Moradores da zona rural seguem mobilização contra aterro sanitário
Nova reunião foi realizada no sábado (23) pela manhã para atualização de informações
Gravataí – Moradores da Costa do Ipiranga e Santa Tecla seguem a mobilização contra a instalação de um aterro sanitário na estrada Abel de Souza Rosa em parte de uma área com cerca de 270 hectares. O Parque Ambiental de Gravataí, empreendimento do Grupo Centauro, que tem entre suas empresas a Mecanicapina Limpeza Urbana, iniciou o projeto pelo recebimento de resíduos inertes, como caliças.
O presidente da Associação de Moradores das Adjacências do Lixão da Santa Tecla, Artêmio Zortea, tem acompanhado todos os passos do empreendimento. Ele revelou que a empresa foi multada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-Estar Animal (Sema) por extraído árvores nativas de uma parte da área, sem autorização. A penalidade de replantio de 234 mudas nativas ao custo unitário de R$ 45,00, contudo, foi considerada irrisória tamanho o poderio econômico do conglomerado de empresas.
A maior preocupação dos moradores e com as próximas etapas do projeto, prevendo o recebimento de lixo urbano, industrial e de saúde. Segundo Zortea, o pedido de licença prévia na Fepam para o lixo urbano prevê o recebimento de 1,4 mil toneladas por dia. Vão ocorrer de 400 a 600 viagens de caminhões por dia nas estradas da Costa do Ipiranga.
O projeto prevê que em 20 anos cerca de 21 milhões de toneladas de lixo serão aterrados em parte da área. “Isto na primeira etapa e nada impede que no futuro solicitem autorização para ampliar isso”, lamenta. A região do Pesqueiro Tubarão, na estrada das Taquareiras, terá o maior impacto.
Zortea conheceu detalhes do projeto, mas tem dúvidas se o cheiro e o risco de contaminação do lençol freático serão fiscalizados. Ele revelou que parte do lixo doméstico passará por uma triagem em uma esteira mecânica e a sobra será levado a área do aterro. A altura de cada módulo será de 60 metros de lixo, com cerca de 20 metros ficando abaixo do nível do solo.
O presidente da entidade comentou no encontro que a região já tem o passivo do antigo lixão da Santa Tecla cuja recuperação deverá durar quase meio século. A preocupação é que moradores da região, que já estão sofrendo com a desvalorização de suas propriedades, não venham a ter ainda mais prejuízos.
Um grupo segue coletando assinaturas para um abaixo assinado na tentativa de sensibilizar autoridades para que licenças não sejam concedidas. Nos próximos dias serão definidas novas estratégias, como até mesmo protestos em rodovias e na cidade. Na Câmara de Vereadores há uma Frente Parlamentar aprovada, mas a linha de defesa da necessidade de cidade ter uma alternativa para o seu lixo e ainda da região metropolitana não agrada os integrantes da associação e moradores. Eles imaginavam que encontrariam apoio no Legislativo, o que não ocorreu.
Outra preocupação é com a possibilidade de parte das áreas da Santa Tecla e Costa do Ipiranga serem transformadas em zona urbana com a reforma do Plano Diretor. Há um posicionamento contrário a isso e na audiência pública prevista para o próximo dia 3 de agosto, na Câmara, uma comitiva estará presente.
Grupo Centauro responde
Após a publicação desta matéria, o sócio-diretor do Grupo Centauro, Diego Núñez, explicou que a empresa tinha autorização para a supressão de eucaliptos. O responsável pela execução do trabalho acabou fazendo a retirada das árvores de um local ao lado, onde também haviam eucaliptos. “A multa foi em decorrência disso e não houve derrubada de mata nativa”, disse. Segundo ele, a empresa tem seguido a legislação na execução do projeto e nele está contemplado o plantio de 30 mil mudas de árvores nativas.
Atualizada – 04/12/2023 – 17h03min
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