GRAVATAÍ

Moradores da zona rural fazem movimento contra parque ambiental

Grupo empresarial está instalando na Costa do Ipiranga um empreendimento de R$ 200 milhões

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Invista em Gravataí/RS

Gravataí – Moradores da Costa do Ipiranga e Santa Tecla iniciaram um abaixo assinado contra a instalação do Parque Ambiental de Gravataí, do Grupo Centauro. No último final de semana, um carro de som percorreu ruas localizadas a poucos metros da primeira unidade a entrar em funcionamento, responsável pelo recebimento de caliça e podas de árvores.

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O morador da Travessa Sabiá, José Correa, 39 anos, instalou uma caixa de som na sua camionete e no último domingo (10) recolheu assinaturas em um abaixo assinado de pessoas que são contra a instalação das demais operações previstas no projeto. Na internet, uma outra coleta de assinaturas está em andamento. Já são quase 200 pessoas contra o aterro sanitário.

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A maior preocupação dos moradores não é com o cheiro dos resíduos. É com a possibilidade de contaminação da água. Na região, não existe saneamento básico e a água vem de poços artesianos. “Não estamos livres da contaminação do lençol freático e aí quando isso acontecer vão prometer água canalizada da Corsan. Isso nunca vai acontecer porque nem na cidade a Corsan consegue abastecer”, ressalta Correa.

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Na Câmara de Vereadores, uma Frente Parlamentar para discutir o tema foi aprovada por uma proposta do vereador Cláudio Ávila. Ele deveria ser o presidente, por ter apresentado o projeto, mas abriu mão para que o vereador Dilamar Soares conduza os trabalhos. O parlamentar se dedica ao tema de resíduos desde 2013, quando se elegeu pela primeira vez.

Ele lembra que o ex-deputado federal Jones Martins havia apresentado um projeto de lei na Câmara de Vereadores, quando teve mandato, proibindo a instalação de qualquer tipo de aterro sanitário em Gravataí. A lei acabou sendo revogada pela ex-prefeita Rita Sanco em 2010. Desde então, empreendimentos como o do Parque Ambiental estão autorizados a operarem no município.

“Os resíduos são um problema de todas as cidades. Nós temos que debater este tema. Pretendemos fazer uma audiência pública para conhecermos melhor o projeto do Grupo Centauro e ainda trazermos outros especialistas na área para que possamos aprofundar o conhecimento e a busca por novas tecnologias”, afirma.

As cerca de 200 toneladas que são recolhidas em Gravataí diariamente hoje vão para um aterro sanitário em Minas do Leão. São cerca de 200 quilômetros diários percorridos por caminhões, segundo o prefeito Luiz Zaffalon. Ele explica que o grupo empresarial possui licença prévia da Fepam para o início da operação e que a prefeitura tem pouco, ou quase nenhuma, ingerência.

Zaffalon não vê problemas no projeto previsto pelo Grupo Centauro. “Hoje, reciclamos cerca de 5% do lixo que produzimos e com o Parque Ambiental poderemos chegar a até 40%. Isto representa uma grande vantagem para o meio ambiente e para a cidade como um todo”, ressalta. O Grupo Centauro estima que a prefeitura poderá economizar pelo menos R$ 6 milhões por ano quando a operação puder receber o lixo doméstico. Hoje, segundo Dilamar, cerca de R$ 30 milhões são gastos anualmente com a destinação dos resíduos para o aterro localizado na região carbonífera.

A obra em Gravataí, por sua envergadura, possui licenciamento da Fepam, órgão estadual. A autorização não parte da prefeitura, segundo o prefeito. Para ele, um dos problemas para os moradores serem contra o projeto é a falta de informação sobre as tecnologias que serão empregadas no depósito e tratamento dos resíduos.

A audiência pública ainda não tem data. Dilamar revela que está procurando especialistas na área de tratamento de resíduos e ainda conhecedores de tecnologias modernas que podem até reciclar 100% do material coletado.

O que vai ter no Parque Ambiental

Unidade de Resíduos Urbanos

A Unidade de Resíduos Urbanos será uma obra composta por área impermeabilizada, malha de drenagem de chorume, biogás e águas pluviais. Ela terá um controle geotécnico e monitoramento da qualidade do ar e de águas subterrâneas. Esta unidade terá uma triagem automatizada para separar os recicláveis e demais insumos que possam ser reaproveitáveis. Esta operação vai reduzir a destinação final dos rejeitos na área definida para o aterro sanitário. Esta unidade vai receber o lixo orgânico de domicílios e também os resíduos originários da varrição e limpeza de ruas.

Unidade de Resíduos Industriais

Ela vai receber os resíduos gerados em processos produtivos e instalações industriais. Estes resíduos, conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), são classificados em perigosos, não perigosos/não inertes e não perigosos/inertes. O lixo gerado pela indústria é diversificado e pode ser composto de solventes, lodos, cinzas, óleos, ácidos, borracha, metais, plásticos, papel, madeira e vidro, entre outros. Esta unidade do Parque Ambiental terá três setores. O primeiro será a preparação do terreno com nivelamento e impermeabilização contando com o sistema de drenagem para captação do chorume e biogás. No segundo, haverá a separação do lixo conforme seu tipo e o terceiro, a destinação final no aterro. Conforme o tipo de resíduo, ele passará por um pré-tratamento podendo ser estabilização, solidificação, encapsulamento ou neutralização. O lixo que não puder pegar água da chuva, será disposto sob uma cobertura.

Unidade de Resíduos da Construção Civil

Esta unidade vai receber resíduos provenientes de construções, reformas, reparos, demolições de obras e de escavações de terrenos. Haverá uma triagem do material para ser feita a separação conforme a classificação do material. O que não for possível ser reciclado será destinado para a área de aterro. A intenção da empresa é a de comercializar tudo o que for possível ser reaproveitado ficando no local para a destinação final somente aquilo que não tiver nenhum tipo de aproveitamento.

Unidade de Resíduos de Saúde

A unidade vai receber todo o tipo de resíduos gerados em serviços de saúde humana e animal, inclusive animais mortos. Ela estará apta a tratar os resíduos através do processo de gaseificação, que consiste em um processo termoquímico de conversão de matéria sólida ou líquida em um combustível gasoso, na presenta de uma quantidade certa de oxigênio. É um processo intermediário entre a incineração e a pirólise. Isto significa que o ar/oxigênio é inserido no reato, mas a quantidade não é suficiente para permitir que o combustível seja completamente oxidado. Conforme a empresa, este processo é de uma tecnologia promissora para a utilização de biomassa devido ao baixo impacto causado ao meio ambiente, além de possibilitar a geração de energia renovável.

Unidade de Resíduos Eletrônicos

A unidade, segundo a empresa, vai contar com uma equipe especializada em avaliar as condições de uso dos aparelhos eletrônicos de modo a disponibilizar os itens em funcionamento para doações a entidades. Já o que sobrar passará por uma desmontagem e triagem para possibilitar a reciclagem. O que sobrar será destinado para uma área de aterro. A intenção da empresa é fazer parceria com fabricantes para disponibilizar o sistema de logística reversa, ou seja, o consumidor entrega ao fabricante o equipamento que não vai utilizar mais e ele o destina para esta unidade.

Unidade de Tratamento de Efluentes

Após a disposição final dos resíduos nas unidades anteriores, inicia-se o seu processo de decomposição que resulta em dois sub-produtos: o chorume, que será coletado e enviado para tratamento nesta unidade, e o biogás, que vai para a Unidade de Termelétrica a Biogás (Veja no tópico seguinte o que é). O Parque Ambiental vai ter, então, um serviço de tratamento do chorume e demais efluentes gerados em todas as unidades de resíduos e também vai poder receber efluentes gerados pela indústria. Nesta unidade, após o tratamento, os efluentes serão transformados em água de reuso.

O nome Parque Ambiental se deve ao fato de haver uma união entre práticas sustentáveis ambientais com econômicas e sociais, cumprindo com o que determina a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O projeto prevê um rigoroso sistema de controle e monitoramento da qualidade do ar e de águas subterrâneas.

O que mais vai ter no Parque Ambiental

Unidade Termelétrica a Biogás

O biogás um é gás combustível produzido pela decomposição biológica da matéria orgânica. Nos lixões sem planejamento e tecnologia, esse gás vai para a atmosfera contribuinte para o efeito estufa e aquecimento global. Nesta unidade, o biogás captado nas unidades de resíduos urbanos e industriais será direcionado, por meio de tubulações, para a geração de energia. Esta energia produzida será comercializada pela empresa e será mais uma fonte de renda para ela, além de evitar a poluição atmosférica.

Complexo Industrial de Resíduos

Em uma área inicial de 60 mil metros quadrados, será construído um complexo industrial destinado à instalação de empresas correlatas do setor de resíduos, desde operadores logísticos e fornecedores das diversas operações realizadas no parque até indústrias de diversos segmentos que necessitem de tratamento ambientalmente adequado para os rejeitos derivados de seus processos produtivos.

Parque Fotovoltaico

Em uma área inicial de 7 mil metros quadrados, será instalado o parque fotovoltaico com 1.830 módulos de 500w. Ele vai gerar energia suficiente para o consumo de 700 casas populares por ano. Essa energia gerada, contudo, vai servir para o Grupo Centauro diminuir as contas de energias das diversas empresas que fazem parte dele.

Incubadora de Startups

O Parque Ambiental pretende destinar um terço da área de seu prédio administrativo para a instalação da incubadora de startups. Conforme a empresa, trata-se de uma estrutura que visa prestar apoio não apenas ao alojamento, mas também ao aconselhamento e, possivelmente, ao financiamento de ideias inovadoras.

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