis já elevados ou acima da cota de inundação, o que aumenta o risco de transbordamentos e novos episódios de cheia. O Guaíba, os rios Sinos, Gravataí, Caí, Taquari e Jacuí seguem com volumes acumulados de água significativos e deverão registrar nova elevação a partir da próxima semana.
Segundo a MetSul, o período mais crítico será entre sábado à noite e a manhã de domingo. O avanço da chuva sobre as regiões de Missões, Planalto Médio, Serra, Vales e Litoral Norte poderá provocar inundações urbanas por acúmulo de água da chuva, independentemente da elevação dos rios. O acúmulo em curto período pode exceder a capacidade de escoamento da macrodrenagem em várias cidades da Região Metropolitana.
O histórico recente, como o episódio de 18 de junho, serve de referência para possíveis impactos, já que a chuva intensa naquela data causou alagamentos expressivos na Região Metropolitana. O mesmo ocorreu em 23 de maio de 2023, quando o Guaíba já apresentava nível elevado e o escoamento da água da chuva foi comprometido, provocando o transbordamento de arroios, especialmente na zona sul de Porto Alegre.
Impacto sobre a Região Metropolitana
Com os rios Guaíba, Sinos e Gravataí em níveis elevados, municípios como Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Viamão, Alvorada e Cachoeirinha devem adotar medidas preventivas. A situação dos arroios urbanos é especialmente sensível, considerando que os sistemas de contenção e bombeamento podem operar no limite de sua capacidade.
A chuva intensa na Serra Gaúcha, onde o solo ainda se encontra saturado, aumenta o risco de deslizamentos de terra e quedas de barreiras, afetando especialmente áreas de encosta e rodovias da região.
Expectativas de volume
Modelos meteorológicos europeus, americanos, alemães e britânicos apontam, com variações, que as maiores precipitações devem se concentrar entre o Norte e o Nordeste do estado. As simulações indicam acumulados entre 100 mm e 150 mm, podendo ultrapassar 200 mm em locais isolados.
O modelo do Centro Meteorológico Alemão (ICON), por exemplo, projeta volumes maiores nas áreas médias e baixas dos rios Taquari, Sinos, Gravataí, Caí e Jacuí. A previsão sugere nova elevação nos níveis dessas bacias.
Para o Rio Taquari, é esperada uma terceira onda de vazão. A cheia pode superar a segunda onda registrada recentemente (18 metros), podendo se aproximar da primeira, que chegou a 23 metros em Lajeado. Situação semelhante pode ocorrer no Rio Caí, com elevação superior à registrada na semana passada (quase 13 metros em São Sebastião do Caí).
No Rio Sinos, mesmo com tendência de queda, é esperada nova elevação, impulsionada pelas águas do Paranhana e das nascentes no Litoral Norte. O Rio Gravataí, em conexão com o Guaíba, também poderá registrar aumento significativo nos próximos dias.
Perspectiva para o Guaíba
O Guaíba deve voltar a subir ao longo da semana que vem, em função do acúmulo de águas oriundas das principais bacias do estado. A elevação é esperada principalmente entre terça (1º) e quinta-feira (3), período estimado para o deslocamento da água acumulada até a Região Metropolitana. Embora os níveis não devam atingir os recordes históricos de maio de 2024, é possível que se aproximem das marcas do segundo semestre de 2023, que provocaram inundações em diversas regiões, especialmente nas ilhas de Porto Alegre.
A elevação do Guaíba pode impactar diretamente a drenagem nos municípios de Canoas, Gravataí, Cachoeirinha e Alvorada, especialmente na área do Arroio Feijó, onde já se observam dificuldades no escoamento.
Sistemas de contenção sob estresse
O funcionamento dos sistemas de contenção e bombeamento, como casas de bombas e diques, será determinante para mitigar os efeitos da chuva. A MetSul destaca que a meteorologia pode prever o volume de chuva e o impacto nos rios, mas a ocorrência de alagamentos em pontos específicos depende diretamente da resposta das estruturas urbanas de macrodrenagem, cuja gestão é de responsabilidade municipal.
Incerteza sobre impactos diretos
Diante do cenário descrito, não é possível afirmar com precisão quais residências ou áreas urbanas específicas serão afetadas. A orientação da MetSul é de que a população acompanhe as atualizações meteorológicas e hidrológicas, mantenha atenção a alertas das autoridades locais e esteja preparada para eventuais medidas de evacuação ou deslocamento.






