CACHOEIRINHA

Invasão no Distrito não tem solução à vista

  • Roque Lopes

A solução para resolver o problema de pelo menos 800 famílias que ocupam irregularmente áreas do Irga e do Estado no Distrito Industrial de Cachoeirinha voltou a estaca zero e preocupa o Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC) e prefeitura. O secretário de Habitação, Alcides Gattini, conta que havia um encaminhamento para o Irga ceder sem custos uma parte de sua área que ficaria dividida com o traçado da RS-010. No último encontro realizado, no ano passado, o Irga voltou atrás e pediu uma indenização. Gattini explica que a Prefeitura não tem recursos para isso e muito menos outra área para remover as famílias. “Somos um município de área territorial pequena. As invasões estão em propriedades do Estado e precisamos encontrar uma solução para dar moradia para estas famílias”, diz.

Não há nenhum encaminhamento novo para retomar as negociações com o Estado e como este é um ano de eleição é provável que nada aconteça até o novo prefeito assumir. Gattini revela que está em seus planos fazer um levantamento social para ter um número exato de famílias que precisam de moradia. Nesta área do Irga que iria ser cedida, segundo o secretário, poderiam ser criados lotes para atender 500 famílias. “Chegamos a pensar em construir algumas torres, mas fica próximo da cabeceira da pista da Base Aérea e acho que daria problema”, comenta. Uma parte não teria para onde ir, já que hoje são em torno de 800, segundo a presidente da associação de moradores criada este ano, Clair Martins Weiss.

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invasão no distrito industrial cachoeirinha (22)
Clair quer médico, coleta de lixo e poda de árvores

A entidade recebeu o nome de Jardim Conquista II, mesmo nome dado ao loteamento que se formou. Clair destaca que o desejo das famílias é ter um local para morar. “Podemos sair daqui, mas queremos outra área. Temos 9 advogados cuidando dos interesses dos moradores e hoje ninguém poderá nos tirar daqui sem apresentar uma solução para o nosso problema”, afirma. O segundo vice-presidente da entidade, Vanderlei de Oliveira Vargas, que veio de Canoas deixando sua casa em área verde para um filho, também segue a mesma linha. “Sair daqui, ninguém sai. Vão ter que nos dar outra área”, salienta.

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Para o presidente do CIC, Cesar Vieira, é necessário encontrar uma solução o mais rápido possível. “Aqui é uma área industrial. Estas famílias estão em situação precária, mas o poder público não pode criar uma infraestrutura que permita a elas continuarem. Precisam ser removidas para outro local”, destaca. Já o vice-presidente da entidade, Admir Juchneski, acrescenta que a entidade já tomou várias iniciativas nos últimos anos cobrando dos órgãos estaduais uma providência e lamenta que nada tenha acontecido. “A única coisa que vimos nos últimos anos foi o aumento do número de casas.”

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invasão no distrito industrial cachoeirinha (1)
Rua foi aberta sob rede de alta tensão

A situação dos moradores da invasão é bem precária. Uma rua foi aberta do chamado beco do Sesi até a avenida das Indústrias. Boa parte dela fica sob a rede de alta tensão. A rede elétrica foi construída pelos próprios moradores a partir de uma ligação clandestina na rede da RGE. A água também chega até as casas através de uma rede clandestina. Uma obra de rede de esgoto fluvial provocou o rompimento de uma adutora na avenida das Indústrias, deixando a invasão sem água. Moradores realizaram nesta terça-feira (22) um protesto colocando fogo em madeira e pneus e só saíram do local depois que a Corsan fez o conserto. A presidente da associação explica que há um acordo com a Corsan para que a água fique desligada durante o dia devido as obras e seja religada à noite. “Um cano arrebentou com o peso das máquinas e a Corsan não sabia. Estávamos há dois dias sem água, mas eu achei desnecessária a manifestação porque poderíamos ter resolvido de outra forma”, afirma.

Moradores precisam de médico e dentista

Clair revela que o loteamento clandestino tem vários outros problemas e ela já abriu três protocolos na prefeitura. “Tem uns eucaliptos que podem cair sobre algumas casas e precisam ser cortados. Também precisamos de atendimento médico e dentista aqui. Nós também pedimos para a prefeitura fazer a limpeza da área, pois há muito lixo acumulado em alguns pontos”, revela. Entre os moradores da invasão há alguns que sobrevivem com a reciclagem de lixo e as sobras ficam acumuladas em alguns terrenos. A maioria dos moradores da área não é de Cachoeirinha. Vieram de municípios da região metropolitana e alguns estão empreendendo. Há minimercados, cabeleireiras, oficina de conserto de bicicletas, criação de porcos e oficina de carros, entre outros negócios.

Casas e terrenos são vendidos por até R$ 100 mil
Casas e terrenos são vendidos por até R$ 100 mil

Venda de terrenos

Quem quiser morar na área não vai encontrar um terreno disponível. O que está desocupado tem dono e muitos estão à venda. Os preços variam muito. Há terreno com casa construída com sobras de madeira por R$ 5 mil. O preço de um imóvel, contudo, oscila entre R$ 15 e R$ 20 mil, com ou sem casa. Construções que ficam na beira da Avenida das Indústrias chegam a custar R$ 100 mil. Apesar de morarem em uma área invadida, muitos moradores investem bastante dinheiro em suas casas. Muitas já são de alvenaria e grandes. Uma delas, que está em fase de acabamento, chama a atenção pelo belo telhado com telhas vitrificadas. “Esse aí não investiu menos de R$ 70 mil. É meio arriscado, porque a gente não sabe se vai poder ficar ou não aqui”, disse um morador ao reporter.net.

Linda casa chama a atenção dos moradores
Linda casa chama a atenção dos moradores

Controle de novas invasões

O secretário da Habitação revela que desde que assumiu a secretaria em abril de 2013 criou uma ronda para evitar novas invasões em Cachoeirinha. “Nós temos um mapeamento completo das áreas que são da Prefeitura e estamos constantemente vigiando. Cuidamos até mesmo de áreas do Estado. Não temos como permitir invasões porque depois acaba sobrando para Prefeitura encontrar uma solução e nós sabemos que não temos área e muito menos recursos para dar conta disso”, afirma. Gattini estima que hoje Cachoeirinha tem um déficit de 3,5 mil habitações para atender famílias que moram em áreas de risco e invadidas. Um novo projeto prevendo a construção de 300 moradores já foi encaminhado para a Caixa Econômica Federal para atender moradores que ocupam áreas sob redes de alta tensão. Um outro projeto, para mais 450 moradias, está em andamento. Não há, contudo, um prazo para que os projetos se tornem realidade.

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