Luisão, o Guardião da Chama Crioula na Ronda de Cachoeirinha
Ele é o responsável por uma das missões mais importantes: garantir que a Chama Crioula não se apague
Cachoeirinha – Os cavaleiros dos CTGs Sinuelo da Amizade, Roda de Carreta e do Grupo de Cavaleiros de Cachoeirinha retiraram uma centelha da Chama Crioula no dia 16 de agosto, em Alegrete. De lá, seguiram até o Parcão de Cachoeirinha, onde, em 25 de agosto, ocorreu a abertura dos festejos farroupilhas. A Chama Crioula passou pelos CTGs da cidade até chegar ao parque de eventos neste sábado (14), onde aconteceu a abertura oficial da 37ª Ronda Crioula, que se estenderá até 22 de setembro.
No galpão cívico, Luís Assis Moraes Quevedo, conhecido como Luisão, acompanhava o acendimento do candeeiro e do fogo de chão. Ele é o responsável por uma das missões mais importantes: garantir que a Chama Crioula não se apague. Luisão, popularmente chamado de “O Guardião da Chama”, leva sua tarefa muito a sério, permanecendo ao lado do fogo constantemente, saindo apenas em casos de extrema necessidade.

Com 68 anos, morador do bairro Granja Esperança, em Cachoeirinha, Luisão dedica-se a essa função há 22 anos, durante os 10 dias da Ronda Crioula. “Cuidar da Chama Crioula é, para mim, uma declaração de amor e respeito às nossas tradições e àqueles que lutaram pelo povo gaúcho”, destacou Luisão.
Ao longo dessas décadas, ele já vivenciou várias situações curiosas. Uma das mais marcantes ocorreu quando, anos atrás, uma secretária de Cultura jogou um balde de água sobre a chama, apagando o fogo, por conta da fumaça. “Nos desentendemos, mas depois ficou tudo bem, e eu reacendi a chama”, relembra, com bom humor. Sobre o futuro da função, Luisão demonstra preocupação. “Muitos CTGs não estão formando novos guardiões para o meu lugar. A nossa tradição, assim como a Chama Crioula, é nossa vida, e não podemos deixá-la se extinguir”, frisou.
Ritual de respeito e cuidado

A tradição manda que a chama nunca fique desamparada. Guardiões dos CTGs se revezam em turnos de 12 horas, vigiando o candeeiro onde a chama é mantida, segurando lanças como símbolo de respeito.
A história da Chama Crioula

Criada em 7 de setembro de 1947 por Paixão Côrtes, a Chama Crioula representa a união do Rio Grande do Sul com a pátria brasileira. O acendimento oficial ocorre em agosto, marcando o início das comemorações farroupilhas, e a distribuição da centelha envolve cerca de 800 cavalarianos em mais de 300 municípios. A cidade escolhida para o acendimento até 2044 já está definida. O ciclo de celebrações termina em 20 de setembro, com o apagar da chama, simbolizando o encerramento dos festejos.





