POLÍTICA

MDB racha e Executiva Estadual cancela Convenção de Cachoeirinha

O que era para ser consenso, se transformou em uma disputa interna que envolveria até cargos no governo interino

Cachoeirinha – A Executiva Estadual do MDB cancelou a Convenção Municipal do partido em Cachoeirinha depois de um racha que colocou por terra a ideia de uma chapa de consenso para a eleição do novo Diretório. A convenção seria realizada neste sábado. O presidente do partido na cidade, Cláudio Pinheiro, não entra em detalhes sobre o que aconteceu e explica que está aguardando orientações. Ele deve permanecer no cargo em uma Executiva Provisória até que seja realizada a Convenção.

O problema todo, conforme a reportagem apurou, estaria na desistência do grupo ligado ao ex-vice-prefeito Maurício Medeiros sobre um acordo com apoiadores de Cristian Wasem, hoje prefeito interino. O ex-secretário da Fazenda, Nilo Moraes, teria liderado a articulação dissidente que envolveria até pedidos de cargos no governo, que não teriam sido atendidos.

As inscrições de chapas poderiam ser feitas até o último dia 22. Depois de uma negociação na qual Cristian ficaria com a maioria no Diretório, abrindo caminho para ser o escolhido para concorrer a prefeito na eleição suplementar, o grupo ligado a Maurício, tendo Nilo como articulador, teria desistido de assinar na última hora. A chapa acabou sendo inscrita no dia posterior, com data retroativa, mas a Executiva Estadual acolheu pedido para suspender a convenção para analisar o caso e decidir o que será feito.


Medeiros havia dito à reportagem no final da tarde de sexta-feira (29) que não teria interesse em ser candidato na eleição suplementar. Seria uma decisão pessoal para ficar mais com a família. Na manhã deste sábado, ele disse que por ele não haveria nenhum problema para uma chapa de consenso e reforçou que a única preocupação no momento é com a família.

Já Nilo Moraes conta que havia duas propostas no MDB de Cachoeirinha, “e chegou-se à conclusão que para o momento o melhor seria uma chapa de consenso, mas por algum motivo não republicano surgiu uma chapa feita por algumas pessoas sem consulta aos demais, e de forma totalmente contrária ao que se supõe uma chapa de consenso”.

Moraes argumenta que o grupo que deseja transparência nos assuntos do partido, solicitou a suspensão da Convenção. “Eu estou há 40 anos no MDB e já vi muita coisa, mas não podemos concordar com o que estava sendo feito. Por isso solicitamos a suspensão da Convenção, o que foi aceito pelo Diretório Estadual de pronto. Temos que colocar o partido acima dos interesses pessoais e queremos lutar por esta proposta”, salienta.

Já André Lima, ligado ao grupo de Cristian, explica que a divergência aconteceu por contrariedade de três ou quatro pessoas. “O que houve foi que o consenso foi desrespeitado por três ou quatro. A palavra dada foi trocada, foi negada quando viram que uma minoria burocrática, que vive há décadas sem fazer nada, seria desmamada. Aberrações que existiam começaram a ser cortadas [com a posse de Cristian] e isto gerou descontentamento. O desmame é sempre traumático”, frisa.

Após a publicação da matéria, Nilo Moraes acrescentou que a falta de acordo entre grupos não tem relação com cargos no Governo. “Não tem nada a ver com cargos, pois partido e Governo são coisas bem diferentes. Tem a ver com a ‘esperteza’ de alguns que queriam tomar o partido na marra.”

Atualizada – 30/04/2022 – 1h44min

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