Mulher ameaçada pede socorro durante a blitz do Agosto Lilás em Cachoeirinha
Os policiais da Patrulha Maria da Penha do 26º BPM de Cachoeirinha receberam o pedido de socorro por telefone
Cachoeirinha – Na última sexta-feira (1º), Cachoeirinha deu início às ações da campanha Agosto Lilás com uma blitz educativa realizada no final da tarde, na Avenida Flores da Cunha, em frente ao Shopping do Vale. A atividade, que reuniu autoridades municipais, a Patrulha Maria da Penha do 26º BPM, policiais civis da 1ª e 2ª Delegacias de Polícia, o Grupamento Mulheres Protegidas da Guarda Municipal e agentes de trânsito, marcou o lançamento das iniciativas de conscientização promovidas ao longo do mês.
O objetivo é informar a população e mobilizar a sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. A campanha, cujo lema é “Você não está sozinha”, visa promover ações preventivas e educativas, ampliando o conhecimento sobre os mecanismos de proteção e incentivando a denúncia de situações que coloquem em risco a integridade física e emocional das mulheres.
Durante a blitz, enquanto realizava abordagens e distribuía materiais informativos a motoristas e pedestres, a soldado Morgana Lima, da Patrulha Maria da Penha, recebeu uma ligação em seu telefone funcional. Do outro lado da linha, uma mulher — identificada com o nome fictício “Maria”, utilizado para preservar sua identidade — relatava estar na 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, na Sala das Margaridas, após registrar um boletim de ocorrência e pedir uma medida protetiva contra seu companheiro.

Segundo o relato da vítima de 30 anos, ela vinha recebendo ameaças de morte por telefone nos últimos dias e, após reunir coragem, decidiu procurar a Polícia Civil. No entanto, temia retornar sozinha para sua residência, no bairro Granja Esperança, pois o suspeito teria afirmado que a aguardava em frente à casa, ameaçando matá-la. A mulher solicitou apoio imediato da polícia.
A soldado Morgana tranquilizou a vítima e acionou prontamente uma viatura da Brigada Militar, que se deslocou até a delegacia e conduziu a mulher em segurança até sua residência. Durante o restante da blitz, mesmo envolvida na entrega de folhetos e na orientação ao público sobre os serviços da Rede de Proteção à Mulher de Cachoeirinha, a policial acompanhou o desdobramento do caso por telefone, aguardando a confirmação de que a vítima havia chegado em segurança.

A confirmação foi recebida ainda durante a atividade. Com a situação controlada, a soldado destacou a importância da atuação integrada da rede de proteção e da resposta rápida das forças de segurança para garantir a proteção de mulheres em situação de risco.
Ela também ressaltou que a blitz integra um conjunto de ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher e que o caso ocorrido durante a atividade demonstra a relevância da articulação entre os diversos órgãos envolvidos. A vítima passará a ser acompanhada pela Patrulha Maria da Penha do município.
Em Cachoeirinha, a Rede de Proteção à Mulher é formada por diversas instituições e órgãos públicos, entre eles o Ministério Público, as 1ª e 2ª Delegacias de Polícia Civil, a Brigada Militar (por meio da Patrulha Maria da Penha), o Grupamento Mulheres Protegidas da Guarda Municipal, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher Florescer, o CREAS, a OAB-Cachoeirinha, o Conselho Tutelar e entidades da sociedade civil. A coordenação é feita pelo Gabinete da Primeira-dama, Fabiana Medeiros.
A campanha Agosto Lilás tem como proposta ampliar a visibilidade das ações permanentes de proteção e acolhimento às mulheres, destacando que a prevenção à violência deve ser contínua, e não restrita a datas específicas. A primeira-dama Fabiana Medeiros reforçou que é fundamental que as mulheres saibam que podem contar com apoio nos momentos de vulnerabilidade. “Denunciar é o primeiro passo para romper o ciclo da violência”, afirmou.
Fabiana também destacou que a rede local busca garantir não apenas o acolhimento, mas o acesso a serviços de acompanhamento, orientação e fortalecimento da autonomia feminina. Segundo ela, as políticas públicas de proteção são construídas com a participação de diferentes setores e têm como objetivo oferecer suporte integral à vítima.
O vereador Flávio Cabral, que participou da atividade representando o Legislativo Municipal, ressaltou a importância das ações realizadas ao longo do mês. “Neste Agosto Lilás, reafirmamos o compromisso de Cachoeirinha com políticas públicas de proteção às mulheres. Todos precisamos nos unir contra a violência. Nós, homens, temos que entender que as mulheres são livres, devem ser respeitadas e cuidadas”, declarou.
Como buscar ajuda com as forças de segurança de Cachoeirinha
Em situações de emergência, quando a violência estiver em curso ou tiver acabado de ocorrer, a orientação é acionar imediatamente a Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar pelo telefone 190, Disque-denúncia pelo telefone 180 ou a Guarda Municipal pelo número 153.

A vítima também pode buscar atendimento presencial na 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, localizada na Rua Arnaldo Schuller, 600, bairro Vila da Paz, ou na 2ª Delegacia de Polícia, na Avenida José Brambila, 1026, bairro Vila Anair. Ambas as unidades contam com as Salas das Margaridas, com atendimento especializado prestado por policiais civis mulheres, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.
Também é possível registrar denúncias por meio da Delegacia Online, disponível 24 horas, no site: www.delegaciaonline.rs.gov.br.
Em casos de violência em andamento ou já ocorrida, o atendimento também pode ser realizado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Guaianá, 670, bairro Jardim Colinas. O CREAS pode ser contatado pelos telefones (51) 3074-5559 ou (51) 99681-6613 (WhatsApp).
Todos os casos recebidos pelo CREAS são avaliados e, quando necessário, encaminhados ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher Florescer.
As autoridades reforçam que todas as denúncias são tratadas com sigilo e que a colaboração da comunidade é fundamental para romper ciclos de violência e salvar vidas. A Rede de Proteção à Mulher de Cachoeirinha está à disposição para receber denúncias, prestar orientações e garantir segurança às vítimas.




