POLÍCIA

Incêndio destrói figueira centenária em Cachoeirinha

As chamas consumiram parte da estrutura da árvore e, horas depois, ela caiu sobre o canteiro central da avenida

Cachoeirinha – Uma figueira centenária localizada na esquina da Avenida João Pessoa com a Rua Cilon Rosa, no bairro Eunice Velha, em Cachoeirinha, foi atingida por um incêndio na madrugada desta sexta-feira (17). As chamas consumiram parte da estrutura da árvore e, horas depois, ela caiu sobre o canteiro central da avenida. As causas do incêndio ainda são desconhecidas.

O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado por volta das 5h por moradores que saíam para o trabalho e perceberam o fogo. Conforme relatos de testemunhas, a guarnição atendia outra ocorrência no momento do chamado e se deslocou ao local logo após concluir o atendimento anterior. Ao chegar, os bombeiros iniciaram o combate às chamas. Mesmo após a extinção do incêndio, as raízes e a parte interna do tronco continuavam em combustão durante a manhã, indicando que o fogo havia se alastrado pelo interior da árvore.

Dentro do tronco havia uma imagem de Buda instalada em uma cavidade natural. Próximo à base da figueira, havia arames retorcidos, possivelmente da estrutura de um pneu reciclado utilizado como floreira. O caso chamou a atenção de moradores e de motoristas que passavam pela Avenida João Pessoa. Muitos pararam para acompanhar a ocorrência, registrar imagens e lamentar os danos causados à árvore, conhecida por integrar a paisagem do bairro há décadas.

Um morador, que preferiu não se identificar, contou à reportagem do O Repórter que a figueira faz parte da memória de muitas famílias da região. “Quando éramos crianças, subíamos na árvore e depois íamos tomar banho no antigo valão do Santa Catarina, quando a água ainda era limpa. Essa figueira faz parte da história do bairro.”

A moradora Ana Bento também manifestou indignação nas redes sociais. Em uma publicação no Facebook, afirmou que a figueira havia sido plantada por seu avô e destacou a importância da árvore para a comunidade. Ela pediu que qualquer pessoa com informações sobre o incêndio procure a polícia para colaborar com a identificação do responsável. Ana também informou que, em outras oportunidades, solicitou a instalação de câmeras de monitoramento no local como forma de proteger a árvore, mas, segundo ela, o pedido não foi atendido.

Durante a tarde, um biólogo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade esteve no local para avaliar as condições da figueira. Segundo o profissional, a árvore já estava sem vida havia algum tempo. Ainda assim, explicou que o incêndio destruiu a estrutura interna do tronco e atingiu os galhos, inviabilizando qualquer possibilidade de recuperação. Diante do comprometimento estrutural e do risco de queda, foi definida a remoção da árvore que seria nos próximos dias.

Árvore caiu no início da noite

No início da noite desta sexta-feira, moradores encaminharam fotografias à reportagem do O Repórter mostrando que a figueira já havia tombado sobre o canteiro central da Avenida João Pessoa. As imagens também mostram que o tronco ainda liberava fumaça, mesmo horas após o combate ao incêndio.

Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação se a árvore caiu em decorrência dos danos provocados pelo fogo ou se foi derrubada durante os trabalhos de remoção. As circunstâncias que deram origem ao incêndio permanecem desconhecidas.

Preservação das figueiras

As figueiras exercem um papel importante na arborização urbana e na conservação ambiental. Além de proporcionarem sombra, contribuem para a regulação da temperatura nas cidades, servem de abrigo e fonte de alimento para diversas espécies da fauna e colaboram para a manutenção da biodiversidade.

Essas árvores também fazem parte da história de muitas comunidades. Por levarem décadas para atingir grande porte, tornam-se referências na paisagem urbana e integram a memória de gerações de moradores.

A destruição de uma figueira por incêndio ou vandalismo representa não apenas a perda de um exemplar arbóreo, mas também de um patrimônio ambiental e histórico que dificilmente poderá ser substituído. A preservação dessas espécies depende da conscientização da população, da fiscalização dos órgãos competentes e da denúncia de qualquer ação que coloque esse patrimônio natural em risco.

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