Polícia Civil desmente boatos de tentativas de sequestro em Gravataí
Após investigar as denúncias que circularam nas redes sociais, a Polícia Civil concluiu que três dos casos não apresentaram indícios de tentativa de sequestro
Gravataí – A Polícia Civil descartou três das quatros supostas tentativas de sequestro de crianças divulgadas nas últimas semanas em Gravataí. Os casos, que ganharam repercussão em grupos de WhatsApp e outras redes sociais no fim de junho e voltaram a circular nesta semana, provocaram preocupação entre moradores do município e de cidades vizinhas, além de gerar diversos acionamentos às forças de segurança.
Em entrevista ao O Repórter, na tarde desta quinta-feira (16), o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Gravataí, Wagner Dalcin, responsável pela área onde ocorreram os fatos, informou que as investigações concluíram que os episódios registrados nas regiões das Lojas Havan, do Gravataí Shopping e da Vila Imperial não apresentam elementos que indiquem tentativa de sequestro. Apenas o caso ocorrido no dia 6 de julho, no bairro Passo dos Ferreiros, permanece em investigação.
Segundo o delegado, todas as ocorrências foram analisadas por meio de diligências, coleta de depoimentos e análise de imagens de câmeras de monitoramento. “Dos três casos, após investigação, ficou comprovado que as histórias compartilhadas nas redes sociais não possuem fundamento factual. Já o caso ocorrido no dia 6 de julho, no bairro Passo dos Ferreiros, continua sendo investigado pela Polícia Civil”, afirmou.
Caso da Havan
O primeiro boato surgiu no fim de junho, com mensagens informando uma suposta tentativa de sequestro na área das Lojas Havan, às margens da RS-118. Conforme Dalcin, assim que a informação chegou à Polícia Civil, investigadores foram deslocados ao local para verificar a denúncia. Foram realizadas diligências, entrevistas com pessoas que estavam na região e análise das imagens das câmeras de segurança. Ao final da apuração, os policiais constataram que não houve qualquer ocorrência relacionada a uma tentativa de sequestro.
Caso do Gravataí Shopping
Dias depois, uma nova mensagem passou a circular, desta vez relatando uma suposta tentativa de sequestro no Gravataí Shopping. Nesse caso, foi registrado um boletim de ocorrência. À Polícia Civil, a responsável pela criança informou que decidiu procurar a delegacia após um homem desconhecido se aproximar de seu filho enquanto eles estavam no shopping. Segundo ela, o receio de que a criança pudesse ser sequestrada foi motivado pelas mensagens sobre supostas tentativas de sequestro que circulavam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.
Após a instauração da investigação, os policiais civis analisaram as imagens das câmeras de monitoramento do shopping e realizaram as diligências necessárias. Ao final da apuração, a Polícia Civil concluiu que não foram encontrados elementos que caracterizassem uma tentativa de sequestro. Dias depois, uma nova mensagem passou a circular, desta vez envolvendo uma suposta tentativa de sequestro no Gravataí Shopping.
Caso da Vila Imperial
O caso mais recente ocorreu na terça-feira (15) e envolveu uma estudante de 10 anos da Vila Imperial. Inicialmente, o boletim de ocorrência informava que um veículo de cor escura teria parado ao lado da menina e que o motorista a teria chamado. O relato também dizia que o condutor deixou o local ao perceber a chegada da mãe da criança.
Entretanto, durante a investigação, a versão foi esclarecida. Segundo o delegado, a menina ainda estava dentro da escola quando observou um veículo estacionado do outro lado da rua. Em determinado momento, o motorista colocou a mão para fora da janela, fazendo um gesto que posteriormente foi interpretado pela criança como sendo direcionado a ela.
Influenciada pelas informações que circulavam nas redes sociais sobre supostas tentativas de sequestro, a estudante comentou o episódio com outras mães, que orientaram a responsável a procurar a polícia. De acordo com Dalcin, essa investigação também foi concluída e não foram encontrados elementos que indiquem uma tentativa de sequestro.
Caso do Passo dos Ferreiros segue em investigação
O delegado ressaltou que o único caso que permanece sob investigação é o registrado no bairro Passo dos Ferreiros, no dia 6 de julho. Na ocasião, a Brigada Militar foi acionada pela mãe da criança, atendeu a ocorrência e confeccionou o boletim. Em seguida, o procedimento foi encaminhado à Polícia Civil, que instaurou inquérito para esclarecer os fatos. Segundo Dalcin, todas as diligências continuam sendo realizadas e nenhuma hipótese foi descartada até a conclusão da investigação.
Polícia Civil apura origem dos áudios
Além das ocorrências, a Polícia Civil também investiga a origem dos áudios e mensagens compartilhados em grupos de WhatsApp e outras plataformas, que relatam supostas tentativas de sequestro de crianças em Gravataí.
Até o momento, conforme a investigação, não há qualquer materialidade que comprove a existência de uma sequência de tentativas de sequestro ou de uma organização criminosa voltada para esse tipo de crime no município. Os investigadores identificaram e ouviram pessoas mencionadas nos áudios. Conforme o delegado, os relatos analisados não apresentaram elementos capazes de confirmar as informações divulgadas.
Dalcin ressaltou que o compartilhamento de conteúdos sem verificação provoca preocupação na comunidade, gera desinformação e compromete o trabalho das forças de segurança.
Delegado faz alerta à população
O delegado orienta que qualquer situação considerada suspeita seja comunicada imediatamente à Polícia Civil ou à Brigada Militar para que possa ser verificada. Ao mesmo tempo, reforça que a população deve evitar compartilhar mensagens cuja veracidade não tenha sido confirmada. “A orientação é que a população não divulgue informações sem confirmação oficial. Caso exista qualquer situação suspeita, a pessoa deve procurar imediatamente a Polícia Civil ou acionar a Brigada Militar para que a ocorrência seja apurada.”
Dalcin também alertou para as consequências legais da comunicação falsa de crime. “É importante esclarecer que registrar uma ocorrência falsa ou comunicar um crime que não aconteceu pode gerar responsabilização criminal. A pessoa que faz esse tipo de comunicação pode responder perante a Justiça, porque mobiliza indevidamente a estrutura policial e desvia recursos que deveriam estar sendo empregados em ocorrências reais.”
Segundo o delegado, esse tipo de conduta também interfere diretamente no atendimento de situações que realmente exigem atuação policial.”Quando equipes são deslocadas para verificar um fato inexistente, deixam de atender outras ocorrências que podem envolver vítimas reais, situações de urgência e investigações em andamento.”
Por fim, Dalcin reforçou que a colaboração da comunidade é essencial para o trabalho das forças de segurança. “Pedimos que a população utilize os canais oficiais com responsabilidade, registre ocorrências apenas quando houver fatos concretos e evite compartilhar mensagens sem verificação. Essa colaboração permite que a Polícia Civil e a Brigada Militar concentrem seus recursos em situações reais e ofereçam uma resposta mais rápida a quem realmente precisa.”





